sábado, maio 29, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
não quero me colocar em nenhuma caixa
nem quero abrir nenhuma
se eu abrir, vou assumir que existe
ela deve apenas sumir
não tenho medo do infinito.
prefiro me sentir pequeno
se desmistificar é meu novo horizonte
vou andar andar
sabendo que nunca chegarei lá
vai ser como beijar você
enquanto penso numa desculpa pra ir embora
só que dessa vez sou eu
tentando me livrar de mim
pra finalmente me encontrar.
nem quero abrir nenhuma
se eu abrir, vou assumir que existe
ela deve apenas sumir
não tenho medo do infinito.
prefiro me sentir pequeno
se desmistificar é meu novo horizonte
vou andar andar
sabendo que nunca chegarei lá
vai ser como beijar você
enquanto penso numa desculpa pra ir embora
só que dessa vez sou eu
tentando me livrar de mim
pra finalmente me encontrar.
terça-feira, março 02, 2010
domingo, fevereiro 21, 2010
insustentável
mas eu não sei o que fazer
não posso, não posso
tenho medo
e são tantos pregos finos que me prendem
gosto de falar o que sou
gosto de falar pro espelho
mas eu ainda não sou realmente, entende?
tem uma boca fechada pintada aqui
mas dentro ela é aberta
o céu da boca é cheio de estrelas
tantas que já morreram e ainda brilham forte
odeio me fazer de vítima
quando me olho no espelho
e imagino mil pregos finos em volta de mim
e a dor aguda que vai bombar se eu me mexer
é insuportável, insuportável
essa situação está
insustentável.
mas eu não sei o que fazer
não posso, não posso
tenho medo
e são tantos pregos finos que me prendem
gosto de falar o que sou
gosto de falar pro espelho
mas eu ainda não sou realmente, entende?
tem uma boca fechada pintada aqui
mas dentro ela é aberta
o céu da boca é cheio de estrelas
tantas que já morreram e ainda brilham forte
odeio me fazer de vítima
quando me olho no espelho
e imagino mil pregos finos em volta de mim
e a dor aguda que vai bombar se eu me mexer
é insuportável, insuportável
essa situação está
insustentável.
sábado, janeiro 30, 2010
estou há um tempo à deriva e bebendo água do mar pra matar minha sede
eu sei, eu sempre soube, que isso só piora tudo
e piorou, e eu perdi a consciência
e a maré se aproveitou pra me engolir cada vez mais fundo
mas as alucinações cessaram
e eu tenho pouco tempo agora
não vou me conformar com a vida e esperar Iemanjá me amar nas ondas verdes
não...eu não nasci pra isso
nem tampouco vou esperar resgate
vou braçada por braçada chegar em algum lugar, mesmo que lugar nenhum
se eu morrer
vai ser tentando viver
e aí tudo bem.
eu sei, eu sempre soube, que isso só piora tudo
e piorou, e eu perdi a consciência
e a maré se aproveitou pra me engolir cada vez mais fundo
mas as alucinações cessaram
e eu tenho pouco tempo agora
não vou me conformar com a vida e esperar Iemanjá me amar nas ondas verdes
não...eu não nasci pra isso
nem tampouco vou esperar resgate
vou braçada por braçada chegar em algum lugar, mesmo que lugar nenhum
se eu morrer
vai ser tentando viver
e aí tudo bem.
sábado, janeiro 23, 2010
acho que levo a vida de um otário
mas acho que não sou um otário
alguma coisa muito errada acontece aqui
é o que deixa isso vergonhoso e contraditório
qual das partes de mim que eu sou?
porque o que quero não se manifesta?
de tudo que via em mim...o que resta?
parece que houve uma morte silenciosa e lenta
parece que eu morri
como se tivessem arrancado pétala por pétala
da minha segunda década
parece que eu sorri agora, não sei
nao sinto
eu tenho sono
eu não sou meu dono
eu me engano
sou quase nada e tenho quase tudo
mas sou quase mudo
quero falar com o mundo inteiro
quero mostrar meu corpo
mas por dentro, quero que vejam os ossos
encontraram alguém depois de oito dias
por baixo dos destroços
acho que pode ser eu
porque não eu? eu também posso!
