terça-feira, outubro 07, 2008

minha velocidade [ ou o que ficou pra trás ]

O que não me fez sentido
eu deixei pra trás
o que já era antigo
eu deixei em paz
sabendo que a vida
tem sempre espaço pra mais
muito mais...
eu aprendi a não retroceder
eu aprendi a me dirigir e controlar minha velocidade
e enxergar melhor o que estiver errado...
enxergar quem sou eu
olhando do outro lado
eu me senti
eu me estudei
mas nem concluí
e nem me desesperei
dessa vez eu só deixei
o tempo correr
com a velocidade que deus deu.

Eu aprendi a não pensar em você
aprendi a fugir das pistas que você deixava
em lugares que nunca tinha pisado...
aprendi a ser mais eu
um eu mais bem acabado
eu me convenci
eu me solidifiquei
mas nao morri
e nem chorei
dessa vez eu só deixei
o tempo escorrer
com a viscosidade que deus deu.

sexta-feira, setembro 26, 2008

origens e efeitos [ou esquecimentos e procuras ]

...ando meio quebradiço
meio volátil, meio movediço
e as consequências andam comigo
brilhando como fogos de artício
de luz forte e clara
sinalizando por onde quer que eu passe
que tá meio fraco esse meu disfarce...
e não ia melhorar nada
qualquer anjo que me falasse
que o dia de hoje é jóia rara
eu provavelmente não escutaria nada
eu não acredito em anjo que fala
e minha fé é coisa muito cara
meu problema é aqui comigo
eu, abismo em mim
eu, queda livre sem fim
de efeitos pesados
me afastando do alto
ato das causas
que eu encenei de olhos fechados
há muito tempo atrás
correndo correndo correndo
correndo atrás de origens
contido e concentrado mandarim
colorido e desconectado arlequim
eu aprendo e desaprendo
a cuidar de mim
a vida é uma alternância
de consciência e inconsciência
e a minha tem amplitude máxima.

sábado, agosto 02, 2008

Lucas Liberdade [ou linha do horizonte]

canso...canso muito fácil
mas me conformo..é isso que eu faço
mas guardo...eu me aguardo
porque liberdade ainda vai ser
meu segundo nome no meu documento falso
e eu vou beber da fonte
do que é unicamente importante nesse mundo
não existe linha do horizonte
e eu vou estar bem mais perto do fundo
e livre, não faltará nenhuma palavra
meu livro não estará acabado,
mas vai estar completo

porque de todas as partidas dessa história inacabada
de todos os caminhos e pontos de chegada
o que fica é a constante vontade de ir embora
mesmo quando eu chego
onde eu sempre quis chegar
eu tenho essa necessidade
de estar lá fora
essa força empurrando sempre
pra uma nova forma de agir e pensar
essa jornada em sempre achar
algo extraordinariamente novo em mim
algum significado novo pra mim...

quero subir num pedestal
do que é bom de viver
do que é livre e leve
nao quero mais saber
pra que serve
não quero mais saber
o porquê
isso não faz parte do momento
isso é simplismente parte de mim
é minha constituição, minha lei
é minha substância original

é minha consumação
é o que eu sempre farei
é meu decreto final
é meu tchau.

sábado, julho 26, 2008

maquiagem borrada [ ou o que não cabe mais em mim]

hoje foi difícil resistir
essa força estranha
querendo me derrubar...
e eu tive que ceder
porque eu ainda não chorei
eu ainda não me desesperei
das derrotas e perdas que tive
e das que possivelmente terei...
deve ser isso que tá faltando
isso que tá tão estranho
eu ainda preciso me acabar,
sofrer o mundo
pra depois me recuperar
e não pular degraus,
e maquiar as pancadas ...
deve ser isso
que você tem visto
em mim, sem entender...
disfarçadas
cicatrizes que brotam na superfície
(de uma tristeza antiga que eu tentei esconder)
pra dar lugar a algum sentimento novo
que com certeza nao iria caber...
não em mim
não em meu corpo
nem eu me encaixo...
eu não tenho certeza nenhuma...
eu só acho..
que eu tinha que caminhar sozinho
um pouco só...
não queria que ninguém me seguisse
mexeu muito comigo tudo que você disse
e eu queria muito que fosse tudo de outro jeito
você pode mandar eu ir me fuder
eu e essa minha existência indiferente
essa complicação inútil e criancissse
esse papo triste e doente...
não é pra você...você não merece
eu nem sou isso tudo que você vê
eu preciso mudar de pele
talvez daí eu chegue a ser ele...
aquele que pode, aquele que pode com você
eu preciso desse caminho sozinho
tem muita coisa pra eu sofrer
muita coisa pra eu digerir
eu preciso acabar logo com isso
e parar de fingir que não me conheço
me deixar um pouco sozinho...
é tudo que eu peço...
eu ainda quero muita coisa pra mim
eu quero coisas que ainda nem sei
ainda não sei o nome...
eu ainda sou criança demais
ainda acho que não vou morrer
e hoje vai ser difícil dormir
porque amanhã
eu não quero acordar...
eu quero renascer.

