Não... eu não te esqueci , não te superei, não te deixei completamente pra trás.
Pensei que tivesse, mas não...
acabei de te ver na televisão. Demorei pra acreditar que era você, mas a voz,
o jeito pausado e nítido de falar é inconfundível e foi, lembro perfeitamente, o que antes de tudo
me chamou atenção em você.
Você tava lá agora iluminando minha madrugada de domingo maior com filme depressivo depois do fantástico, jogando na minha cara e nas paredes da sala aquela sua risada falsa que aperta os olhos e fica tão verdadeira quanto realmente é... porque você é uma ótima atriz, inclusive quando diz não ser...
Pois é, eu sei. Acho o cúmulo da decadência estar gastando meu tempo escrevendo de novo sobre você, você que me empurrou de cima do seu muro quebrando minhas pernas de pular e meus braços de agarrar... e tudo que eu queria agora era mesmo ter evoluído de você, erguido a cabeça e dado as costas e ter saido sorrindo com minhas pernas de seguir e meus braços de cruzar...
Cheguei até pouco atrás a me convencer de que tinha mesmo feito isso, mas vendo você ali toda bonitinha e iluminada de sol e sendo lançada a mim pelo canhão da minha TV me fez lembrar o que você representou pra mim, o tamanho da esperança de alegria pura e amor cru que eu pus em cima de você, fez eu lembrar do quanto eu estava infantilmente carente e sozinho, tão sozinho quanto ainda estou...
Eu quis tanto agora que eu não tivesse sonhado em vão e que a nossa história não tivesse me convencido de que é melhor ser mais concreto e mais pé no chão, e eu não estaria agora com tantas dúvidas a respeito do que eu realmente sou e a respeito do que eu me tornei e do que estou me tornando...
Eu não estaria pensando tanto em como seria bom se você não tivesse no primeiro ato pegado aquele punhal e matado a mim... e envenenado você mesma de mim...
Nenhum comentário:
Postar um comentário