sexta-feira, abril 25, 2008

sentimento paisagem [ ou me abraçar]

eu vou caminhar, ja já eu volto...
vou devagar,
fingir que não tenho pressa
vou esquentar um pouco no sol
ver se reanimo meu corpo
porque pra que essa semente cresça
tem que ter luz ao redor
eu vou parar aqui um pouco
encostar minha cabeça
tirar um cochilo
uns dez minutos só
me abraçar com meu corpo
esvaziar minha cabeça
tirar tudo aquilo
que me fez tão só...

queria ser tipo gaivota
na beirada do mar
em uma ilhota perdida
que eu chamaria de particular
o mar ia me amar
e o vento me temperar
e estaria tudo tranquilo
assim que eu começasse a voar

fugindo da inércia [ ou nada é como é teoricamente ]

pra esquecer que ainda to longe
de conseguir o que eu realmente quero
pra relevar essa falta de inspiração
e me manter nessa constante rotação
pra conseguir reter o que me foge
tão rápido e me multiplica por zero
pra solucionar racionamelte cada questão
que brota na minha cabeça a cada respiração

eu preciso ver que nada é como é teoricamente
o olho nunca enxerga tudo, ele engana a mente
ainda mais quando o escuro é tão recente
com certeza absoluta e principalmente

pra conseguir, enfim, ter um dia de paz
e esquecer da sujeira em baixo do tapete
pra acreditar cegamente na emoção
e achar que ela é, de verdade, a solução
pra ter a audácia de dizer _jamais!
mesme sabendo que tudo se repete
pra se deixar cegar pela enganação
e se permitir usar palavras como "libertação"

é preciso que se entenda microscopicamente
feche os olhos, tape os ouvidos, mantenha a mente
é preciso que se entenda tudo que se sente
abras as janelas, pise fundo, siga em frente...

sábado, abril 19, 2008

abstração nas quatro rodas [ou o seu efeito sobre mim]

Nos dias que a vista está chapada
como uma fotografia
e eu faço uma lista inacabada
de tudo que me desafia
eu tenho que fechar os olhos e a estrada
e rever tudo que (pensava que) sabia

eu então forço a visão molhada
caçando no horizonte alguma alforria

todo mundo é calculado
tudo está especialmente parado
agora
e o que eu ganho da atmosfera
é o que me mantém em movimento
e me dilascera
é o que dá energia ao meu pensamento
e à construção dessa esfera
na qual eu me coloco dentro...
aos poucos as alternativas diminuem
nesses dias

nesses dias que eu não sei mais o que você
significa
nesses dias que o resto do mundo protagoniza
meu filme
nesses dias que eu ando com abstração
nas quatro rodas
e tento agarrar tudo que passa por mim
mas eu vou rápido demais, tudo se complica
nesses dias em que tudo não significa nada
e nada fica...

eu te materializo do meu lado
e deito sobre você
o meu corpo cansado
e você toca as cordas do meu espírito
agora rodeado
de tudo que me é mais propício
e dentro da sua música eu gravito
eu me sinto mais bonito
e abençoado
movido pelo sentimento que expande o que se contrai
focado na ponta de loucura que sobressai
certo de que assim o bom bem mais vem do que vai
o entusiasmo* intimidado agora bate a porta e sai
tem mais força agora
fluindo de dentro pra fora
tem mais voz agora,
minha alma

são nesses momentos de rara claridade
no final desses dias
que o sol se abaixa reverenciando a verdade
que se exibe nas minhas galerias
eu encontro paz nas bordas dessa insolubilidade
eu balanço em calmaria

momentos especias de sensibilidade hiperativa e casualidade
e eu não me importo com imagem nenhuma exceto as que
ultrapassam meu campo como pombos fugitivos
eu não me deporto à ilha imaginária nenhuma, a verdade
é especialmente pavimentada por esses tombos sensitivos.
momentos casuais de hiperatividade sensível e especialidade...

especialmente agora minha visão é um microscópio
as rimas se misturam nesse caleidoscópio
são primas das cores e do ópio.
especialmente agora o mundo me parece o lugar mais próprio.






