domingo, fevereiro 24, 2008

um dia [ou luz azul]

um dia
a luz ainda vai refletir
nas cores das ruas que não corri
nas cores dos braços que não senti
nas cores das noites que não dormi
nas cores dos dias que nao vivi

e o vento vai jogar no meu rosto
a mensagem que eu não recebi
aos meus ouvidos
o sussurro que não ouvi
dos encontros marcados
que eu nao sonhei
com as risadas engasgadas
que não sorri

eu mal posso esperar
pelo dia que eu não vivi

o tempo, o espaço, a gente
é como se fosse uma serpente
o chocalho, o veneno, o dente
mas eu não posso ficar aqui
esperando o veneno subir
enquanto o tempo balança
enquanto a gente dança
no ritmo de coexistir

eu vou correr atrás
dos dias que eu não vivi.

terça-feira, janeiro 29, 2008

minha viagem de carro [ou autodescobrimento]

quem sabe quando eu puder puxar minhas próprias cordas
e abrir as cortinas
quem sabe aí, eu não passo a fazer o que eu já to cansado
de falar pelas esquinas
quem sabe eu não descubro o que é dignidade
quem sabe eu não aprendo o que é falsidade
quem sabe eu passo a noite com você e acordo bem tarde
quem sabe eu planto um jardim
quem sabe eu me devoto pra algum santo
quem sabe eu te dou a chance de me amar também...

quem sabe quando eu puder tocar minhas próprias cordas
e abrir minhas meninas
quem sabe aí, eu não possa dizer tudo que eu tenho pensado
em forma de rimas
quem sabe eu não descubro o que é velocidade
quem sabe eu não aprendo o que é realidade
quem sabe eu passo a bola e deixo parecer que sou covarde
quem sabe eu planto alguma coisa em mim
quem sabe eu volto e me interno em algum canto
quem sabe eu te dou a chance de cuidar de mim também...

quem sabe quando, ou onde, ou como
quem sabe preto, colorido ou monocromo
quem sabe melhor do caminho que tomo
sou eu.

domingo, novembro 25, 2007

perdi o jogo [ou outra vez]

uma vez
você era de são paulo
e depois eu aprendi que grande merda era isso
outra vez
você era dos palcos
eu me iludi com sua atuação de caráter maciço
outra vez
você veio aos saltos
e eu cai no seu buraco psicológico, me afundei nisso
outra vez
você fez um assalto
eu levantei os braços e me rendi ao descompromisso
outra vez
você era do planalto
eu me senti em casa e pensei não haver nenhum risco
outra vez
você veio cheirando talco
e eu que nem criança, de guarda-chuva no chuvisco

fiz tempestade em copo d'água, risquei a faixa única do meu disco,
apertei todos os botões, me passei, perdi o jogo,
me senti pequeno no meu corpo, me joguei sem nenhum asterisco

outra vez
outra vez

sábado, novembro 24, 2007

hipocrisia [ ou realidade e auto-conhecimento]


se eu falei sobre dignidade em algum momento
eu me corrompi,
se falei sobre realidade e auto-conhecimento
eu menti,
se eu deixei de falar integralmente sobre meu pensamento
é porque eu sei

que você está lendo nesse exato momento.

todas as minhas acusações incriminaram a mim
e eu perdi,
todas as minhas pressões se voltaram pra mim
e eu cedi,
todos os meus canhões apontavam pra mim
e eu morri.







quinta-feira, novembro 22, 2007

tomando o mesmo café [ou qualquer lugar de 'u' tônico]

são milhões de idiotas
tomando o mesmo café
centenas de pobres coitados
engolindo sua fé
todos os dias sorrindo
e atirando no próprio pé

eu não concordo em abrir a janela pra respirar um ar
que não me faz bem
eu não vou saudar um novo dia que se aconchega
por cima da doença de alguém
não é só dizer que vai ficar bem, eu sei que isso tudo vai bem mais além,
bem mais além
eu te juro que vai dar certo, me trancar aqui no meu canto e respirar,
com ar ou sem...

vou te mandar pra qualquer lugar
de 'u' tônico
você,
seus amigos,
suas roupas,
sua família
sua santa
ignorância
me dá ância
me dá ância
de vômito

quarta-feira, novembro 21, 2007

Bela e livre [ou cruzando fronteiras]

