terça-feira, julho 21, 2009

Faxina II

o meu cabelo
cada centímetro de desespero
que tinha raízes na minha cabeça
que crescia a cada mês
cortei, varri, joguei fora
agora, suma, desapareça!
segue junto com essas células mortas
essas tristezas e agonias tortas
que não me machuque mais
o que for desse passado
que suma junto com esse cabelo
(esse é meu apelo!)
que se insignifique e se enfraqueça
só coisas novas e inofensivas
agora na minha cabeça
que eu não me afete mais
quando vir algum rosto
que antes me fez triste e sem gosto
desinfete! se incomplete!
que renasça do avesso
de outra cor, outra textura
que seja um novo começo
de lúcida loucura
que seja assim
que saia de mim
a cura.






segunda-feira, julho 20, 2009

Faxina I

não preciso mais desses papéis
que levei comigo por tanto tempo
estou jogando todos eles fora
amontoando sacos e sacos
chutando eles, jogando fora
e rindo, dando gargalhadas
estou me libertando desses papéis
que me cercavam, me condenavam
esses papéis guardados, ou melhor, largados aqui
como provas de que o tempo passou
que carregam vestígios de mim
fios de cabelo com raízes, sangue
poesia às vezes e suor

poderiam até me clonar utilizando esses papéis
mas nao garanto que conseguiriam me ter
talvez conseguissem um esboço
alguém focado e preciso, mas oco.
Esse que sinto que sou
ou que estou começando a ser
e que nasce do núcleo de minhas células
à minha superfície
tem mudado muita coisa em mim
coisa que a medicina nem sonha
porque não faz mesmo sentido
talvez nem deva fazer...
O que se despedaçava por cima desses papéis
e saía largando migalhas de si por aí
vai junto, dentro dos sacos
porque é lixo e lixo, segundo o moderno dicionário da língua portuguesa,
é aquilo que se varre para tornar limpa uma casa, rua, jardim, etc.
Ou um conjunto de dados ou informações desatualizadas ou erradas,
e que não são mais necessárias.

O Lucas vazio, insípido, despedaçado, estava completamente errado
e está tremendamente desatualizado
é desnecessário.


Era,
porque já foi.