quinta-feira, dezembro 24, 2009
do meu corpo
mas eu estava tão fundo
tão longe do topo
talvez se eu me encontrasse
talvez me guiasse
lá pra cima
me agarrando à minha pele pelo avesso
me puxando, lutando contra minha força
e saísse pelos poros, pelos olhos
pela boca, não sei
talvez lá fora encontrasse outra pessoa...
talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
é, talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
...
quarta-feira, dezembro 16, 2009
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...
sempre meio mistério quarto crescente
segunda-feira, novembro 02, 2009
o mundo preso na minha garganta
vale dizer que tudo está o mais seco que Brasília pode deixar
e cada passo dado é acompanhado de uma percussão de estalos e rachados e quebrados
e eu me divirto com isso, sozinho, meu espírito ri como uma criança ri. (você sabe a diferença?)
eu não estou seco, eu não sou seco
eu sou do cerrado e tenho essa cortiça grossa e me protejo do fogo
mas porque meu dentro não pertence a lugar nenhum
tenho todos os líquidos e fluidos e seivas e sangues que existem, que coexistem em mim
uma infinidade de coisas que às vezes vêm todas de uma vez
e Brasília inteira me dói
talvez seja esse meu problema, ter tudo isso e querer ter idéia de tudo
e achar que algum dia eu vou encontrar resposta e vou saber o que sobra de mim depois do tudo, por baixo da sociedade, dos controles...
todo dia eu tenho esperado ansiosamente pela hora de dormir, sonhar é virar um espectro que ultrapassa todas as barreiras de si. e acordar é cair com a cara no chão.
engraçado, lembrei agora do dia quando eu era criança e pulei do barranco mais alto e ganhei a aposta. eu caí no chão e o mundo subiu por dentro dos meu pés, pernas, virilha, estômago, pulmões, garganta, parou. ficou. o mundo se entalou na minha garganta e eu não conseguia falar mais nada. abria a boca e fazia gritos ensurdecedores, mas nada saía. tinha ficado mudo , completamente , não dava pra ser mais desesperador. e olhava pra cara do meu irmão com os olhos arregalados querendo dizer tudo que eu não conseguia e ele me entendeu, porque éramos crianças e ele era meu irmão. corremos pra algum adulto que saberia exatamente como nos ajudar, tinha que saber. corremos pra sala de um. e ao pisar na sala eu falei: "socorro!" e a mulher me olhou assustada e aí tudo perdeu completamente o sentido, pareceu que nada existiu e não ia adiantar explicar porque ela e ninguém nunca ia acreditar, ia parecer invenção, invenção de criança, porque criança ri diferente e quase ninguém entende.
eu continuo andando. e vale dizer que não sei pra onde estou indo, eu estou só fugindo... de alguma coisa pequena, que de tão pequena eu esqueço o que é, esqueci.
eu sou triste, falo em voz alta baixinho: e u s o u t r i s t e
não sei se ninguém saberia a relevância disso. que a tristeza ilumina certas coisas e a gente acaba vendo certas muitas coisas que não sei se era melhor nao ver. mas sou o que eu sou, seja lá o que for, porque sou triste, e isso me deixa feliz, minha tristeza é consciente e me mantém forte e qualquer coisa pode vir porque nada será maior que ela, porque ela não tem razão, não tem nada que possa ser feito, nenhuma solução, por isso é infinita e forte e me sustenta. é minha amiga.
Foda é que ninguém quer levar o pacote completo, ninguém quer nos conhecer os dois, ninguém enxerga nós dois, nem todo mundo tem estômago pra isso e quando chega perto o bastante que possa ver essa minha...corre...
eu não tô bem, acho que não...e canto Caetano. canto, canto, canto...os estranhos passam olham e fingem que não olham...
You don't know me, bet you'll never get to know me...you don't know me at all! theres nothing you can show me from behind the wall, nothing you can show me!
Cansei... devia voltar, devia chegar lá de novo com um sorriso gigante... mas eu sei que ia ser um sorriso pesado de pedra e ninguém ia notar, ninguém ia gostar...
como é que eu consigo andar tanto sem ir pra lugar nenhum e nem sequer ter essa intenção? que porra de espécie de gente eu sou? porque diabos eu ainda acho que existem espécies de pessoas?
eu não sei, eu não sei... eu tô preso.
não tem como escapar, a gente simplismente não existe sem essas prisões. conforta pensar assim, conforta e congela, eu tô cansado, sério.
eu preciso de alguém, agora. preciso beijar alguém e depois pegar no rosto e olhar no olho e dizer alguma coisa, depois me enfiar na nuca e sussurrar alguma coisa qualquer e abaixar minha mão e enterrar minha mão, preciso me esconder em alguém...
mas alguma coisa me impede. algo desesperador. algo preso na minha garganta
alguém, por favor...alguém adulto...alguém que saiba o que fazer
alguém me dá alguma coisa que faça isso descer...
preciso engolir alguma coisa. preciso comer qualquer coisa. alguém?