sábado, julho 12, 2008

casa liberada [ ou não pensando, não pensando]

se dessa vez eu pudesse simplismente
liberar a entrada pra casa bagunçada
das coisas que eu vivo...
e fizesse uma festa open-bar
sem limites e sem hora pra acabar
se eu me permitisse não ter restrições
se deixasse qualquer um roubar
minhas coisas, meus pensamentos,
minhas emoções...
se eu nao pensasse mais
se eu perdesse as chaves
se eu fosse como os animais
e escutasse meus instintos
se dessa vez eu fizesse exatamente
o contrário de tudo que tenho me forçado
sobre tudo que eu vivo...
e se fosse um alívio?

segunda-feira, julho 07, 2008

desbravador de mim [ ou pseudo-quimioterapia]

( que sentimento é esse?
que às vezes acontece
que às vezes me aquece
e outras vezes me esquece
como se fosse uma prece
que sentimento é esse?
que às vezes me alcança
e às vezes me faz de criança
que às vezes me cansa
e outras vezes me enche de esperança
que sentimento é esse?
que eu sinto tanta falta
que às vezes me assalta
e deixa minha cabeça tão alta
esse sentimento astronauta
que sentimento é esse? )


cansei de olhar pra frente
e me enjoei de olhar pra trás
eu já nem sei quanto tempo faz
cansei de pensar na gente
eu quero um pouco mais de mim
resolvi, agora a pouco, ser assim
vou me dar ao meu presente
cansei de tempo, cansei de amor
cansei de saudade, cansei de dor
minhas poesias já viraram um tumor
não têm mais pra onde se expandir
não dá mais pra regredir
a partir de agora, ponho tudo pra fora
não me interessa regras, métricas,
velhas rugas, dúvidas e angústias,
só me interessa o agora e agora
sou eu
todo branco
numa floresta de pincéis e tintas de cores recém-nascidas
sem roupas e pés descalços
desbravador dos meus papéis e das verdades neles escondidas
sem raízes e sem laços
todo branco
ainda
sou eu






(no fundo, ainda sou eu)

domingo, junho 29, 2008

errando pra nao errar mais [ou quando a gente acha que já sabe demais]

eu escapei de um erro
dessa vez foi por pouco
eu saí primeiro
antes de ficar louco...
já vi de longe o meu transtorno
reduzi a marcha
e me enfiei no primeiro retorno
eu me senti esperto e crescido
me achei tão sábio e destemido
à salvo em casa, sozinho
sentado no sofá
com todos os meus novos limites e teorias
abraçando minhas cicatrizes
e às prometendo nunca fazer outras
cheio de certezas e garantias
sozinho, em casa, à salvo
sentado no sofá
esperto e crescido
pelo amor de deus!
o que tem de errado comigo?
eu queria tanto ter errado,
eu queria tanto
estar agora aos prantos
eu pelo menos teria
algum sentimento circulando
eu queria tanto um drama
me alucinando, me ensinando
eu quero! eu estou pronto!
por favor consciência
por favor ego
por favor bom senso
apaga esse ponto
que eu ainda to muito longe do fim
me faz amar alguém
que eu já to sem paciência
de mim...
eu já to sem paciência de mim!

(me dá mais uma chance de errar
não desliga o telefone por enquanto
eu ainda te amo tanto, tanto!)

quarta-feira, junho 18, 2008

conversas comigo mesmo [ ou alguma coisa, tenho certeza! ]

foi o maior degrau que você atingiu
foi o mais claro que você já viu
foi o mais próximo que você sentiu
foram os melhores poemas que você escreveu
foi o mais consistente de tudo que te aconteceu
foram epifanias e renascimentos, foi o que você viveu!
...
mas depois de um dia ruim, depois de uma semana assim
depois de uma queda, uma dor de cabeça, uma amnésia
tem que dizer que o amor virou cansaço?
tem que fazer esse estardalhaço?
não foi sua semana ruim, não foi seu mês de março...
tem que falar sobre o que não sabe?
tem que se meter nesse caminho sozinho?
burro e despreparado!
vai continuar a eternizar os segundos
e colecionar tristezas desnecessárias
vai continuar a cavar buracos sem fundo...
surdo e desesperado!
serviu pra aprender
alguma coisa...(alguma coisa, tenho certeza)
serviu pra saber
que o amor é gigante e surpreendentemente real
mas que você não tá pra essas coisas
você sempre manda mal!
tem que idealizar cada partícula?
tem que sentimentalizar de forma tão ridícula?
pede pra ficar sozinho e se reduzir a uma molécula
tem que se enfiar onde não cabe?
tem que bancar o passarinho?
tonto e pesado!
vai continuar a tropeçar nos muros
e se quebrar em janelas fechadas
vai continuar a voar sem rumo...
(você sempre manda mal!)