(Ela brotou
no meio da sala
germinou
como uma bala
viajou
comigo na minha mala )

daí então
eu era ela..
fingindo que nao acreditava, fingindo ser realista
era seu irmão
aquele que cantava e que prometia ser um grande idealista
era a emoção
de sonhar em guiar nosso carro e fugir pra longe da pista
era a razão
da fagulha psicológica, dos hippies,dos líderes humanitaristas
era a intenção

de transformar, virar cinzas, renascer e colecionar conquistas
mapas mentais, viagens astrais, formas reais
corpos transcendentais, perto demais, (perto demais
do sonho que demanda nosso cérebro integral
e que faz de nós abstratos e raros como tal)
taras iguais, filhos marginais, previsíveis jamais
(que nossos corpos caiam, mas os sonhos sejam imortais)

e você
por onde quer que ande
que seja grande,
forte e persistente
que tenha sangue
e sorte suficiente
você é universal

sexta-feira, novembro 16, 2007

eu recuso o seu convite. [ ou nao para por aqui...]

seria hipocrisia,
qualquer coisa
menos consciência
seria só a anestesia
pra forma dolorosa,
seguir essa tendência.

e quando se admite
que tudo isso é normal
(tudo isso é superficialidade)
eu não vou abrir minha janela
pra respirar um ar
que só me faz mal

( eu to falando de dignidade )
eu não vou abrir mão do meu jeito
de pensar e tentar
parecer espirutal
eu sei sobre todo o mau

eu vou me fechar na
minha gaveta, onde
minhas ações coincidem
com meu ideal

e a realidade, querendo ou não,
vai te sufocar
na sua vida habitual
você vai precisar de uma caridade

eu não preciso que você acredite
eu recuso o seu convite.



( lembrando que eu já sou o perfeito hipócrita,
continuo sendo uma criança, ignorante e fruto de uma árvore torta.
mas eu me atrevo a me questionar!)

domingo, novembro 04, 2007

o porque da maísa ter corrido [ ou a concha mais bem escondida e preciosa]

Maísa..faziam algumas semanas que ela pensava sobre a vida...na verdade faziam uns 17 anos..
ou seja lá com que idade ela começou a pensar...
as horas que, racionalmente, deveriam ser todas dedicadas aos estudos e às preocupações com o futuro, estavam sendo perdidas...
como se à noite ela tirasse de propósito o peso de papel das folhas de exercícios
e abrisse a janela deixando tudo voar, de olho fechado..
qualquer tipo de raciocinio lógico estava voando bem longe da cabeça de Maísa nessas ultimas semanas...
e o vento era forte e persistente. Não era como ela estava acostumada e como ela estava acostumada ela insistia em fechar os olhos e tentar nao pensar em nada,
ou resolver as tarefas de exatas
ou assistir alguma serie na televisão que a fizesse esquecer da própria vida...
as últimas semanas pareciam estar mais densas,
o ar que Maísa respirava parecia conter algum tipo de droga depressiva e viciante
e qualquer coisa que ela soltasse pra fora do corpo era inodoro, insípido e inerte.
o que estava instigando-a nessas semanas era que realmente não havia nada para a instigar, eu quero dizer, ela tinha certeza de tudo que iria fazer nas proximas últimas semanas
e parecia que começava a ter certeza do sentimento que teria todo fim de tarde se misturando com a noite... não havia nada.
ela não sabia distinguir a segunda da quarta ou a terça do sábado passado,
ela olhava pras paginas do seu caderno do dia anterior e não conseguia se lembrar de ter escrito nada daquilo, ou então tentava lembrar o que estava pensando ou quem estava perto dela...
provavelmente ela nao estava pensado absolutamente nada, provavelmente não tinha absolutamente ninguém...
e ela tava tão cansada..era isso que deixava ela tão indignada..
ela estava extremamente cansada..de nada...as grandes aspirações dela pareciam que nao iam levá-la a lugar nenhum, os 'grandes amigos' dela não sabiam o que ela estava sentindo e não estavam com ela nesses finais de tarde, e a parede do quarto dela parecia ser um buraco negro à noite, e as provas que ela fazia não significavam mais nada mesmo parecendo que sua vida girava em torno daquilo nessas semanas,ela odiava o barulho do seu despertador,ela tinha pena das pessoas que esperavam onibus com ela pela manhã, ela não aguentava mais a comida do restaurante em que almoçava, ela não se sentia em casa quando voltava pra casa, ela não suportava mais não se suportar...
e isso foi uma das razões dela não ter atendido às sete ligações do seu pai,
e ter dançado de olho fechado no meio de todo mundo até o chão
e de ontem a noite ela ter bebido demais e ter beijado um cara (um garoto) que não tinha nada a ver com ela e que nunca teria aberto uma concha atrás de uma pérola ...
essa foi uma das razões dela ter saído correndo e ido embora sem dizer tchau.