Clarice Lispector é preciso comer Clarice Lispector é disso que eu preciso.
segunda-feira, outubro 26, 2009
devia, mas...
de pensar em você
devia, talvez, também,
parar de pensar tanto em mim
porque pensando bem
parece que o mundo tem mesmo fim
e quando fecho bem os olhos
consigo até escutar o som
da cidade quebrando
e se não abro os olhos
periga cair em mim
o trânsito com o veneno todo
que corre por aí...
se não abro os olhos
as casas das portas fechadas e luzes apagadas
me matam e me comem e me guardam pra sempre
nessa cidade inabitável e em ruínas
que eu crio toda vez que penso
em você e depois em mim
tenho que levantar dessa cama movediça
tenho que sair de baixo desse lençol
tenho que me mover, qualquer músculo, pra qualquer lado...
tenho que abrir a cortina
tenho que parar, eu sei
com a nicotina
com a cafeína
com a ...eu sei, eu sei
chega!
eu já sei!
sábado, outubro 17, 2009
nada novo
só coisas em potencial
que eu não sei se eram mentiras
que eu invento
não sei se eram reais
que já faz tanto tempo...
a mesma babaquice
a mesma inércia
o mesmo medo
o mesmo pau mole
você tinha essa mensagem no celular dizendo "se afasta pra ninguém se machucar", que você lia todo dia, todo dia, e você virou o copo num gesto que todo meu corpo foi só vontade de te agasalhar e te tirar dali e te levar pra casa, casa que não fosse a minha e nem a sua porque não são nossas, tá vendo? também me falta isso e eu também tenho tanto frio, como vou te esquentar? como vou te salvar? te provar que você tem tudo pra me fazer de louco de bem perto de cheiro e de língua e de quase falar que amo com os pés, as mãos, o suor,e que larga tudo isso, vem pra mim que eu sou música brasileira, sou só batuque e brincadeira, que eu to cagando pro seus dez quilos a mais e eu só quero e que... e que... mas não..
você fez que sim com a cabeça
e foi
e eu devia ter agarrado seu braço
te puxado com a força de um primata amoroso hormonal
todo sangue e paixão e convicção
devia ter te laçado e enfiado uma lança no seu peito
devia ter feito você querer com toda sua alma
ficar
mas não, enfim
meu corpo tá sempre tão distante de mim
domingo, outubro 11, 2009
torpor
e vomitava essa pílula torpe que se dissolve aos poucos
e é infinita
e ataca meu organismo com essa angústia, essa agonia,
esse medo de não sei do que...
mas não posso
porque essa pílula não existe
não é algo que se vomite
nem que eu passasse a tomar antidepressivos
mas seria a química contra minha alma
e não é disso que eu preciso
em certo ponto eu escolhi ser assim
decidi ser poeta e sentir tudo a fundo
eu sinto muito
isso é minha arma e meu escudo
meu filtro envenenado pra tudo
já não sei como fugir
não existem portas fáceis de abrir
também não tenho certeza se é disso que preciso
se a solução é mesmo ser esse espelho cego
se é seguir os passos dos outros sem perguntar nada
sem pensar, será?
"como ser fácil?" "como ser aberto?"
"como viver a vida de perto?"
não sei como ejacular isso da alma
tem uma coisa presa no meu espírito
uma raposa, bicho selvagem
virgem, perdido na cidade caos
no submundo terreno vadio
suplicante e tentador...
como se quebra uma muralha de pedra
dentro da pele
sem se machucar
sem morrer?
torpor
tor.por
sm (lat torpore) 1 Falta de ação ou de energia física; entorpecimento. 2 Indiferença ou inércia moral. 3 Med Estado em que a sensibilidade, a motilidade e a atividade psíquica estão reduzidas de tal forma que o paciente não tem consciência exata do que se passa em torno dele ou com ele.
domingo, outubro 04, 2009
embrionário
dentro de uma casca
destrambelhado
batendo com a cabeça
lutando para nascer
e se machuca
e muitas vezes perde a consciência
porque é escuro lá dentro
e as coisas perdem o sentido
porque não vê cores
e os sons que escuta são seus ecos
este ser é belo
mas ninguém vê
estes sons são música
mas ninguém escuta
de tanto chutar e bater
pra todos os lados
sem saber o porquê
um dia essa casca quebra
mas há de manter
os olhos abertos pra ver
quando a luz começar a entrar
quero ouvir você cantar
quero ver você sorrindo
...porque eu tô te esperando.