ser manchete no noticiário
eu sou um otário...
mas acho que não sou um otário
alguma coisa muito errada acontece aqui
é o que deixa isso vergonhoso e contraditório
qual das partes de mim que eu sou?
porque o que quero não se manifesta?
de tudo que via em mim...o que resta?
parece que houve uma morte silenciosa e lenta
parece que eu morri
como se tivessem arrancado pétala por pétala
da minha segunda década
parece que eu sorri agora, não sei
nao sinto
eu tenho sono
eu não sou meu dono
eu me engano
sou quase nada e tenho quase tudo
mas sou quase mudo
quero falar com o mundo inteiro
quero mostrar meu corpo
mas por dentro, quero que vejam os ossos
encontraram alguém depois de oito dias
por baixo dos destroços
acho que pode ser eu
porque não eu? eu também posso!
ser manchete no noticiário
eu sou um otário...
quinta-feira, dezembro 24, 2009
senti que eu estava mesmo dentro
do meu corpo
mas eu estava tão fundo
tão longe do topo
talvez se eu me encontrasse
talvez me guiasse
lá pra cima
me agarrando à minha pele pelo avesso
me puxando, lutando contra minha força
e saísse pelos poros, pelos olhos
pela boca, não sei
talvez lá fora encontrasse outra pessoa...
talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
é, talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
...
do meu corpo
mas eu estava tão fundo
tão longe do topo
talvez se eu me encontrasse
talvez me guiasse
lá pra cima
me agarrando à minha pele pelo avesso
me puxando, lutando contra minha força
e saísse pelos poros, pelos olhos
pela boca, não sei
talvez lá fora encontrasse outra pessoa...
talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
é, talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
...
quarta-feira, dezembro 16, 2009
(é o que meu pai diz:)
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...
sempre meio mistério quarto crescente
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...
sempre meio mistério quarto crescente
sempre preso nessa vertigem
sempre peixes ascendente em virgem
segunda-feira, novembro 02, 2009
o mundo preso na minha garganta
estou andando por baixo dos blocos e das árvores na Asa Norte
vale dizer que tudo está o mais seco que Brasília pode deixar
e cada passo dado é acompanhado de uma percussão de estalos e rachados e quebrados
e eu me divirto com isso, sozinho, meu espírito ri como uma criança ri. (você sabe a diferença?)
eu não estou seco, eu não sou seco
eu sou do cerrado e tenho essa cortiça grossa e me protejo do fogo
mas porque meu dentro não pertence a lugar nenhum
tenho todos os líquidos e fluidos e seivas e sangues que existem, que coexistem em mim
uma infinidade de coisas que às vezes vêm todas de uma vez
e Brasília inteira me dói
talvez seja esse meu problema, ter tudo isso e querer ter idéia de tudo
e achar que algum dia eu vou encontrar resposta e vou saber o que sobra de mim depois do tudo, por baixo da sociedade, dos controles...
todo dia eu tenho esperado ansiosamente pela hora de dormir, sonhar é virar um espectro que ultrapassa todas as barreiras de si. e acordar é cair com a cara no chão.
engraçado, lembrei agora do dia quando eu era criança e pulei do barranco mais alto e ganhei a aposta. eu caí no chão e o mundo subiu por dentro dos meu pés, pernas, virilha, estômago, pulmões, garganta, parou. ficou. o mundo se entalou na minha garganta e eu não conseguia falar mais nada. abria a boca e fazia gritos ensurdecedores, mas nada saía. tinha ficado mudo , completamente , não dava pra ser mais desesperador. e olhava pra cara do meu irmão com os olhos arregalados querendo dizer tudo que eu não conseguia e ele me entendeu, porque éramos crianças e ele era meu irmão. corremos pra algum adulto que saberia exatamente como nos ajudar, tinha que saber. corremos pra sala de um. e ao pisar na sala eu falei: "socorro!" e a mulher me olhou assustada e aí tudo perdeu completamente o sentido, pareceu que nada existiu e não ia adiantar explicar porque ela e ninguém nunca ia acreditar, ia parecer invenção, invenção de criança, porque criança ri diferente e quase ninguém entende.
