segunda-feira, agosto 30, 2010

Sonhei que era uma festa de família, como aqueles velhos natais, mas que tinham muitas pessoas mesmo, de diferentes círculos.
só lembro que em determinado momento estava perto da tia Areta. e, apesar do alzheimer, nessa hora ela estava muito lúcida e dizia que sentia muito tudo aquilo e que mesmo que às vezes ela nao entendesse nada, o desejo constante era de ser abraçada, sentir carinho, só isso. Depois disso tive alguma discussão com minha mãe e ela não entendia nada e isso me incomodava tanto. eu saía e ia me servir um prato do jantar. enquanto me servia, tia Areta abraçou uma das panelas de macarrão, enfiou a cabeça lá dentro e começou a comer compulsivamente, parecia um cachorro, não sei, aquilo causou um mal estar geral tátil. ninguém tinha entendido nada. eu andei até tia Areta. ela parou e me encarou com a cara toda suja de molho de tomate. eu a abracei. Nós te amamos muito tia Areta, você faz muita falta, nenhuma morte antes foi tão lamentada. aí tia Areta retribuiu meu abraço e começou a morder minha cabeça e tentava arrancar meu cabelo com os dentes. aquilo doía muito e eu sentia um nojo monstruoso. mas eu não podia sair dali ou maltratá-la ou negá-la. eu disse é carinho tia Areta, só quero te dar carinho. nessa hora olhei pela janela e várias amigas do ensino médio me olhavam e morriam de rir, tinha também alguns vizinhos que riam de leve, mais desaprovavam alguma coisa. eu devia ter uns 10 anos nessa hora. Tia Areta confundiu as coisas e queria porque queria transformar o carinho em sexo, ali no meio da sala, no meio de todo mundo. eu só tentei segurar ela com toda força que tinha e chorei muito no seu peito.

domingo, agosto 15, 2010

a minha vontade agora era estar preso numa caixa transparente...
você me procuraria, me tocaria, me perguntaria, me observaria
e eu só cantaria cantaria cantaria....
e tudo seria só sugestão
eu seria qualquer que fosse sua interpretação
eu seria sempre
eu seria seu
bem mais do que meu
bem mais do que eu
assim é ser artista