domingo, setembro 27, 2009
que nem meu irmão
aprendi a domar meu grito
e quando quero
ainda grito mais alto que leão
em cima da carne viva morta
mais estridente que um porco morrendo
e quando não quero canto baixinho que nem passarinho
no tom que cabe, sobre meu domínio
nasci pra apreender tudo sozinho
e por isso sofro mais
por isso eu sou dificil de aceitar
porque preciso vez em quando gritar, tanto
transformar esse caos pesado
que tenho dentro
em onda, que não tem peso
e eu grito como rezo
tenho que gritar
gritar à altura da minha dor
pra me livrar
e acabo incomodando a todos
pelo meu despudor
mas não me importo
pois enquanto tiver vida em mim
terá dor
e tanto mais terá voz
e eu não vou parar
você vai querer fazer de tudo pra me calar
pra viver a vida na ignorância
nunca saber dessas coisas todas que eu sinto
você que me ensinou, você que me gerou esse conflito
agora eu te devolvo tudo em grito.
(e não paro)
sábado, setembro 05, 2009
Pra ele
banalidade quando um homem assim chora
quando fala assim, coisas esparsas, coisas muitas, muito suas
e daí lança de si, expulsa, coisas assim que de tão delicadas chegam a ser violentas
e dessa violência chegou a machucar sua mãe em um lugar que nunca havia sido machucada antes.
portanto, não é qualquer coisa.
Ele falou, falou, chorou, falou, falou e isso não são só palavras jogadas assim inconsequentemente. Ele é um homem, e se formou até o momento presente para ser homem, homem fortaleza.
E ele ainda é, porque seu corpo estrutura todo rigidez e força reforça isso, suas mãos grandes e ossos aparentes, sua sobrancelha baixa, seu tom de pele e de voz...
chega a ser meio arcaico, ele, que até impõe certo respeito, mesmo sendo jovem, sobre as pessoas, que sequer imaginam existir assuntos assim internos, secretos, seus.
Por todo mundo hoje ser tão aberto e acessível para o mundo todo e todo mundo ser meio homem e mulher e bixo ao mesmo tempo e ele não, não deve se tratar o caso como se trata esses outros modernos.
Ele não é moderno e não é errado por isso. Ele não é daqui. nem todo mundo entenderia isso.
O lugar de onde veio vive num passado.
Quando se vai pra lá, se faz uma viagem no tempo de pelo menos uns 50 anos... e é essa saudade de meio século que ele carrega em seu interior e isso é coisa demais, mesmo para um homem fortaleza. Essa idade é incompatível com seu corpo jovem que abriu a boca e disse eu te amo, sinta tanto sua falta, não aguento mais e machucou tão fundo sua mãe que chorou 50 anos junto com ele.
sexta-feira, setembro 04, 2009
aquelas noites
ele me convencia de que eu não prestava atenção em nada
e que tudo que eu falava era idiotice e que tudo que eu fazia era ridículo
e falava com uma voz baixa e densa, ameaçadora
às vezes chegava a levantar a mão, às vezes chegava a abaixá-la
e me dizia que se eu estivesse lá fora, no mundo,
eu ia apanhar muito, que eu não sabia conviver com as pessoas
que eu não podia ser de tal jeito
que me odiava, que não ia aguentar mais, que te-encho-de-porrada-muleque
mas eu não prestava atenção em nada, eu era criança
verdade que às vezes ligava o som e chorava sozinho
e conversava com Deus e pedia tanto
queria entender, queria que Ele me entendesse, que ele me entendesse
continuava a ser do jeito que não devia ser, continuava a dizer o que não devia dizer
e hoje eu presto muita atenção no que ele dizia
vejo que aquelas palavras tantas vezes me espelham hoje
porra! eu era criança, não podia me defender
dessas palavras que me atirava...
agora elas estão aqui cravadas
enferrujando minha alma
e hoje eu sou tão mais o que não devia ser
porque inconscientemente acabei acreditando nele
e hoje vejo as milhões de pequenas coisas que fui perdendo
e que ainda perco frequentemente
hoje eu penso milhões de coisas pesadas que eu não entendo
e que não aguento
hoje
sinto que tenho tanta coisa pra dizer
que me calo.
sexta-feira, agosto 28, 2009
Drama II
que acham que eu estou ficando louco
imaginam que não, mas eu escutei
pois eu acho que louco é pouco
porque eu estou oco, ..., oco!
foi assim que você me deixou
ta satisfeita?
é, to assim mesmo feito um idiota
não escondo, eu nao quero esconder
falo, falo mesmo, que queria...
quero mesmo agora, mais que tudo
estar com você ...
eu passo horas na tevê
e não escuto nada, nao vejo nada
horas na tevê!
só me cabe você, só me vem você
queria seu colo pra eu deitar e dizer
que te adoro e ouvir você dizer
"também, Lucas, eu também!"
mas você já tá desfilando por ai com alguém
exibindo fotos e sorrisos e abraços com esse alguém
talvez mais bonito e resolvido, alguém normal
boa sorte pra você, porque eu continuo muito mal
mas tá, beleza! , me disseram que eu acabo me conformando,
me acostumando
que eu sou forte, que eu consigo
que tudo bem
eu forjo um riso
eu cicatrizo
quinta-feira, agosto 13, 2009
Surpresa
seja bem vindo de volta
olha, nem sei assim o que dizer...nunca recebi ninguém desse jeito
mas nossa! eu to tão feliz que você está de volta...já nem lembrava o quanto era diferente
quando você tava sempre presente...é que faz tanto tempo né...você não mudou nada, você tá vendo né, ou mudou? mudei? é que você parece ainda tanto comigo, você parece...que tem alguma coisa pra dizer...