*entusiasmo
do Gr. enthousiasmós, inspiração divina
s. m.,
excitação da alma, quando admira excessivamente;
exaltação das faculdades da alma que torna sublimes os escritores,

os oradores e os artistas;
arrebatamento, paixão viva;
alegria ruidosa.

terça-feira, abril 15, 2008

você não vai entender [ou e nem é assim importante]

é dificil dizer
porque vai parecer
querer
quando na verdade
não é o que
parece querer dizer...
eu só queria aprender
sobre a vida com você
também queria viver...
eu to no mesmo estado de sempre
no estado de ter medo de perder
talvez o que nem é meu
talvez o que nem me lembre
o que está sempre longe
mas insiste em de vez em quando aparecer
junto e me parece bem mais
fácil o simples acontecer
eu preciso de você pra me refazer

me deu vontade de um ombro pra eu poder
me libertar disso tudo, pra eu me esquecer
deu vontade de encontrar você
falar sobre minhas aspirações
falar sobre aqueles amigos antigos
daquela outra época que na verdade
todos eram amigos
me ensina a aprender também
me mostra alguma coisa
se mostra!
abre a porta
me conta qualquer coisa
sobre você
aprende a aprender também
se liberta
dos outros
se liberta
de você
se permita
encostar a cabeça no meu ombro
pra eu te falar que vai dar certo
isso é tudo que eu quero
eu só quero isso
e é por isso que espero
sem nenhum compromisso
sua cabeça no meu ombro
sem nenhuma intenção
sem nenhum plano
sem interrogação
sem engano
é só isso que eu quero...
aprender sobre a vida também
com você
e viver...

e eu gosto de você porque você me lembra
da minha cabeça de quando eu tinha nove anos
você me lembra que eu sou normal
ou pelo menos posso ser...
eu começo a me liquefazer
ridículo eu lírico dentro do meu ser
e desisto do que eu já estava prestes a dizer
eu já to pouco me fudendo
se você vai ou não entender
eu sei como vai ser...
deixa pra lá, melhor esquecer...
é que um grito anormal de gol
me trouxe de volta
pra essa tarde de domingo mongol




( "é melhor mesmo continuar escrevendo
essas frases curtas, que assim amontoadas,
dão um ar de coisa, coisa pensada,
e nem é, sabe? nem é importante..."
Fernanda Young )

segunda-feira, abril 14, 2008

mal acabado [ou rascunho.]

me falta sentir utilidade em ser um ser humano
me falta alcançar o que ainda estou procurando
me falta me sentir extramamente bem
me falta reconhecer quando tenho chance
me falta acreditar em dizer amém
me falta um sinal que diga: avance
me falta consistência
me falta consciência
me falta constancia
me falta abrir a boca pra falar que te amo
me falta não te soltar pra provar que amo
me falta o se encontrar em alguém
em alguém que esteja a meu alcance
me falta me considerar também
alguém preparado pra uma performance...

sexta-feira, abril 11, 2008

raissa [ou sobre as águas, o destino e o tempo]

Dizem que não se pode
entrar duas vezes no mesmo rio
e basta que digam
pra que ela discorde
tirou a roupa e sem medo do frio
mergulhou:"me sigam!"
tocou um novo acorde
_agora eu sou o rio, enfim, sorrio!
não me importa agora mar
sou rio, rio! meu tempo vai chegar!
mergulhou: "me sigam!"
eu não pude ir
eu tinha medo das águas fortes
das pedras, dos possíveis cortes
vi você sumindo sem perceber
ouvi de longe você rir
experimentando seu novo meio de transporte
e me arrependi
_essa água nos lava, refresca, renova, dá suporte,
só nos resta então beber...

a vida não pode ser total brincadeira de sorte
tem de remar, tem de correr
tende à nunca se perder

viva a vida navegante
três vivas ao instante
viva a vida, navegante!
três vidas não seriam o bastante!


(que seja agora, daqui há um ano, ou algumas léguas a frente
eu te vejo mudando o curso do oceano de um jeito inteligente,
que você tenha força e harmonia, que não seja indiferente...)

segunda-feira, abril 07, 2008

sete de abril de dois mil e oito [ ou sentimentalismo idiota ]

