quarta-feira, abril 15, 2009

tudo, menos Clara...[ ou meu mundo das minhas idéias]

tinha o fato de você ter arrumado um namorado, assim fácil. E também ter dado um passo na vida
e estar tão futura, tão adulta, assistindo vidas nascerem e acontecerem.
Tinha o fato de eu continuar ancorado
num tempo que não era confortável como o passado, que definitivamente não era um presente
e não se movia.
Tinha o fato de eu ser um dramaturgo dramático cheio de pensamentos bombando e um corpo fraquíssimo, pele e osso praticamente, me segurando. Isso e outro bilhão de razões que eu certamente ainda vou inventar. Foi isso, e logicamente a carência mais infantil, que fez com que eu, artesanalmente, elaborasse uma trama
e trançasse quase uma vida inteira, uma bomba emocional caseira, pra jogar e explodir tudo em cima dela.
Ela, que andava tranquila e cheia de si e falava alto e pausadamente e que, comparada a mim, parecia já ter vivido o triplo, psicologicamente. Ela, que não parecia precisar de nada de novo, ela que se encontrava num solitário equilíbrio sólido e principalmente não fazia a mínima idéia de mim e não pediu nada, não pediu nada.
Eu, já tinha definido e justificado e encaixado a vida dela dentro da minha,
tinha no (meu) mundo das (minhas) idéias esse amor filosófico que eu achava que esclareceria tudo
e me libertaria de mim. Gerei, criei, eduquei, deixei crescer.
Até o ponto que não cabia mais em mim. Risquei o fósforo, com muita dificuldade,
minha mão tremia de medo de tanta realidade, acendi a bomba do meu peito e agora,
concentrado, seguro, segurei firme e joguei com uma força que não era minha,
lancei-me no meio da direção dela.
Por um momento tudo mudo, mudou , ficou mais quente e uma luz imensa quase me cegou,
uma possibilidade vermelha e violenta , mas mansa. Uma possibilidade de colisão inelástica, de amor, de dança.
Mas após o estrondo e o clarão, naquele momento, minha vida parecia, de novo, qualquer coisa, tudo... menos clara.
Já estava eu falando sem pensar, tropeçando nas palavras, em mim e ela assim:
como quem acaba de sobreviver a uma explosão (como não podia ser diferente),
me olhava e me engolia de uma forma completamente indiferente,
totalmente estranha a mim e a tudo que eu dizia e não dizia (como não podia ser diferente).
Aí eu fraco, explodido, em pedaços, completamente absurdo, vi que eu estava longe demais do chão,
e nossa! que cena ridícula! eu, me vendo sem base nenhuma, me balançando desesperado
procurando um lugar pra pousar os pés...
foi então que eu compreendi (quase) tudo...
abri os braços, fechei os olhos...
estou agora só , só,curtindo a queda,
tudo que sobe desce e eu to respeitando as leis da física clássica...
eu vou esperar o baque súbito que vai, finalmente, me acordar pro que é real... talvez tenha que engessar minhas idéias, mas vai sarar, vai voltar pro lugar... é só não pensar, por um tempo. Não pensar mais, não pensar...



(Você vai ter toda essa felicidade radical que você tanto merece na vida,
eu vou me encontrar e me controlar e ela talvez, algum dia, chegue a me entender, sem me julgar.)

segunda-feira, abril 13, 2009

pra poucos [ ou interior na mão ]

eu sei
é loucura, completa falta de senso social
é quase sadomasoquismo, autoflagelação,
falar a verdade, abrir a realidade integral, assim
sem ter o cuidado de o fazer aos poucos
a sinceridade não cabe no buraco da relação
assusta, afugenta, você não aguenta
aguentar a verdade é pra poucos...
desculpa, me jogar assim na sua direção
com um corte cirúrgico aberto
com todo meu interior na mão
eu sei que é muita falta de noção
eu tenho plena consciência disso
mas do meu sonho mais antigo
no centro de tudo que eu faço
da parte mais quente de tudo que eu digo
nasce, sem eu saber a origem,
com força e peso
minha obsceção pelo primordialmente natural
pelo que é e é somente, pra mim
de fato
e se eu não expulso ali mesmo
se eu não cuspo
se eu deixo preso em mim
perco o sono, a fome e a paz...
olha aqui, escuta
exorcisa esse amor meu
opera esse tumor sentimental
segura esse bebê que nasceu
meus pensamentos são todo meu mal.