_(risada meio engasgada) é, pois é...mudou um pouco
mas eu ainda estou aqui né, como você vê
sendo de novo eu
tive que vir, problema sério que você criou, muleque! (olhar sério e sorriso iluminado)
tenho algo sim pra dizer
você já sabe o que é
mas, ó, não se preocupa não
digo que tudo está bem agora
digo que você me deu vida nova e estou feliz de poder fazer parte da minha vida de novo...
tudo tá no caminho certo e tudo vai ser ouro agora porque você perdoou
eu perdoei
hoje eu levantei da cama num pulo
fui eu mesmo quem me lancei do meu sono
e meu corpo se levantou num grito de vida
a voz que saiu foi a que eu tinha quando tinha dez anos ou menos
foi um grito de vida, é
não socorro, não dor, nem suplica, nem raiva
só anunciação de vida,
hiperativa e incandescente e viva
que ansiedade! que vontade de viver!
uma parte minha ainda cheia de muito sangue e vontade
hedonista ingênua inconsequente inconsciente mágica iludida e feliz
milagrosamente levantou de um coma
estava silenciosamente esquecida havia um tempo
confundida com toda a lama que haviam jogado por cima dela
dessa parte minha, uma parte minha
que parece ter sido no meio do ultimo sonho
que assim num piscar, uou! voltou
cheia de coisas novas pra contar do passado
chegou cheia de sorrisos e pulos e sabores e palavras secretas!
que importante isso de aparecer assim de surpresa
e abraçar minha vida e falar sobre eternidade sem gaguejar...
que importante esse atrevimento
que sorte ter essa parte minha
que me lembra desse bom amigo
que eu tenho de infância
que eu perdoei
essa parte minha! nossa! obrigado!
terça-feira, agosto 11, 2009
Drama
arranhar a pele até reabrir a ferida
do amor mais vermelho que já tive
e saborear meu sangue com a ponta da língua
seria bom estar sozinho agora
pra gritar que nem louco
beber sangue, me imortalizar
sem parecer louco
sem aparecer pra ninguém
praticar atos que não sei o que significam
anominais , eu e amigos irreais
é com a projeção sua aqui dentro
é na verdade sua silhueta
que na verdade se movimenta
e que faz um estrago e bagunça tudo
como que se vez em quando
arrumasse os móveis
da casa vazia que mora
e me dá uma fome, uma sede, uma saudade
preciso de um doce, de um trago,de um amargo
preciso amar alguém, preciso ficar sozinho
_oi, por favor... vende picado?
então me da um, por favor
uma carolina
um sonho
e um cafézinho
espiral insana
que vem do meu pai
e daí pra trás
tudo não para
tudo na vida que eu levo
do jeito que planejo
tudo eu sinto
que é muito chato
que é injusto
que é incompreensível
que é ótimo
tudo na vida
que eu vivo
do jeito que eu vejo
tudo que eu sinto
que me espeta
que me estanca
que me ama
e que me espanca
e não para
tudo é abstrato
tudo é falta
tudo é fatal
tudo é sonho
e faço mil vezes
a mesma coisa
e esqueço tudo
e choro sem chorar
e peço pra nunca acabar
mas acaba e não para
rala o joelho, se rala inteiro
mas nem pensa, pedala
que nessa vida que eu me meto
tudo é tarde demais
tudo é cedo demais
tudo é impressão
puta merda
eu sou poeta!
sábado, agosto 01, 2009
do que vivo do não concreto
só ele sabe que ainda será
só ele sabe quando reaparecerá
nosso amor maduro
seguro de si
independe de nós
ciente dos prós e dos contras
sabe que muitas vezes a gente
dá as costas
e nem se dá conta
mas ele nos entende
nosso amor de compreensão celeste
sorri com o canto da boca
ele não faz alarde
não dá falso alarme
se guarda, mas não amarga
nosso amor sabe a hora de ser
sabe quando aparecer
e ele nos perdoa
pelas armadilhas que criamos pra ele
pelos dias que o odiamos por existir
nosso amor
sabe coexistir com a raiva,
com a tristeza, com a ausência,
com a indiferença...
nosso amor acostumado com o desprendimento
e com a inconsciência mórbida que temos dele
resiste continuamente, sim, porque eu acredito.