*11:37 - 11:55hs
Parei agora debaixo das janelas do shopping
na mesa mais central da praça de alimentação
com meu caderno mofado e minha pentel falsificada
onde eu ficasse rodeado pelo maior número de pessoas e sorrisos sedentos e pratos coloridos e pessoas indiferentes...
sentei bem aqui no meio pra...me fazer de pobre coitado,
numa esperança ridícula meio disfarçada de ser notado
parei aqui pra escrever sobre minha solidão e minha saudade,
minha preguiça e minha incapacidade de concentração no que é exato,
fazer papel de vítima pra mim mesmo...
com uma criança faminta no meu estômago acreditando que dessa minha imagem monóloga com ar de intelectual, que desse meu corpo curvado sobre essa mesa sem comida possa se materializar uma nuvem de S.O.S para ser vista por alguém que iria me entender por completo e sentaria nessa cadeira ao meu lado, no lugar da minha mochila, e iria me dizer exatamente o que eu preciso fazer pra salvar o meu mês de abril...
como um mendigo sentimental, trocando olhares com desconhecidos, sentindo o dó das mães pensativas ao redor e a indiferença dos engravatados cheios de rugas e suor...e eu odeio mendigar.
repentinamente eu percebi (algo que eu já sabia desde o início) que não há tristeza nessa segunda feira nublada e eu tão pouco sou um ponto perdido no universo. uma luz!
eu consegui o que eu queria! senti pena de mim mesmo... e chutei minha melancolia, fiz piada de mim mesmo e sorri sem mecher os músculos...
levantei da cadeira como um espartano depois de uma batalha, cruzei milhares de mesas e olhares vazios , comprei um bic-mac e uma coca-cola que enganaram minha fome...
*12:50 - 13:00hs
Sempre que estou entrando ou saindo de um shopping eu tenho o receio de que as portas automáticas não notem a minha presença.
e eu tenha que olhar pra pessoa do lado com um risinho forçado enquanto crio certezas de que ela pensa que eu sou pequeno, fraco, leve demais...
não faz nenhum sentido porque eu sei que não sou nenhum dos três, mas a situação me incomoda milimetricamente...
eu odeio me importar com o que as pessoas pensam! já tentei sérias vezes me convencer de que não me importo, mas sempre acabo me flagrando perdendo meu tempo com esse tipo de merda.
é tudo questão de estado de espírito, na verdade, e hoje em especial
eu to num espírito de porco!
cada segundo é muito
e cada palavra é pouco.
*16:00 - 16:10hs
Espero que essa seja a última secreção poética do dia,
não aguento mais essas frases céticas me desidratando,
parece que hoje o silêncio é uma utopia,
eu tô numa sala de aula vazia, comendo uma barra de cereal que deixa um gosto bom de maçã na boca, não tem ninguém, eu tô sozinho porque quero, mas tem essas vozes que não param...
me apontam o que eu devia ter feito ontem, mês passado, me jogam na cara que não tenho muito tempo, tenho pouco tempo, pouco tempo pra não ter tempo de nada, pra focalizar minha vida, atirar e sair matando...o lance é atirar o máximo possível e não ser atingido por balas perdidas, não ser afetado pelo meu eco... eu tenho que esquecer de mim agora e me concentrar no mim depois...tenho que esquecer de você agora, principalmente do nós dois...
Mas que saco! de novo! esses pensamentos confusos, imprecisos, sem direção, sem consistência...
sintomas de solidão e egoísmo, evidências de indecisão e disritmia
eu espero que essa seja a última excreção poética do dia.

quinta-feira, abril 03, 2008

um passáro qualquer [ ou dependendo de que lado bate o vento]

Eu assobio junto com um passáro qualquer que voa
enquanto você acompanha a queda de mais um boing
é que eu sou meio Fernando Pessoa
e você já é tão Fernanda Young...
(e na roda dos seus amigos as risadas e os gestos são incessáveis
enquanto eu fico com meus umbigos e metas inalcansáveis)

Eu só fecho a cara e saio, antes que alguém me mande
você bate o pé, grita e pergunta por vergonha na cara
é que eu sou meio Gandhi
e você é tão Che Guevara
(e enquanto você atira com precisão nos seus alvos infalíveis
eu passo horas mirando pros meus que estão imóveis...)