sexta-feira, abril 03, 2009

imaterial [ ou existência ]

faço mil planos, traço mil destinos
já tenho cinco diálogos complexos completos
já tenho mãos, nucas e pernas
já tenho músicas e códigos secretos
já tenho filhos
já tem o nosso amor eterno e ele já é
já existe...
é só a falta de acontecer
é só esse inconfortável vazio
que persiste...

terça-feira, março 24, 2009

você? [ ou se achar que quer, desiste.]

você olha na cara e fala
e acho que se fosse pra, ali no meio de tudo, chorar e mandar o mundo tomar no cu
você ergueria a cabeça e a coluna e mandaria, com o queixo arranhando o céu
você diz não e diz sim
se achar que quer, desiste, muda de lugar.
você quer mesmo é achar na arte a justificativa original pra se existir
e tem bem definido o que é e não é importante
e sabe imitar _ carinha, nojinho, carinha, sabe?
quando alguém é metido e mesquinho, sabe?
fica ali no canto com seus amigos e seu cigarrinho
você tem coragem de andar e escolher seu próprio caminho
e dá gargalhadas fechando os olhos se inclinando pra cima
você busca a vida do jeito que ela se mostra, do jeito que você a interpreta
você gosta de jazz, aquela cantora antiga , aquela preta...
você é roxo, verde, amarelo
você impõe a voz
Livo dos prazeres, página 31
você não tem escrúpulos nem receio nenhum
você é dos porres, da noite, da tequila
você escreve poesias, você se depila
pra quem quiser ver
taí
você é sempre você
mas
quem é você?
na verdade era isso,
isso que eu queria saber.

sexta-feira, março 13, 2009

transição [ ou sinergia ]

Quero minha vida em sincronia comigo
eu até esperava também uma pequena compreensão
mas dispenso
quero muito mesmo é pegar nessa paisagem
quero desbravar o meu selvagem
quero saber o que acontece em seguida
quero pular da janela da imaginação
quero saber quanto cabe na minha mão
quero tentar
quero transar com a vida
ter filhos em todo lugar
quero pisar no mundo
e me sentir cada vez mais fundo
quero minha vida em sinergia comigo
eu até precisava também de algum tipo de proteção
mas dispenso.
Vou seguindo...
(eu tenho que)




sinergia
si.ner.gi.asf (gr synérgeia)
1 Simultaneidade de forças concorrentes.
2 Ação simultânea de diversos órgãos ou músculos, na realização de uma função.
3 Sociol Cooperação entre grupos ou pessoas que contribuem, inconscientemente, para constituição ou manutenção de determinada ordem ecológica, em defesa dos interesses individuais.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

eu não vou ficar [ ou a vida é rara ]

eu não vou ficar
eu não vou sentar aqui
não to com cabeça pra passar por essa fase
se eu pudesse eu só passava por você
sem trocar um olhar sem dizer uma frase...
não que eu não te ame
mas para que eu não me atrase
na vida
absolutamente eu não tenho tempo pra mostrar pra você
mostrar quem eu sou e não
provar que eu estou certo
e ainda mais
que por mais que eu não esteja
eu não posso mudar de ideia sem antes me rachar a cara
você mesmo tá cansado de cantar que a vida é rara
eu não posso me dar assim de bandeja
eu sou uma pessoa
tem uma pessoa aqui
eu me construí
eu não sou gigante, nem perto
mas não acho que eu tenha que esperar ser um pra existir...
eu posso ser, ser o que for
mas um direito é inalienável
no meu quadro, sou eu quem decido a cor
no meu aquarelável interior
do meu corpo, sou eu quem retiro a dor
e eu to doido, sagaz pra sair pintando
doido pra sair
viver cantando e morrer de rir...
Então eu não vou sentar aí
vou subir no meu cavalo
desafiar independência ou morte
tomar meu norte
e existir.



quarta-feira, fevereiro 18, 2009

controlador [ ou impulso novo]

se eu deixar, chega
se eu vacilar...
chega devagar
com força e vontade de matar...
mas só se eu deixar
só se eu parar por um instante
e fizer aquela cara e quase chorar...
se eu me entregar, chega
e chega pra ficar, bagagem pesada.
não! aaaaaarrrrrrrrr
dessa vez não, NÃO!
agora reciclagem pesada
tudo vai se equilibrar
quero suar
quero a cara vermelha de sangue
quero chutar tudo
tudo que me atrapalhar
só eu sei do tempo que eu marquei
da estrutura que eu formei
é com ela que eu vou
vir à tona
nessa maratona que eu tô
oxigênio reciclado no meu corpo
impulso novo,
que venha tudo de novo
agora eu vim pra eu chegar lá.