terça-feira, julho 21, 2009
Faxina II
cada centímetro de desespero
que tinha raízes na minha cabeça
que crescia a cada mês
cortei, varri, joguei fora
agora, suma, desapareça!
segue junto com essas células mortas
essas tristezas e agonias tortas
que não me machuque mais
o que for desse passado
que suma junto com esse cabelo
(esse é meu apelo!)
que se insignifique e se enfraqueça
só coisas novas e inofensivas
agora na minha cabeça
que eu não me afete mais
quando vir algum rosto
que antes me fez triste e sem gosto
desinfete! se incomplete!
que renasça do avesso
de outra cor, outra textura
que seja um novo começo
de lúcida loucura
que seja assim
que saia de mim
a cura.
segunda-feira, julho 20, 2009
Faxina I
que levei comigo por tanto tempo
estou jogando todos eles fora
amontoando sacos e sacos
chutando eles, jogando fora
e rindo, dando gargalhadas
estou me libertando desses papéis
que me cercavam, me condenavam
esses papéis guardados, ou melhor, largados aqui
como provas de que o tempo passou
que carregam vestígios de mim
fios de cabelo com raízes, sangue
poesia às vezes e suor
poderiam até me clonar utilizando esses papéis
mas nao garanto que conseguiriam me ter
talvez conseguissem um esboço
alguém focado e preciso, mas oco.
Esse que sinto que sou
ou que estou começando a ser
e que nasce do núcleo de minhas células
à minha superfície
tem mudado muita coisa em mim
coisa que a medicina nem sonha
porque não faz mesmo sentido
talvez nem deva fazer...
O que se despedaçava por cima desses papéis
e saía largando migalhas de si por aí
vai junto, dentro dos sacos
porque é lixo e lixo, segundo o moderno dicionário da língua portuguesa,
é aquilo que se varre para tornar limpa uma casa, rua, jardim, etc.
Ou um conjunto de dados ou informações desatualizadas ou erradas,
e que não são mais necessárias.
O Lucas vazio, insípido, despedaçado, estava completamente errado
e está tremendamente desatualizado
é desnecessário.
Era,
porque já foi.
segunda-feira, junho 29, 2009
caminho livre
numa de ser um completamente inédito
mas estou indo sem parar
tenho pouco, eu sei
não reclamo nenhum crédito
tem alguma coisa maior que me chuta
pra onde bem entende
que é só quem entende de alguma coisa aqui...
está prestes a nascer lua nova
minha cabeça cheia sem pensar
que seguir
é o que eu posso
é continuar
só continuar, só
tudo de um jeito que nunca foi pra sempre
nova era
há de vir, virar tudo ao reverso
já tá aí, esta prestes a chegar
no meu universo
vou deixar aberto
é só entrar
já tá tudo pronto, tá tudo certo.
domingo, junho 21, 2009
Domingo Maior [ ou a volta da minha atriz ]
Pensei que tivesse, mas não...
acabei de te ver na televisão. Demorei pra acreditar que era você, mas a voz,
o jeito pausado e nítido de falar é inconfundível e foi, lembro perfeitamente, o que antes de tudo
me chamou atenção em você.
Você tava lá agora iluminando minha madrugada de domingo maior com filme depressivo depois do fantástico, jogando na minha cara e nas paredes da sala aquela sua risada falsa que aperta os olhos e fica tão verdadeira quanto realmente é... porque você é uma ótima atriz, inclusive quando diz não ser...
Pois é, eu sei. Acho o cúmulo da decadência estar gastando meu tempo escrevendo de novo sobre você, você que me empurrou de cima do seu muro quebrando minhas pernas de pular e meus braços de agarrar... e tudo que eu queria agora era mesmo ter evoluído de você, erguido a cabeça e dado as costas e ter saido sorrindo com minhas pernas de seguir e meus braços de cruzar...
Cheguei até pouco atrás a me convencer de que tinha mesmo feito isso, mas vendo você ali toda bonitinha e iluminada de sol e sendo lançada a mim pelo canhão da minha TV me fez lembrar o que você representou pra mim, o tamanho da esperança de alegria pura e amor cru que eu pus em cima de você, fez eu lembrar do quanto eu estava infantilmente carente e sozinho, tão sozinho quanto ainda estou...
Eu quis tanto agora que eu não tivesse sonhado em vão e que a nossa história não tivesse me convencido de que é melhor ser mais concreto e mais pé no chão, e eu não estaria agora com tantas dúvidas a respeito do que eu realmente sou e a respeito do que eu me tornei e do que estou me tornando...