eu continuo andando. e vale dizer que não sei pra onde estou indo, eu estou só fugindo... de alguma coisa pequena, que de tão pequena eu esqueço o que é, esqueci.
eu sou triste, falo em voz alta baixinho: e u s o u t r i s t e
não sei se ninguém saberia a relevância disso. que a tristeza ilumina certas coisas e a gente acaba vendo certas muitas coisas que não sei se era melhor nao ver. mas sou o que eu sou, seja lá o que for, porque sou triste, e isso me deixa feliz, minha tristeza é consciente e me mantém forte e qualquer coisa pode vir porque nada será maior que ela, porque ela não tem razão, não tem nada que possa ser feito, nenhuma solução, por isso é infinita e forte e me sustenta. é minha amiga.
Foda é que ninguém quer levar o pacote completo, ninguém quer nos conhecer os dois, ninguém enxerga nós dois, nem todo mundo tem estômago pra isso e quando chega perto o bastante que possa ver essa minha...corre...
eu não tô bem, acho que não...e canto Caetano. canto, canto, canto...os estranhos passam olham e fingem que não olham...
You don't know me, bet you'll never get to know me...you don't know me at all! theres nothing you can show me from behind the wall, nothing you can show me!
Cansei... devia voltar, devia chegar lá de novo com um sorriso gigante... mas eu sei que ia ser um sorriso pesado de pedra e ninguém ia notar, ninguém ia gostar...
como é que eu consigo andar tanto sem ir pra lugar nenhum e nem sequer ter essa intenção? que porra de espécie de gente eu sou? porque diabos eu ainda acho que existem espécies de pessoas?
eu não sei, eu não sei... eu tô preso.
não tem como escapar, a gente simplismente não existe sem essas prisões. conforta pensar assim, conforta e congela, eu tô cansado, sério.
eu preciso de alguém, agora. preciso beijar alguém e depois pegar no rosto e olhar no olho e dizer alguma coisa, depois me enfiar na nuca e sussurrar alguma coisa qualquer e abaixar minha mão e enterrar minha mão, preciso me esconder em alguém...
mas alguma coisa me impede. algo desesperador. algo preso na minha garganta
alguém, por favor...alguém adulto...alguém que saiba o que fazer
alguém me dá alguma coisa que faça isso descer...
preciso engolir alguma coisa. preciso comer qualquer coisa. alguém?
Clarice Lispector é preciso comer Clarice Lispector é disso que eu preciso.
vale dizer que tudo está o mais seco que Brasília pode deixar
e cada passo dado é acompanhado de uma percussão de estalos e rachados e quebrados
e eu me divirto com isso, sozinho, meu espírito ri como uma criança ri. (você sabe a diferença?)
eu não estou seco, eu não sou seco
eu sou do cerrado e tenho essa cortiça grossa e me protejo do fogo
mas porque meu dentro não pertence a lugar nenhum
tenho todos os líquidos e fluidos e seivas e sangues que existem, que coexistem em mim
uma infinidade de coisas que às vezes vêm todas de uma vez
e Brasília inteira me dói
talvez seja esse meu problema, ter tudo isso e querer ter idéia de tudo
e achar que algum dia eu vou encontrar resposta e vou saber o que sobra de mim depois do tudo, por baixo da sociedade, dos controles...
todo dia eu tenho esperado ansiosamente pela hora de dormir, sonhar é virar um espectro que ultrapassa todas as barreiras de si. e acordar é cair com a cara no chão.
engraçado, lembrei agora do dia quando eu era criança e pulei do barranco mais alto e ganhei a aposta. eu caí no chão e o mundo subiu por dentro dos meu pés, pernas, virilha, estômago, pulmões, garganta, parou. ficou. o mundo se entalou na minha garganta e eu não conseguia falar mais nada. abria a boca e fazia gritos ensurdecedores, mas nada saía. tinha ficado mudo , completamente , não dava pra ser mais desesperador. e olhava pra cara do meu irmão com os olhos arregalados querendo dizer tudo que eu não conseguia e ele me entendeu, porque éramos crianças e ele era meu irmão. corremos pra algum adulto que saberia exatamente como nos ajudar, tinha que saber. corremos pra sala de um. e ao pisar na sala eu falei: "socorro!" e a mulher me olhou assustada e aí tudo perdeu completamente o sentido, pareceu que nada existiu e não ia adiantar explicar porque ela e ninguém nunca ia acreditar, ia parecer invenção, invenção de criança, porque criança ri diferente e quase ninguém entende.
