eu sento na frente da TV e a minha cara vai rabugentando
eu penso na vida como um sorvete-a-derreter e vou congelando
eu tento me conter com a limitação popular, (daí me dilacerando)
eu aguento viver de alimentação/sustentação..até quando?
me transformando numa pessoa chata, sem assunto
ninguém aguenta mais reclamação, ninguém quer saber
da aflição alheia, ninguém, ninguém pergunta "posso entrar?"
ou então
pergunta, e entra sem esperar resposta...
usa seu banheiro, sai, mas te deixa uma bosta...
deixa bem claro: pra mim vc é isso, uma bosta...
e se eu nao falo: "caralho! volta aqui, você tá pensando o que?"
minha auto-valência, meu egoismo se transformam em que?
mas ninguém se importa de verdade
e quem iria se importar? quem iria mover um músculo facial pelo seu stress?
quem iria ter paciência pra salvar o dia? quem iria...ah quer saber? esquece!
vem... pisa no meu calo, e arranca a minha raiz
vem... mete o dedo (ameaçando) bem no meu nariz
engarrafa meu furacão
transforma minhas atitudes em pseudo confusão
amarra minha frustração
e deixa sete dias sem comida, fria numa prisão
você que ver minha raiva explodir em formas e frases
você quer sentir minha fome zunir em todas as fases
você quer testar todos os meus tons e meus transes
vem... risca o meu trabalho, me arruina por um triz
vem... repete aquele texto do (enganando) teu pobre país
comprimi essa confusão
dobra e guarda no seu bolso pra mais tarde fazer digestão
encara minha outra versão
e deita sem ter escutado um sílaba da discussão
você quer ver minha saliva ferver e evaporar pelos ares
você quer assistir meu peito e minha garganta estourarem
você quer me ver chacoalhar no ar, bater nas paredes, balançar os braços e rodar em intervalos irregulares...
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