Eu não estaria pensando tanto em como seria bom se você não tivesse no primeiro ato pegado aquele punhal e matado a mim... e envenenado você mesma de mim...
quarta-feira, maio 27, 2009
me dê você [ ou o que tem de melhor no agora ]
e me dá o seu gesto?
porque você não deixa todo o resto
e me deixa entrar
e me deixa ficar?
te desarmar
e me perder por um instante
no infinito da sua boca gigante
enxergar pelos seus olhos
o que tem de melhor no agora
que o meu olhar implora
te explora por fora
e fica por fora
do que tem de melhor no agora
deixa eu entrar
deixa eu ficar...
deixa eu estar por dentro de você
deixa eu saber como é ser você
e que gosto tem
ter alguém que nem você
mesmo que ninguém possa ter ninguém
quero o gosto da ilusão de te ter
preciso saber agora
se eu beijar você
se me beija de volta
se me deixa ser o seu ponto de equilíbrio
seu eu, seu gêmeo, seu filho
seu meu, seu inverso, seu reflexo
seu salvador de todos os males
se deixa de lado todo o resto
e me dá seu sexo
se deixa de lado todos eles
e me deixa entrar
e me deixa ficar...
que quero ser livre com você
e te libertar
da paixão meia boca
dessa vida coisa pouca
quero gritar de dentro de você
e te deixar rouca
te deixar fraca de amor
te deixar de outra cor
e depois ficar
depois continuar
que a gente não precisa de mais nada
que o nosso amor feito vale tudo.
(larga seu arsenal, seu escudo
pode falar, eu te escuto
eu to aqui pra tudo)
quinta-feira, maio 14, 2009
nu no mundo [ ou partes infinitas ]
quero sair como num parto
tenho que partir
me partir em partes infinitas
aumentar o contato
com minhas partes mais bonitas
quero pular do barco
nadar até o fim de tudo
até o fundo
eu quero me sentir pequeno no mundo.
eu quero me sentir nu no mundo.
longe onde eu possa ver
tanto quanto eu puder
e de onde estiver
enviar postais avisando que eu to muito bem
e sair nos jornais sorrindo como ninguém
só eu e a montanha mais alta do mundo
em cima do maior elefante africano
eu e o mar mais profundo
eu, como um qualquer ser humano
eu quero me sentir pequeno no mundo
eu quero me sentir nu no mundo.
deixar o universo me engolir
me dispersar, me despir
me despertar, me desiludir
me despistar,
me despedir.
( Carolina diz: meio frustrado né o texto... assim, condiz com o que você tá passando... tá bom. que que tu ainda quer falar nele?
Lucas diz: é que eu nao deixei bem claro o porquê q eu quero me sentir pequeno tipo.. o q é ruim de se sentir grande. mas acho q se fosse botar mais isso ia ficar triste demais de novo né
Carolina diz: não, eu entendi mais desse jeito... tipo, as mudanças e novas responsabilidades de você "ser grande" e tal?
Lucas diz: num era bem isso, mas tbm nunca ngm vai entender o q eu REALMENTE quero dizer né! vo deixar subentendido entao... mas o q eu tava falando de se sentir grande é de ficar no meu quarto, com minhas tristezas, meu amor, minhas alegrias..tudo q é só meu e só me cabe dentro... tipo parece q eu fico rodeado de coisinhas minhas e eu sou maior que tudo isso e se eu estivesse no meio do mundo, do lado da montanha mais alta do mundo, eu ia me sentir pequeno e tudo q eu sinto ia ser menor ainda e eu ia me sentir bem
Carolina diz: égua ISSO É MUITO BONITO fala ISSO no texto! )
domingo, maio 03, 2009
atriz atroz [ ou escura loba]
você é
pequena e fria e magra
fria e magra e crua
você é cruel
você não é uma sonhadora
uma sonhadora nao acaba assim
com os sonhos de outra pessoa...
atriz atroz
você atrasou minha vida
essa cena que você faz
tá longe demais
da realidade
você já passou da idade,
atriz atroz
de fazer esse tipo de atrocidade
e fingir que é por ingenuidade
você tá longe demais, longe demais
da realidade
eu não quero te ver nunca mais
eu nao quero te ver nunca mais
é triste demais te ver assim, atriz atroz
doida varrida, loba louca, perdida
no seu livro, no seu papel pequeno
uivando em alguma montanha, escondida
fumando sua maconha, fugida
fugindo da vida
da real
mas eu, eu nao te desejo nenhum mal
eu não insisto
eu existo naturalmente
eu nao finjo nada, não restrinjo nada
se é assim que você quer
quer se fazer de indestrutível
eu me abaixo ao teu nível
eu nao te odeio
mas também não quero te ver nunca mais
também não quero te ver nunca mais.
atriz atroz
de vez em quando
em mim
sua voz ainda ecoa
mas eu vou te deixar pra trás
pra trás! atriz atroz!
você não é uma sonhadora!
uma sonhadora nao acaba assim
com os sonhos de outra pessoa...
quarta-feira, abril 15, 2009
tudo, menos Clara...[ ou meu mundo das minhas idéias]
e estar tão futura, tão adulta, assistindo vidas nascerem e acontecerem.