Isso não é um fato declarado imutável ou constante
você pode acordar como eu, eu posso nem estar mais aqui
posso ser como tiradentes
assim como zumbi
(as lutas por libertação, mesmo que íntimas, são sempre possíveis.
Não vou me prender em nenhum orbital. E os deslocamentos são luminosamente visíveis...)

eu demoro pra me aproximar das pessoas sem nenhuma fratura
você é tão rápida e tão hábil pra mudar de posição antes que se canse
eu sou tão pintura
e você é meio trance
(mas as cores, assim como o som, são extremamente maleáveis
e os dois são fortes e significativos, profundos e inflamáveis)


não acho que eu esteja por baixo, nem você por cima
acho que nós somos bem parecidos,dependendo de que lado bate o vento
eu sou tão clima
e você é tão tempo
(e nos dias em que vivemos as coisas nunca são irreversíveis
o mundo, as pessoas e as possibilidade são cada vez mais incríveis...).

quarta-feira, abril 02, 2008

sem você no seu lugar [ ou até eu acordar ]

Eu sonhei que eu tava de novo
naquele nosso lugar
aquele banco nunca pareceu tão longo
sem você no seu lugar
eu lembrei da nossa música de verão
e comecei a cantar
aí você apareceu em cima da nossa árvore
sem as mãos pra se apoiar
eu lembrei do seu sorriso quando viu
que se pulasse eu ia te segurar
as folhas no chão, nós sobre as folhas
e sob cada janela com seu olhar

Eu sonhei que eu não precisava
voltar pra casa
eu sonhei que a minha também
era sua casa
eu sonhei que a gente arrumava
um jeito de escapar
nós mudávamos de nome e arrumávamos
um jeito de casar
a gente entrava em outros prédios
e cortava os cabelos
a gente cantava outras músicas
e pegava o primeiro ônibus
nós cruzávamos o litoral
e ultrapassávamos fronteiras
não precisava de dinheiro
não precisava de limites
não precisava justificar
nada nunca pareceu tão natural
a gente ia parar em algum qualquer lugar
que era acima de tudo normal
pra ninguém nos reparar
ninguém notar nossa alegria e
nosso êxtase sobrenatural
pra ninguém nos incomodar
pra ninguém nos perguntar
só assim nosso destino nunca
ia nos encontrar...
Não até eu acordar.

domingo, março 30, 2008

a garota no seu colo [ ou cuida bem dela ]

muito cuidado com a garota no seu colo
ela canta músicas de fim de tarde
em maginíficas performances solo.
Tenha sensibilidade e seja paciente


muito cuidado com a mulher do seu lado
ela é extremamente forte e confiante
talvez seja melhor você ficar calado
mas se falar, seja transparante
(acima de tudo)


tem que saber apreciar o silêncio
tem que saber falar sem palavras
tem que ser devagar e intenso
tem que usar sinestesia e metáforas
tem que saber a forma e o momento
tem que lapidar as pedras encontradas

observe com cautela os movimentos de seu olho

cuida bem dela
que eu a conheço muito bem
que eu gosto dela como ninguém
que com ela eu me sentia tão bem...

domingo, março 02, 2008

o som [ou o abrigo na sua mente]

o som que escorregou pelo céu da boca
molhou os lábios e saiu macio,
sem nenhuma ponta
saiu feito um pássaro que foge da gaiola
cauteloso, mas impulsivo,
antes que passasse da hora
uma voz, ainda que intensa, tímida e rouca
soou como caetano
soa numa vitrola
abriu seus cabelos e balançou sua argola
esperou um segundo,
uma hora, um ano
pra abrigar aquele ouvido, balançar
no tímpano
e quando se viu solto no ar, pronto,
sem nenhum engano
para se refugiar, amortecido, lançar:
te amo

Amarena [ ou estadia em você]