Pedido [ ou tá? ]

Vou começar me desculpando
eu sei que eu tenho
grande parcela de culpa
dessa dúvida ter se formado
e porque agora eu que estou
me intrometendo demais
e eu sei que são seus pensamentos
mais puros e tudo mais
mas isso já está me torturando
faz algumas semanas...
foi depois que você se perguntou
se realmente tinha existido
aquilo que pra mim
foi o que aconteceu de mais real
foi o que mais teve consistência e constância
na minha vida, nos últimos tempos..
eu não me dou ao luxo de me questionar
não dou! não dou a chance da dúvida chegar
eu sei o que eu senti, eu sei no que eu acredito
e eu sei o que eu não quero desacreditar...
implicaria em me desmembrar
implicaria em anular meus dias, andar pra trás
e eu não vou diminuir os quilômetros que eu cresci
não me importa, eu já nem sei quanto tempo faz
eu sei que tá na minha pele, tá na minha fala
faz parte de mim de uma forma incrivelmente
equilibrada e coesa
eu não quero mais te ver sonâmbula
com essa faca na mão tentando
, inconscientemente, me arrancar alguns pedaços
não faz mais isso não
engole essa interrogação
não faz mais isso não, tá?
não diz que minha vida se baseia numa ilusão...

terça-feira, junho 03, 2008

lista para o futuro [ ou só pra constar ]

se nada for como eu planejo
e se o sol não bater exatamente naquele ângulo do seu rosto
e se o ar não tiver exatamente aquele gosto
se não for exatamente do jeito que eu vejo
e se eu não tiver o meu apê de pinturas na parede e janelas grandes
e almofadas no chão e samambaias no teto
e se eu não tiver aquele artigo no jornal, lá no canto
e se eu não tiver meus discos enfileirados e coloridos em estandes
se não já tiver queimado de tanto sentir e causar desejo
se eu já nao tiver lido pelo menos um livro da clarice lispector

se eu não tiver conseguido tocar músicas com pestanas
se eu não for confiante e decidido e ainda um bom ator
se não tiver pelo menos tentado conhecer as terras africanas
se não mantiver meus considerados bons amigos em contato
se não tiver ainda raízes fixas, se não tiver me encontrado
se não criar pelo menos uma coisa nova no mundo
se não tiver meu um terno e um sapato pra ocasiões especiais
se não tiver uma bicicleta e um tênis velho e imundo
se não tiver me resolvido em relação a essas coisas espirituais
se não souber fazer algum prato pra convidar amigos no fim de semana
se não for um daqueles que não é qualquer um que engana
se não souber rir descontroladamente e alto, sem ajuda de bebidas
se não souber coisas novas e inpensáveis sobre a vida
se nao for colecionador de boas lembranças, encontros e despedidas
se não souber citar nomes de escritores e diretores e psicólogos importantes
se não souber rimar sem ser repetitivo, brega e pedante
se não puder falar pelo menos umas três linguas
se não tiver me envolvido em questões políticas e lutado pelo bom senso
se não fizer exercícios regularmente e acampar nos feriados
se não expuser para o mundo as coisas que eu penso
se não tiver as roupas e os eletrodomésticos que comprei junto com meu amor
( mesmo que para partilhar depois)
...
especialmente(principalmente) se não tiver as coisas que conquistei com meu suor

se não for assim...
eu não sei se vai ser...
se não...

me traz a Vodka, agora
que dessa vez eu vou descer
até o final
e eu vou fazer
minha catástrofe mundial
me dá um trago só
que agora eu vou ver
a babilônia descer
em espiral
dentro do meu ser
vai ser minha derrubada monumental.
Se não vou ser eu aqui dentro
nenhum outro será!
Nenhuma outra realidade habitará
minha pele, no meu centro
se não for assim
eu estou pronto pra
crise de meia idade
ainda no um quarto.
Não serei outra pessoa,
nunca sentirei a dor do parto
já tenho tudo traçado
e não quero saber de outros planos
ninguém toca nos meus sonhos!
Não sei outra forma de ser...
que de tanto prever

só sei ser se for assim
...
mas em outro caso...
e se sim!
e se sim?