terça-feira, outubro 16, 2007

planossos [ou nem triste nem nada nao]

Foi decidito
pela sua felicidaderretida
que seria assingular
que a gente ia ficar.
Foi decididoloroso
telepatéticamente
e vai ser desse jeitonto
que a gente vai ficar.
Você dissem saber
que nada ia acontecerá(?)
que era tudo fogo de palhaçada
e eu escuteimando por dentro
a gente fala cada coisaqui
lá na frente a gente vai rironizar
tanto dissolucionado
e vou ficar na esperaquidentro
até o dia que vai chegará
eu fico aqui no meu cantando
falando baixinhorando
pra você não pensarcasticamente
que eu to querendo voltar com tudor
mas eu não paro de acreditarmar
todos os planossos
ainda vao acontecerá...(?)

"fiquei feliz agora de tarde
...sei la..tava pensando...
a vida é boa..e a gente é o que é...
pronto...simplesmente e felizmente...
eu nao to mais triste nem nada nao"

terça-feira, outubro 09, 2007

volta pro seu porto [ou é aqui que eu vou estar]

cheio de restrições a gente se joga
pra não cair em lugar nenhum
com as condições que a gente joga
a gente não ganha prêmio nenhum
você quer continuar sendo casual?
você ainda aguenta essa amizade banal?
porque esse sentimento impessoal,
essa proximidade condicional,
esse universo unidimensional,
têm me feito tão mal, tão mal!

cheio de omissões você se fecha
pra não deixar cair em lugar nenhum
suas preocupações, nenhuma brecha
corpo fechado, não deixa passar de um
você quer deixar tudo igual?
você ainda aguenta se segurar, sentimental?
porque esse momento em especial,
esse lugar insubstancial,
esse segredo-de-estado fatal,
têm te feito tão mal, tão mal!

(eu sei)
o que faz você
dizer que não era nada
erguer uma muralha da china
e bloquear a estrada
se equilibrar na linha mais fina
vem dizer que não é nada
mentira da porra!
(você sabe!)
você que sabe...
se você quer se acabar sozinho
se acha melhor gritar baixinho,
você é dono do tempo e espaço
quanto mais da situação,
você pode ser mais um idiota de aço

entope todas suas veias então
e explode quando precisar
(em cima de mim)
que é aqui que eu vou estar
e eu vou dar um sorriso de compreensão
porque eu entendo a obrigação
de não poder dar o braço a torcer
e dizer que precisa de uma direção
(dizer que precisa de um irmão)

agora eu já disse o que eu nunca vou te dizer
e se você visse
eu sei que você não ia reconhecer
(você não ia me reconhecer)
então fica assim...

a gente nunca mais se joga

aqui você só se afoga
ou deixa boiar o seu corpo...
eu te entendo
eu só te quero bem
volta pro seu porto
eu me rendo
eu não quero induzir ninguém
lá você é quem sabe
você sabe...