Tinha o fato de eu continuar ancorado
num tempo que não era confortável como o passado, que definitivamente não era um presente
e não se movia.
Tinha o fato de eu ser um dramaturgo dramático cheio de pensamentos bombando e um corpo fraquíssimo, pele e osso praticamente, me segurando. Isso e outro bilhão de razões que eu certamente ainda vou inventar. Foi isso, e logicamente a carência mais infantil, que fez com que eu, artesanalmente, elaborasse uma trama
e trançasse quase uma vida inteira, uma bomba emocional caseira, pra jogar e explodir tudo em cima dela.
Ela, que andava tranquila e cheia de si e falava alto e pausadamente e que, comparada a mim, parecia já ter vivido o triplo, psicologicamente. Ela, que não parecia precisar de nada de novo, ela que se encontrava num solitário equilíbrio sólido e principalmente não fazia a mínima idéia de mim e não pediu nada, não pediu nada.
Eu, já tinha definido e justificado e encaixado a vida dela dentro da minha,
tinha no (meu) mundo das (minhas) idéias esse amor filosófico que eu achava que esclareceria tudo
e me libertaria de mim. Gerei, criei, eduquei, deixei crescer.
Até o ponto que não cabia mais em mim. Risquei o fósforo, com muita dificuldade,
minha mão tremia de medo de tanta realidade, acendi a bomba do meu peito e agora,
concentrado, seguro, segurei firme e joguei com uma força que não era minha,
lancei-me no meio da direção dela.
Por um momento tudo mudo, mudou , ficou mais quente e uma luz imensa quase me cegou,
uma possibilidade vermelha e violenta , mas mansa. Uma possibilidade de colisão inelástica, de amor, de dança.
Mas após o estrondo e o clarão, naquele momento, minha vida parecia, de novo, qualquer coisa, tudo... menos clara.
Já estava eu falando sem pensar, tropeçando nas palavras, em mim e ela assim:
como quem acaba de sobreviver a uma explosão (como não podia ser diferente),
me olhava e me engolia de uma forma completamente indiferente,
totalmente estranha a mim e a tudo que eu dizia e não dizia (como não podia ser diferente).
Aí eu fraco, explodido, em pedaços, completamente absurdo, vi que eu estava longe demais do chão,
e nossa! que cena ridícula! eu, me vendo sem base nenhuma, me balançando desesperado
procurando um lugar pra pousar os pés...
foi então que eu compreendi (quase) tudo...
abri os braços, fechei os olhos...
estou agora só , só,curtindo a queda,
tudo que sobe desce e eu to respeitando as leis da física clássica...
eu vou esperar o baque súbito que vai, finalmente, me acordar pro que é real... talvez tenha que engessar minhas idéias, mas vai sarar, vai voltar pro lugar... é só não pensar, por um tempo. Não pensar mais, não pensar...
(Você vai ter toda essa felicidade radical que você tanto merece na vida,
eu vou me encontrar e me controlar e ela talvez, algum dia, chegue a me entender, sem me julgar.)
segunda-feira, abril 13, 2009
pra poucos [ ou interior na mão ]
é loucura, completa falta de senso social
é quase sadomasoquismo, autoflagelação,
falar a verdade, abrir a realidade integral, assim
sem ter o cuidado de o fazer aos poucos
a sinceridade não cabe no buraco da relação
assusta, afugenta, você não aguenta
aguentar a verdade é pra poucos...
desculpa, me jogar assim na sua direção
com um corte cirúrgico aberto
com todo meu interior na mão
eu sei que é muita falta de noção
eu tenho plena consciência disso
mas do meu sonho mais antigo
no centro de tudo que eu faço
da parte mais quente de tudo que eu digo
nasce, sem eu saber a origem,
com força e peso
minha obsceção pelo primordialmente natural
pelo que é e é somente, pra mim
de fato
e se eu não expulso ali mesmo
se eu não cuspo
se eu deixo preso em mim
perco o sono, a fome e a paz...
olha aqui, escuta
exorcisa esse amor meu
opera esse tumor sentimental
segura esse bebê que nasceu
meus pensamentos são todo meu mal.
sexta-feira, abril 03, 2009
imaterial [ ou existência ]
já tenho cinco diálogos complexos completos
já tenho mãos, nucas e pernas
já tenho músicas e códigos secretos
já tenho filhos
já tem o nosso amor eterno e ele já é
já existe...