domingo, maio 18, 2008

companheiro [ ou que ainda não chegou a ser]

tinha esse muleque
terminando o que chamariam de primeira fase da sua vida
ele tinha essa inconstância
e tinha essa ânsia, essa ansiedade
por tudo que não tinha ainda...
mas que ainda teria, com certeza teria
e acabou por escrever milhões de palavras em homenagem a esse futuro
se tornou um amigo especial do erei, do arei, do irei,
do iria, do um dia, ainda um dia, do inseguro
ele tinha uma certeza enraizada num solo tão insólido,
que é o ainda-não-acontecido,
mas ele regava essa vida
ele rogava por vida
e ele esperançava
e o passado ele podia até ter esquecido, mas o futuro,
o futuro era eterno, e sempre será.
esse garoto tinha sonhos sem tamanho
tinha pensamentos que não caberiam em qualquer outro
ele era maior que seu corpo
...e por isso ele tinha a mim... pra se manter coeso
pra dividir o peso...
porque eu cabia nele e ele em mim
porque eu nao reclamava muito
eu gostava de estar ali,
eu guardava seus planos, suas miragens
era seu companheiro de viagens
eu o ajudava a arrumar as malas
era eu quem mantinha seu núcleo estável...
ele às vezes deitava na cama
às vezes deitava na grama
e deixava a porta aberta
deixava entrar
compartilhava comigo
o seu universo pessoal
me deixava vasculhar
os seus vazos mais internos
me alimentava de sua seiva
e eu ficava impressionado
com o sabor das infinitas possibilidades
com o novo mundo de novidades
que ele me mostrava, só pra mim
era extraordinário, ele era
apenas um garoto, e o fato é
que ele ainda é...
e eu sei que sem saber ele me ama
eu, eu tenho um sentimento diferente
não que seja menor, só diferente
é como uma fruta que não cai,
uma vida em stand-by,
um trem que apenas ainda não chegou,
não chegou a ser,
um amor nostálgico, mas que não tem tempo...
talvez por isso ele me entenda tão bem
talvez por isso, por ele eu me contento...
aaah, um dia eu ainda falo, um dia ainda faço valer tudo que esse muleque tem elaborado,
um dia ainda vou ver frutificar
a árvore que todo mundo falou pra ele não plantar...
e Deus sabe o quanto eu quero
e dentro desse garoto,
pacientemente,
eu espero...

sexta-feira, maio 16, 2008

monólogo [ ou desabarfo]

eu
,corpo de fundo,
pesado e denso e único
equilíbrio instável com meu submundo
eu
,cansado e imundo,
querendo seu colo pra dormir
e esquecer de tudo
eu
,talento infecundo,
cantando solo sem diminuir
o volume nenhum segundo
eu
continuando, continuando...
e perguntando (às vezes)
até quando? até quando?

eu
to tão cansado.

quarta-feira, maio 07, 2008

a sua música [ ou psicomusicismo]

cada palavra mínima
cada pausa, cada rima
todas as notas
e as respirações
cada revelação íntima
cada causa desse clima
dessa música, você quem fez

e toda vez
que eu canto essa canção
fica mais claro
foi você quem fez esse refrão
o que corre no meu sangue...

você que me deu essa injeção

(d)esse sentimento que eu tô expondo
essa música que eu tô compondo
essa música, você me fez...
foi sua culpa, sua razão
foi por sua causa
foi pela sua mão
veio da sua conclusão
veio da sua casa
veio da sua respiração

e toda vez
que eu canto essa canção
fica mais claro
foi você quem fez esse refrão
esse ar que boto pra fora
não sai do meu pulmão

não é do meu feitio cantar assim
esse sentimento,
você me deu
não é meu, esse tom
não é meu...

esse sofrimento
não sou eu
e não é meu, esse tom
não é meu...

sábado, maio 03, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

sentimento paisagem [ ou me abraçar]

eu vou caminhar, ja já eu volto...
vou devagar,
fingir que não tenho pressa
vou esquentar um pouco no sol
ver se reanimo meu corpo
porque pra que essa semente cresça
tem que ter luz ao redor
eu vou parar aqui um pouco
encostar minha cabeça
tirar um cochilo
uns dez minutos só
me abraçar com meu corpo
esvaziar minha cabeça
tirar tudo aquilo
que me fez tão só...

queria ser tipo gaivota
na beirada do mar
em uma ilhota perdida
que eu chamaria de particular
o mar ia me amar
e o vento me temperar
e estaria tudo tranquilo
assim que eu começasse a voar