eu continuo andando. e vale dizer que não sei pra onde estou indo, eu estou só fugindo... de alguma coisa pequena, que de tão pequena eu esqueço o que é, esqueci.
eu sou triste, falo em voz alta baixinho: e u s o u t r i s t e
não sei se ninguém saberia a relevância disso. que a tristeza ilumina certas coisas e a gente acaba vendo certas muitas coisas que não sei se era melhor nao ver. mas sou o que eu sou, seja lá o que for, porque sou triste, e isso me deixa feliz, minha tristeza é consciente e me mantém forte e qualquer coisa pode vir porque nada será maior que ela, porque ela não tem razão, não tem nada que possa ser feito, nenhuma solução, por isso é infinita e forte e me sustenta. é minha amiga.
Foda é que ninguém quer levar o pacote completo, ninguém quer nos conhecer os dois, ninguém enxerga nós dois, nem todo mundo tem estômago pra isso e quando chega perto o bastante que possa ver essa minha...corre...
eu não tô bem, acho que não...e canto Caetano. canto, canto, canto...os estranhos passam olham e fingem que não olham...
You don't know me, bet you'll never get to know me...you don't know me at all! theres nothing you can show me from behind the wall, nothing you can show me!
Cansei... devia voltar, devia chegar lá de novo com um sorriso gigante... mas eu sei que ia ser um sorriso pesado de pedra e ninguém ia notar, ninguém ia gostar...
como é que eu consigo andar tanto sem ir pra lugar nenhum e nem sequer ter essa intenção? que porra de espécie de gente eu sou? porque diabos eu ainda acho que existem espécies de pessoas?
eu não sei, eu não sei... eu tô preso.
não tem como escapar, a gente simplismente não existe sem essas prisões. conforta pensar assim, conforta e congela, eu tô cansado, sério.
eu preciso de alguém, agora. preciso beijar alguém e depois pegar no rosto e olhar no olho e dizer alguma coisa, depois me enfiar na nuca e sussurrar alguma coisa qualquer e abaixar minha mão e enterrar minha mão, preciso me esconder em alguém...
mas alguma coisa me impede. algo desesperador. algo preso na minha garganta
alguém, por favor...alguém adulto...alguém que saiba o que fazer
alguém me dá alguma coisa que faça isso descer...
preciso engolir alguma coisa. preciso comer qualquer coisa. alguém?
Clarice Lispector é preciso comer Clarice Lispector é disso que eu preciso.
segunda-feira, outubro 26, 2009
devia, mas...
eu devia parar, eu sei
de pensar em você
devia, talvez, também,
parar de pensar tanto em mim
porque pensando bem
parece que o mundo tem mesmo fim
e quando fecho bem os olhos
consigo até escutar o som
da cidade quebrando
e se não abro os olhos
periga cair em mim
o trânsito com o veneno todo
que corre por aí...
se não abro os olhos
as casas das portas fechadas e luzes apagadas
me matam e me comem e me guardam pra sempre
nessa cidade inabitável e em ruínas
que eu crio toda vez que penso
em você e depois em mim
tenho que levantar dessa cama movediça
tenho que sair de baixo desse lençol
tenho que me mover, qualquer músculo, pra qualquer lado...
tenho que abrir a cortina
tenho que parar, eu sei
com a nicotina
com a cafeína
com a ...eu sei, eu sei
chega!
eu já sei!
de pensar em você
devia, talvez, também,
parar de pensar tanto em mim
porque pensando bem
parece que o mundo tem mesmo fim
e quando fecho bem os olhos
consigo até escutar o som
da cidade quebrando
e se não abro os olhos
periga cair em mim
o trânsito com o veneno todo
que corre por aí...