(apontei a camera pra mim mesmo
e sorri totalitariamente
eu não sei porque eu ainda faço isso
sinceramente)



quarta-feira, janeiro 21, 2009

parque da cidade [ ou a felicidade é um momento]

eu estou feliz
estou feliz porque não tenho margens
estou feliz por sentar no coração da minha cidade
e sentir apenas o peso do céu em cima de nós e nada mais
nada mais me faria mais feliz
estou observando tudo, estou em contato direto com minha raiz
eu to amando quem estiver na minha frente
eu to permitindo eu to abrindo eu to fácil
eu to feliz eu to transparente eu to simples
nada mais me faria mais bem
eu e meus irmaos minhas partes separadas
junto com a arte de não pensar em nada
eu to filosofia eu to de boa eu to atoa
eu to longe mas eu to forte eu to onde eu quero estar
eu to fora da lei eu to fora da lista
eu to fora, meu rei! eu to fora da pista
...
eu achei que eu ia explodir uma fera
porque nada saiu do jeito que eu quis
ao contrário do que o mundo inteiro espera
eu estou inteiro eu to sereno eu to feliz.

domingo, novembro 23, 2008

limbo [ou não estou na foto ]

não tenho tempo
não me peça informações
evite todas as aproximações
não me tente, não me invente
não estou disponível
não estou acessível
não estou na foto
não estou na festa
nem no meio, nem no fundo
não estou no mundo
não tenho vaga
não me procure
não me torture
não me segure
não estou aí
não estou aqui
não estou engajado
não estou inspirado
não estou apaixonado
não estou
não ligue
não me ligue
porque eu não estou.

domingo, novembro 09, 2008

Bonsai [ ou esses dias ]

vidinha mal vivida
te amei pela metade
não tive tempo, não tive espaço
nao fiz o que quis
fui bem podado
cortaram direitinho a minha raiz...

sem espaço pra se fixar
sem chances de frutificar

minha atenção não é completa
porque meu descanso não é pleno
e a razão não me afeta
porque meu campo visual é pequeno
momentaneamente, eu espero...
tenho realmente que sacrificar tudo
é exatamente isso que eu quero
não preciso aproveitar meu tempo
ganhar na vida, a vida será tão grande!


por enquanto
qualquer grama me atrai
porque eu me sinto um bonsai

a atração é puramente gravitacional
eu me sinto pequeno demais pra física moderna
aquela história da física quântica...
besteira, ficção-romântica!

a minha copa não alcança balões no céu
e minha fruta não cai
eu sou uma invenção
não! completamente igual, eu sou normal
eu to apenas seguindo meu papel
um natural quase sintético
seguindo um sonho
que agora parece tão patético

de um jeito que eu não planejo
e não desejaria jamais
a monotonia não se esvai
nesses meus dias de bonsai

terça-feira, outubro 07, 2008

minha velocidade [ ou o que ficou pra trás ]

O que não me fez sentido
eu deixei pra trás
o que já era antigo
eu deixei em paz
sabendo que a vida
tem sempre espaço pra mais
muito mais...
eu aprendi a não retroceder
eu aprendi a me dirigir e controlar minha velocidade
e enxergar melhor o que estiver errado...
enxergar quem sou eu
olhando do outro lado
eu me senti
eu me estudei
mas nem concluí
e nem me desesperei
dessa vez eu só deixei
o tempo correr
com a velocidade que deus deu.

Eu aprendi a não pensar em você
aprendi a fugir das pistas que você deixava
em lugares que nunca tinha pisado...
aprendi a ser mais eu
um eu mais bem acabado
eu me convenci
eu me solidifiquei
mas nao morri
e nem chorei
dessa vez eu só deixei
o tempo escorrer
com a viscosidade que deus deu.

sexta-feira, setembro 26, 2008

origens e efeitos [ou esquecimentos e procuras ]