é só a falta de acontecer
é só esse inconfortável vazio
que persiste...
terça-feira, março 24, 2009
você? [ ou se achar que quer, desiste.]
e acho que se fosse pra, ali no meio de tudo, chorar e mandar o mundo tomar no cu
você ergueria a cabeça e a coluna e mandaria, com o queixo arranhando o céu
você diz não e diz sim
se achar que quer, desiste, muda de lugar.
você quer mesmo é achar na arte a justificativa original pra se existir
e tem bem definido o que é e não é importante
e sabe imitar _ carinha, nojinho, carinha, sabe?
quando alguém é metido e mesquinho, sabe?
fica ali no canto com seus amigos e seu cigarrinho
você tem coragem de andar e escolher seu próprio caminho
e dá gargalhadas fechando os olhos se inclinando pra cima
você busca a vida do jeito que ela se mostra, do jeito que você a interpreta
você gosta de jazz, aquela cantora antiga , aquela preta...
você é roxo, verde, amarelo
você impõe a voz
Livo dos prazeres, página 31
você não tem escrúpulos nem receio nenhum
você é dos porres, da noite, da tequila
você escreve poesias, você se depila
pra quem quiser ver
taí
você é sempre você
mas
quem é você?
na verdade era isso,
isso que eu queria saber.
sexta-feira, março 13, 2009
transição [ ou sinergia ]
eu até esperava também uma pequena compreensão
mas dispenso
quero muito mesmo é pegar nessa paisagem
quero desbravar o meu selvagem
quero saber o que acontece em seguida
quero pular da janela da imaginação
quero saber quanto cabe na minha mão
quero tentar
quero transar com a vida
ter filhos em todo lugar
quero pisar no mundo
e me sentir cada vez mais fundo
quero minha vida em sinergia comigo
eu até precisava também de algum tipo de proteção
mas dispenso.
Vou seguindo...
(eu tenho que)
sinergia
si.ner.gi.asf (gr synérgeia)
1 Simultaneidade de forças concorrentes.
2 Ação simultânea de diversos órgãos ou músculos, na realização de uma função.
3 Sociol Cooperação entre grupos ou pessoas que contribuem, inconscientemente, para constituição ou manutenção de determinada ordem ecológica, em defesa dos interesses individuais.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
eu não vou ficar [ ou a vida é rara ]
eu não vou sentar aqui
não to com cabeça pra passar por essa fase
se eu pudesse eu só passava por você
sem trocar um olhar sem dizer uma frase...
não que eu não te ame
mas para que eu não me atrase
na vida
absolutamente eu não tenho tempo pra mostrar pra você
mostrar quem eu sou e não
provar que eu estou certo
e ainda mais
que por mais que eu não esteja
eu não posso mudar de ideia sem antes me rachar a cara
você mesmo tá cansado de cantar que a vida é rara
eu não posso me dar assim de bandeja
eu sou uma pessoa
tem uma pessoa aqui
eu me construí
eu não sou gigante, nem perto
mas não acho que eu tenha que esperar ser um pra existir...
eu posso ser, ser o que for
mas um direito é inalienável
no meu quadro, sou eu quem decido a cor
no meu aquarelável interior
do meu corpo, sou eu quem retiro a dor
e eu to doido, sagaz pra sair pintando
doido pra sair
viver cantando e morrer de rir...
Então eu não vou sentar aí
vou subir no meu cavalo
desafiar independência ou morte
tomar meu norte
e existir.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
controlador [ ou impulso novo]
se eu vacilar...
chega devagar
com força e vontade de matar...
mas só se eu deixar
só se eu parar por um instante
e fizer aquela cara e quase chorar...
se eu me entregar, chega
e chega pra ficar, bagagem pesada.
não! aaaaaarrrrrrrrr
dessa vez não, NÃO!
agora reciclagem pesada
tudo vai se equilibrar
quero suar
quero a cara vermelha de sangue
quero chutar tudo
tudo que me atrapalhar
só eu sei do tempo que eu marquei
da estrutura que eu formei
é com ela que eu vou
vir à tona
nessa maratona que eu tô
oxigênio reciclado no meu corpo
impulso novo,
que venha tudo de novo
agora eu vim pra eu chegar lá.
(apontei a camera pra mim mesmo
e sorri totalitariamente
eu não sei porque eu ainda faço isso
sinceramente)
quarta-feira, janeiro 21, 2009
parque da cidade [ ou a felicidade é um momento]
estou feliz porque não tenho margens
estou feliz por sentar no coração da minha cidade
e sentir apenas o peso do céu em cima de nós e nada mais
nada mais me faria mais feliz
estou observando tudo, estou em contato direto com minha raiz
eu to amando quem estiver na minha frente
eu to permitindo eu to abrindo eu to fácil
eu to feliz eu to transparente eu to simples
nada mais me faria mais bem
eu e meus irmaos minhas partes separadas
junto com a arte de não pensar em nada
eu to filosofia eu to de boa eu to atoa
eu to longe mas eu to forte eu to onde eu quero estar
eu to fora da lei eu to fora da lista
eu to fora, meu rei! eu to fora da pista
...
eu achei que eu ia explodir uma fera
porque nada saiu do jeito que eu quis
ao contrário do que o mundo inteiro espera
eu estou inteiro eu to sereno eu to feliz.