se não abro os olhos
as casas das portas fechadas e luzes apagadas
me matam e me comem e me guardam pra sempre
nessa cidade inabitável e em ruínas
que eu crio toda vez que penso
em você e depois em mim
tenho que levantar dessa cama movediça
tenho que sair de baixo desse lençol
tenho que me mover, qualquer músculo, pra qualquer lado...
tenho que abrir a cortina
tenho que parar, eu sei
com a nicotina
com a cafeína
com a ...eu sei, eu sei
chega!
eu já sei!
sábado, outubro 17, 2009
nada novo
nada novo aconteceu, nada...
só coisas em potencial
que eu não sei se eram mentiras
que eu invento
não sei se eram reais
que já faz tanto tempo...
a mesma babaquice
a mesma inércia
o mesmo medo
o mesmo pau mole
você tinha essa mensagem no celular dizendo "se afasta pra ninguém se machucar", que você lia todo dia, todo dia, e você virou o copo num gesto que todo meu corpo foi só vontade de te agasalhar e te tirar dali e te levar pra casa, casa que não fosse a minha e nem a sua porque não são nossas, tá vendo? também me falta isso e eu também tenho tanto frio, como vou te esquentar? como vou te salvar? te provar que você tem tudo pra me fazer de louco de bem perto de cheiro e de língua e de quase falar que amo com os pés, as mãos, o suor,e que larga tudo isso, vem pra mim que eu sou música brasileira, sou só batuque e brincadeira, que eu to cagando pro seus dez quilos a mais e eu só quero e que... e que... mas não..
você fez que sim com a cabeça
e foi
e eu devia ter agarrado seu braço
te puxado com a força de um primata amoroso hormonal
todo sangue e paixão e convicção
devia ter te laçado e enfiado uma lança no seu peito
devia ter feito você querer com toda sua alma
ficar
mas não, enfim
meu corpo tá sempre tão distante de mim
só coisas em potencial
que eu não sei se eram mentiras
que eu invento
não sei se eram reais
que já faz tanto tempo...
a mesma babaquice
a mesma inércia
o mesmo medo
o mesmo pau mole
você tinha essa mensagem no celular dizendo "se afasta pra ninguém se machucar", que você lia todo dia, todo dia, e você virou o copo num gesto que todo meu corpo foi só vontade de te agasalhar e te tirar dali e te levar pra casa, casa que não fosse a minha e nem a sua porque não são nossas, tá vendo? também me falta isso e eu também tenho tanto frio, como vou te esquentar? como vou te salvar? te provar que você tem tudo pra me fazer de louco de bem perto de cheiro e de língua e de quase falar que amo com os pés, as mãos, o suor,e que larga tudo isso, vem pra mim que eu sou música brasileira, sou só batuque e brincadeira, que eu to cagando pro seus dez quilos a mais e eu só quero e que... e que... mas não..
que tá foda, tá foda!
te falei que não ia ficar feliz com você você indo emboravocê fez que sim com a cabeça
e foi
e eu devia ter agarrado seu braço
te puxado com a força de um primata amoroso hormonal
todo sangue e paixão e convicção
devia ter te laçado e enfiado uma lança no seu peito
devia ter feito você querer com toda sua alma
ficar
mas não, enfim
meu corpo tá sempre tão distante de mim
domingo, outubro 11, 2009
torpor
se eu pudesse só enfiava o dedo na garganta
e vomitava essa pílula torpe que se dissolve aos poucos
e é infinita
e ataca meu organismo com essa angústia, essa agonia,
esse medo de não sei do que...
mas não posso
porque essa pílula não existe
não é algo que se vomite
nem que eu passasse a tomar antidepressivos
mas seria a química contra minha alma
e não é disso que eu preciso
em certo ponto eu escolhi ser assim
decidi ser poeta e sentir tudo a fundo
eu sinto muito
isso é minha arma e meu escudo
meu filtro envenenado pra tudo
já não sei como fugir
não existem portas fáceis de abrir
também não tenho certeza se é disso que preciso
se a solução é mesmo ser esse espelho cego
se é seguir os passos dos outros sem perguntar nada
sem pensar, será?
"como ser fácil?" "como ser aberto?"