volta pro seu porto,
dança no ritmo da maré
volta pro seu corpo,
eu espero com toda fé
que você ainda se encontre
sem pedir socorro
eu te entendo
e se precisar de mim
eu estou de pé(no chão)

terça-feira, setembro 11, 2007

daonde veio essa bomba nuclear [ou eu estou prestes a...não fazer nada]

se amanha você acordar e o mundo não tiver mais
do jeito que você gostava
se não tiver gelo na sua coca e almofada
na poltrona reclinada
se tiver faltando um pedaço da sua casa
alguma coisa que você nao usava
se você sentir falta da pedra no seu calcanhar
se precisar da pedra pra te coçar
se o seu lar qualquer dia, por a caso, desabar
e você vir que alguém quebrou seu muro
e mudou sua planta de lugar
eu espero que você saiba(você deveria saber)
daonde veio essa bomba nuclear
só não vem me chamar de louco sem antes fazer uma consulta
eu só quero que você saiba que eu não estou indo por sua culpa
mas quero que você saiba que eu estou me privando por sua causa
que eu estou me fechando por(e pra) você
eu sou uma antena parabólica
eu sou uma bomba simbólica
eu capto e transmito os seus sinais
eu reajo e explodo com seus canais
e jorro as cores das suas falas
e emito os sons das suas falhas
e eu não quero mais ficar preso nessa caixa
eu não aguento mais
o mundo não é do jeito que você acha
eu não consigo mais
por que eu tô nesse telhado há tanto tempo
que só consigo captar os seus sinais...
e esse filmes repetidos... eu não aguento mais
esses gritos e latidos..eu não aguento mais
essa merda entalada...eu não aguento mais
ficar num mundo paralelo pra ter chance de seguir
o que eu espero é ter a chance de seguir...
que eu to nesse telhado há tanto tempo...
eu só queria quebrar alguma coisa antes de sair
eu tava concentrado numa vista imaginária

eu só estava um pouco acima do meu tom, até cair
eu tava amarrado numa estação ferroviária
e eu estou prestes a...não fazer nada
eu estou prestes a... não fazer nada
eu vou só deitar e dormir,sonhar
com como seria bom
quebrar tudo antes de sair
e dizer tudo que você devia ouvir
eu não abriria mais a boca só pra engolir
eu ia pisar na sua sala e cuspir
mas façam suas apostas
hoje você não verá
nada mais do que as minhas costas
eu tô cansado de ser o seu depósito
de reclamações sem propósito
de ser o seu cano de descarga
pra despejar a fumaça mais amarga
escutar tudo e ir dormir
e sonhar com como seria bom
quebrar tudo antes de sair...

terça-feira, setembro 04, 2007

loucura [ou rebeldia banal]

eu não te falei sobre a loucura
nem mencionei o quão escura
pode ficar essa alminha pura...
eu tava querendo mudar a órbita
tentando abrir mais portas
eu queria girar o meu foco
queria rodar, só um pouco
que essa vidinha normal
essa comida sem sal
essa rebeldia banal
esse mesmo canal
desliga por favor, eu já sei o final...
deixa eu lavar minha alma
deixa eu jorrar com calma
por mais estranho que eu pareça, as vezes
não importa o que aconteça, ou o que eu peça
pra que nem eu nem você esqueça, me abraça
fica comigo, até a gente virar fumaça...

sábado, agosto 25, 2007

nada que não tivesse tudo a ver com você [ ou os balões no céu ]

sabe aqueles momentos em que tudo parece ser meio mágico?
apesar da minha profundidade eu não queria falar sobre nada trágico...
mas meu amor é um pouco dos dois, eu acho...

dormindo e sonhando
sentindo e andando
pedindo e acordando
exigindo e pensando
você não faz idéia...
você faz idéia de como isso é inadimissível?
você sabe o tanto que isso deveria ser impossível
mas tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo
em tempos completamente diferentes
e é isso que faz com que eu acorde incrível
é isso que faz com que eu me sinta terrível
e se algum dia eu pedi por algum problema bem grave, eu retiro o que eu disse
isso não podia acontecer por você porque consequentemente teria proporções bem maiores... você sabe como eu consigo ficar universo-paralelamente encravado em um sentimento
e vêm me dizer que é tudo questão de tempo, tudo questão de tempo...
e se algum dia eu chamei por alguma astronave, agora eu sei que não foi idiotice
isso só podia acontecer com você porque subconscientemente as emoções são bem maiores...
porque, se não fosse essa barragem,
pra onde correriam nossas águas
e pra onde eu teria (prometido) marcado minha viagem?

