quarta-feira, dezembro 16, 2009

(é o que meu pai diz:)
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...

sempre meio mistério quarto crescente
sempre preso nessa vertigem
sempre peixes ascendente em virgem

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