"como viver a vida de perto?"
não sei como ejacular isso da alma
tem uma coisa presa no meu espírito
uma raposa, bicho selvagem
virgem, perdido na cidade caos
no submundo terreno vadio
suplicante e tentador...
como se quebra uma muralha de pedra
dentro da pele
sem se machucar
sem morrer?
torpor
tor.por
sm (lat torpore) 1 Falta de ação ou de energia física; entorpecimento. 2 Indiferença ou inércia moral. 3 Med Estado em que a sensibilidade, a motilidade e a atividade psíquica estão reduzidas de tal forma que o paciente não tem consciência exata do que se passa em torno dele ou com ele.
e vomitava essa pílula torpe que se dissolve aos poucos
e é infinita
e ataca meu organismo com essa angústia, essa agonia,
esse medo de não sei do que...
mas não posso
porque essa pílula não existe
não é algo que se vomite
nem que eu passasse a tomar antidepressivos
mas seria a química contra minha alma
e não é disso que eu preciso
em certo ponto eu escolhi ser assim
decidi ser poeta e sentir tudo a fundo
eu sinto muito
isso é minha arma e meu escudo
meu filtro envenenado pra tudo
já não sei como fugir
não existem portas fáceis de abrir
também não tenho certeza se é disso que preciso
se a solução é mesmo ser esse espelho cego
se é seguir os passos dos outros sem perguntar nada
sem pensar, será?
"como ser fácil?" "como ser aberto?"
"como viver a vida de perto?"
não sei como ejacular isso da alma
tem uma coisa presa no meu espírito
uma raposa, bicho selvagem
virgem, perdido na cidade caos
no submundo terreno vadio
suplicante e tentador...
como se quebra uma muralha de pedra
dentro da pele
sem se machucar
sem morrer?
torpor
tor.por
sm (lat torpore) 1 Falta de ação ou de energia física; entorpecimento. 2 Indiferença ou inércia moral. 3 Med Estado em que a sensibilidade, a motilidade e a atividade psíquica estão reduzidas de tal forma que o paciente não tem consciência exata do que se passa em torno dele ou com ele.
domingo, outubro 04, 2009
embrionário
existe um ser
dentro de uma casca
destrambelhado
batendo com a cabeça
lutando para nascer
e se machuca
e muitas vezes perde a consciência
porque é escuro lá dentro
e as coisas perdem o sentido
porque não vê cores
e os sons que escuta são seus ecos
este ser é belo
mas ninguém vê
estes sons são música
mas ninguém escuta
de tanto chutar e bater
pra todos os lados
sem saber o porquê
um dia essa casca quebra
mas há de manter
os olhos abertos pra ver
quando a luz começar a entrar
quero ouvir você cantar
quero ver você sorrindo
...porque eu tô te esperando.
dentro de uma casca
destrambelhado
batendo com a cabeça
lutando para nascer
e se machuca
e muitas vezes perde a consciência
porque é escuro lá dentro
e as coisas perdem o sentido
porque não vê cores
e os sons que escuta são seus ecos
este ser é belo
mas ninguém vê
estes sons são música
mas ninguém escuta
de tanto chutar e bater
pra todos os lados
sem saber o porquê
um dia essa casca quebra
mas há de manter
os olhos abertos pra ver
quando a luz começar a entrar
quero ouvir você cantar
quero ver você sorrindo
...porque eu tô te esperando.
domingo, setembro 27, 2009
não nasci cantando sempre tudo no tom
que nem meu irmão
aprendi a domar meu grito
e quando quero
ainda grito mais alto que leão
em cima da carne viva morta
mais estridente que um porco morrendo
e quando não quero canto baixinho que nem passarinho
no tom que cabe, sobre meu domínio
nasci pra apreender tudo sozinho
e por isso sofro mais
por isso eu sou dificil de aceitar
porque preciso vez em quando gritar, tanto
transformar esse caos pesado
que tenho dentro
em onda, que não tem peso
e eu grito como rezo
tenho que gritar
gritar à altura da minha dor
pra me livrar
e acabo incomodando a todos
pelo meu despudor
mas não me importo
pois enquanto tiver vida em mim
terá dor
e tanto mais terá voz
e eu não vou parar
você vai querer fazer de tudo pra me calar
pra viver a vida na ignorância
nunca saber dessas coisas todas que eu sinto
você que me ensinou, você que me gerou esse conflito
agora eu te devolvo tudo em grito.