porque o tempo e o espaço atrapalham nosso vôo,
quer dizer que a gente vai ter que pousar e parar por aqui?
a gente é obrigado a desviar nossa mira e girar nosso foco
nesse momento, eu não posso permanecer no lugar em que eu me coloco
eu não vou saber se é você e você não vai nem fazer idéia
porque nosso futuro não se baseia no lado de fora da colméia
e o mel que me oferecem é pouco
o doce que elas me dão é fraco
e até eu sair, até eu agir
você não vai saber
eu não vou saber
o tanto que isso tudo é muito pouco...

sinais desperdiçados dia-a-dia
finais despedaçados à luz do dia
eu atuo um personagem que me faz parecer menos triste e mais cheio de si
_eu adoro e odeio rir de ti
eu fico pensando que não faz sentido, que eu não quero mais, só pode ser com você
_peraih, tu tah reclamando de viver???!!!

deixa o diabo aqui do meu lado falar também,cansa as vezes viver de fé
_eu sou a anjinha então neh?
eu acho que naquele dia eu teria sufocado se não tivesse escutado
_eu to tão feliz de ter te encontraaado!

os balões no céu me lembraram você
o pedaço de papel me lembrou você
as pessoas na rua, eu queria que fossem você
minha cabeça na sua, eu pedia que pudesse ser
eu tava tranquilo e calmo, desesperadamente clichê
eu não pestrava atenção, não conseguia ver
nada que não tivesse tudo a ver com você

domingo, agosto 19, 2007

exatamente do jeito [ou qualquer tipo de olhar]

acho que agora eu te acertei
acho que agora eu te tratei
exatamente do jeito que você queria
finalmente eu te entendi
sem mais "me arrependi"(por)
exagerar de um jeito que nem eu merecia
agora eu não gasto mais meus minutos em te observar
nem queimo meus neurônios mais tentando solucionar
suas explosões psicológicamente neuróticas e sem ar



não vai ser qualquer tipo de olhar
que vai fazer eu me precipitar
eu aprendi a me segurar
das quedas mais altas que eu conseguia pular
eu aprendi a freiar
nas ruas em dia de chuva, parar
e só me jogar
quando tiver certeza que estou duro como uma pedra
e não vai ter perigo de o vento me levar..

terça-feira, julho 17, 2007

eu quero um amor de casca de árvore [ ou eu quero qualquer coisa]

as vezes eu quero ter um problema bem grave
as vezes eu saio correndo e me chuto na trave
eu queria poder vigiar o mundo de uma astronave
eu queria poder viajar o mundo sendo ave
eu quero um amor de casca de árvore...
(eu sou ridículo)
eu quero um amor de casca de árvore...

as vezes eu me convenço de que eu sou um ET
as vezes eu nem penso e outras eu sou só saber
eu queria ter facilidade pra chorar que nem você
eu queria conseguir me emocionar vendo TV
eu quero um sucesso de karaokê
(eu sou ridículo)
eu quero um sucesso de karaokê

as vezes eu acho que eu sou dono do universo
as vezes eu boto uma máscara e fico submerso
eu queria um colete salva-vidas em forma de verso
eu queria conseguir fugir enquanto eu te disperso
eu quero um futuro de sucesso
(eu sou ridículo)
eu quero um futuro de sucesso

eu rodo e pulo ao mesmo tempo pra me desmelancolizar
mas o problema é que eu nao sei esquecer, eu não sei jogar
meu esquema é regularmente perder e ver meu peito estourar
pra ver se eu aprendo alguma coisa até meu tempo acabar
eu quero ser fácil que nem par-ou-impar
(eu sou ridículo)
eu quero ser fácil que nem par-ou-impar

porque as vezes eu acho que tudo isso é muito pequeno
porque as vezes pensar só funciona como um veneno
e eu queria respirar fundo em um clima mais ameno
e eu queria ser um violão na mão de um caribeño
eu quero um angulo sem seno/cosseno
(eu sou ridículo)
eu quero um angulo sem seno/cosseno

eu quero qualquer frase pra me tirar daqui
qualquer melodia que me tire daqui
qualquer personagem que me tire daqui

qualquer coisa...