eu atravessei sua rua
na ponta dos pés
eu fiquei do outro lado da porta
e eu gritei pra você
você demorou pra abrir
eu pensei que não tivesse ninguém
eu entrei na sua casa
meio recém-nascido, engatinhando
algumas voltas pela sala
enquanto você se preparava
eu me sentia levemente incomodado
pedi licença e deitei no chão
esperei você ficar do meu lado
e apertar minha mão
as persianas entreabertas
e os espelhos davam misticidade ao lugar
e nós finalmente experimentamos
a textura da realidade, afundados no sofá
extremamente conscientes
mas meio adolescentes
a gente falou sobre futuro e liberdade
como se fossemos donos da verdade
mas nós somos de verdade
e nós temos a nossa verdade
transbordando de todos os poros
você fechou os olhos
eu prendi a respiração
nós mudamos as cores do planeta
sinos, bumbos e cornetas
nós cantamos junto
em unissono
e nossa voz ecoava e acariciava
cada cômodo
cada detalhe, agora,
cintilava pros meus olhos
gritava nos meus ouvidos
eu fui atento e decorei
suas formas e seus passos
seus tons e seus compassos
projetei no fundo da minha cabeça
cada minimidade expressa
cada olhar era uma promessa
e a sua casa , agora,
tinha os dizeres "Bem vindo,
a qualquer hora"
mas mal me fala em hora
e olha o que vem vindo...
_Por favor, não vai embora...
te beijei meio com pressa
por alguns segundos
o tempo não se foi em vão,
mas se foi, era incontestável
não tinha nenhuma razão
mas é simplismente assim
que as coisas funcionam
depois de provar seu doce
e te transformar em energia
e de concretizar a abstração
ainda embriagado com o sabor da amarena
eu digo, te amar, pequena .
era a hora
nem tudo que começa termina...
foram vinte e sete meses
andando longe de você
entrando em casas diferentes
e conhecendo gente
vinte e sete meses.
eu não tenho idade
pra ter vinte e sete meses!
e eu meio velho cansado
já não aguento esses passeios
meio coração calejado
por esses motivos alheios
eu, triste e inacabado
sem mais rodeios
rodei a maçaneta e saí
e talvez por isso nunca mais volte,
mas tenho na cabeça
eternizado agora
as cores dos dias em que eu te vi
mas tenho na gaveta
guardado agora
a historia dos dias que eu vivi


domingo, fevereiro 24, 2008

um dia [ou luz azul]

um dia
a luz ainda vai refletir
nas cores das ruas que não corri
nas cores dos braços que não senti
nas cores das noites que não dormi
nas cores dos dias que nao vivi

e o vento vai jogar no meu rosto
a mensagem que eu não recebi
aos meus ouvidos
o sussurro que não ouvi
dos encontros marcados
que eu nao sonhei
com as risadas engasgadas
que não sorri

eu mal posso esperar
pelo dia que eu não vivi

o tempo, o espaço, a gente
é como se fosse uma serpente
o chocalho, o veneno, o dente
mas eu não posso ficar aqui
esperando o veneno subir
enquanto o tempo balança
enquanto a gente dança
no ritmo de coexistir

eu vou correr atrás
dos dias que eu não vivi.

terça-feira, janeiro 29, 2008

minha viagem de carro [ou autodescobrimento]

quem sabe quando eu puder puxar minhas próprias cordas
e abrir as cortinas
quem sabe aí, eu não passo a fazer o que eu já to cansado
de falar pelas esquinas
quem sabe eu não descubro o que é dignidade
quem sabe eu não aprendo o que é falsidade
quem sabe eu passo a noite com você e acordo bem tarde
quem sabe eu planto um jardim
quem sabe eu me devoto pra algum santo
quem sabe eu te dou a chance de me amar também...

quem sabe quando eu puder tocar minhas próprias cordas
e abrir minhas meninas
quem sabe aí, eu não possa dizer tudo que eu tenho pensado
em forma de rimas
quem sabe eu não descubro o que é velocidade
quem sabe eu não aprendo o que é realidade
quem sabe eu passo a bola e deixo parecer que sou covarde
quem sabe eu planto alguma coisa em mim
quem sabe eu volto e me interno em algum canto
quem sabe eu te dou a chance de cuidar de mim também...

quem sabe quando, ou onde, ou como
quem sabe preto, colorido ou monocromo
quem sabe melhor do caminho que tomo
sou eu.

domingo, novembro 25, 2007

perdi o jogo [ou outra vez]

uma vez
você era de são paulo
e depois eu aprendi que grande merda era isso
outra vez
você era dos palcos
eu me iludi com sua atuação de caráter maciço
outra vez
você veio aos saltos
e eu cai no seu buraco psicológico, me afundei nisso
outra vez
você fez um assalto
eu levantei os braços e me rendi ao descompromisso
outra vez
você era do planalto
eu me senti em casa e pensei não haver nenhum risco
outra vez
você veio cheirando talco
e eu que nem criança, de guarda-chuva no chuvisco

fiz tempestade em copo d'água, risquei a faixa única do meu disco,
apertei todos os botões, me passei, perdi o jogo,
me senti pequeno no meu corpo, me joguei sem nenhum asterisco

outra vez
outra vez