...ando meio quebradiço
meio volátil, meio movediço
e as consequências andam comigo
brilhando como fogos de artício
de luz forte e clara
sinalizando por onde quer que eu passe
que tá meio fraco esse meu disfarce...
e não ia melhorar nada
qualquer anjo que me falasse
que o dia de hoje é jóia rara
eu provavelmente não escutaria nada
eu não acredito em anjo que fala
e minha fé é coisa muito cara
meu problema é aqui comigo
eu, abismo em mim
eu, queda livre sem fim
de efeitos pesados
me afastando do alto
ato das causas
que eu encenei de olhos fechados
há muito tempo atrás
correndo correndo correndo
correndo atrás de origens
contido e concentrado mandarim
colorido e desconectado arlequim
eu aprendo e desaprendo
a cuidar de mim
a vida é uma alternância
de consciência e inconsciência
e a minha tem amplitude máxima.

sábado, agosto 02, 2008

Lucas Liberdade [ou linha do horizonte]

canso...canso muito fácil
mas me conformo..é isso que eu faço
mas guardo...eu me aguardo
porque liberdade ainda vai ser
meu segundo nome no meu documento falso
e eu vou beber da fonte
do que é unicamente importante nesse mundo
não existe linha do horizonte
e eu vou estar bem mais perto do fundo
e livre, não faltará nenhuma palavra
meu livro não estará acabado,
mas vai estar completo

porque de todas as partidas dessa história inacabada
de todos os caminhos e pontos de chegada
o que fica é a constante vontade de ir embora
mesmo quando eu chego
onde eu sempre quis chegar
eu tenho essa necessidade
de estar lá fora
essa força empurrando sempre
pra uma nova forma de agir e pensar
essa jornada em sempre achar
algo extraordinariamente novo em mim
algum significado novo pra mim...

quero subir num pedestal
do que é bom de viver
do que é livre e leve
nao quero mais saber
pra que serve
não quero mais saber
o porquê
isso não faz parte do momento
isso é simplismente parte de mim
é minha constituição, minha lei
é minha substância original

é minha consumação
é o que eu sempre farei
é meu decreto final
é meu tchau.

sábado, julho 26, 2008

maquiagem borrada [ ou o que não cabe mais em mim]

hoje foi difícil resistir
essa força estranha
querendo me derrubar...
e eu tive que ceder
porque eu ainda não chorei
eu ainda não me desesperei
das derrotas e perdas que tive
e das que possivelmente terei...
deve ser isso que tá faltando
isso que tá tão estranho
eu ainda preciso me acabar,
sofrer o mundo
pra depois me recuperar
e não pular degraus,
e maquiar as pancadas ...
deve ser isso
que você tem visto
em mim, sem entender...
disfarçadas
cicatrizes que brotam na superfície
(de uma tristeza antiga que eu tentei esconder)
pra dar lugar a algum sentimento novo
que com certeza nao iria caber...
não em mim
não em meu corpo
nem eu me encaixo...
eu não tenho certeza nenhuma...
eu só acho..
que eu tinha que caminhar sozinho
um pouco só...
não queria que ninguém me seguisse
mexeu muito comigo tudo que você disse
e eu queria muito que fosse tudo de outro jeito
você pode mandar eu ir me fuder
eu e essa minha existência indiferente
essa complicação inútil e criancissse
esse papo triste e doente...
não é pra você...você não merece
eu nem sou isso tudo que você vê
eu preciso mudar de pele
talvez daí eu chegue a ser ele...
aquele que pode, aquele que pode com você
eu preciso desse caminho sozinho
tem muita coisa pra eu sofrer
muita coisa pra eu digerir
eu preciso acabar logo com isso
e parar de fingir que não me conheço
me deixar um pouco sozinho...
é tudo que eu peço...
eu ainda quero muita coisa pra mim
eu quero coisas que ainda nem sei
ainda não sei o nome...
eu ainda sou criança demais
ainda acho que não vou morrer
e hoje vai ser difícil dormir
porque amanhã
eu não quero acordar...
eu quero renascer.

sábado, julho 12, 2008

casa liberada [ ou não pensando, não pensando]

se dessa vez eu pudesse simplismente
liberar a entrada pra casa bagunçada
das coisas que eu vivo...
e fizesse uma festa open-bar
sem limites e sem hora pra acabar
se eu me permitisse não ter restrições
se deixasse qualquer um roubar
minhas coisas, meus pensamentos,
minhas emoções...
se eu nao pensasse mais
se eu perdesse as chaves
se eu fosse como os animais
e escutasse meus instintos
se dessa vez eu fizesse exatamente
o contrário de tudo que tenho me forçado
sobre tudo que eu vivo...
e se fosse um alívio?