(e não paro)
que nem meu irmão
aprendi a domar meu grito
e quando quero
ainda grito mais alto que leão
em cima da carne viva morta
mais estridente que um porco morrendo
e quando não quero canto baixinho que nem passarinho
no tom que cabe, sobre meu domínio
nasci pra apreender tudo sozinho
e por isso sofro mais
por isso eu sou dificil de aceitar
porque preciso vez em quando gritar, tanto
transformar esse caos pesado
que tenho dentro
em onda, que não tem peso
e eu grito como rezo
tenho que gritar
gritar à altura da minha dor
pra me livrar
e acabo incomodando a todos
pelo meu despudor
mas não me importo
pois enquanto tiver vida em mim
terá dor
e tanto mais terá voz
e eu não vou parar
você vai querer fazer de tudo pra me calar
pra viver a vida na ignorância
nunca saber dessas coisas todas que eu sinto
você que me ensinou, você que me gerou esse conflito
agora eu te devolvo tudo em grito.
(e não paro)
sábado, setembro 05, 2009
Pra ele
Não é, mesmo nos dias de hoje,
banalidade quando um homem assim chora
quando fala assim, coisas esparsas, coisas muitas, muito suas
e daí lança de si, expulsa, coisas assim que de tão delicadas chegam a ser violentas
e dessa violência chegou a machucar sua mãe em um lugar que nunca havia sido machucada antes.
portanto, não é qualquer coisa.
Ele falou, falou, chorou, falou, falou e isso não são só palavras jogadas assim inconsequentemente. Ele é um homem, e se formou até o momento presente para ser homem, homem fortaleza.
E ele ainda é, porque seu corpo estrutura todo rigidez e força reforça isso, suas mãos grandes e ossos aparentes, sua sobrancelha baixa, seu tom de pele e de voz...
chega a ser meio arcaico, ele, que até impõe certo respeito, mesmo sendo jovem, sobre as pessoas, que sequer imaginam existir assuntos assim internos, secretos, seus.
Por todo mundo hoje ser tão aberto e acessível para o mundo todo e todo mundo ser meio homem e mulher e bixo ao mesmo tempo e ele não, não deve se tratar o caso como se trata esses outros modernos.
Ele não é moderno e não é errado por isso. Ele não é daqui. nem todo mundo entenderia isso.
O lugar de onde veio vive num passado.
Quando se vai pra lá, se faz uma viagem no tempo de pelo menos uns 50 anos... e é essa saudade de meio século que ele carrega em seu interior e isso é coisa demais, mesmo para um homem fortaleza. Essa idade é incompatível com seu corpo jovem que abriu a boca e disse eu te amo, sinta tanto sua falta, não aguento mais e machucou tão fundo sua mãe que chorou 50 anos junto com ele.
banalidade quando um homem assim chora
quando fala assim, coisas esparsas, coisas muitas, muito suas
e daí lança de si, expulsa, coisas assim que de tão delicadas chegam a ser violentas
e dessa violência chegou a machucar sua mãe em um lugar que nunca havia sido machucada antes.
portanto, não é qualquer coisa.
Ele falou, falou, chorou, falou, falou e isso não são só palavras jogadas assim inconsequentemente. Ele é um homem, e se formou até o momento presente para ser homem, homem fortaleza.
E ele ainda é, porque seu corpo estrutura todo rigidez e força reforça isso, suas mãos grandes e ossos aparentes, sua sobrancelha baixa, seu tom de pele e de voz...
chega a ser meio arcaico, ele, que até impõe certo respeito, mesmo sendo jovem, sobre as pessoas, que sequer imaginam existir assuntos assim internos, secretos, seus.
Por todo mundo hoje ser tão aberto e acessível para o mundo todo e todo mundo ser meio homem e mulher e bixo ao mesmo tempo e ele não, não deve se tratar o caso como se trata esses outros modernos.
Ele não é moderno e não é errado por isso. Ele não é daqui. nem todo mundo entenderia isso.
O lugar de onde veio vive num passado.
Quando se vai pra lá, se faz uma viagem no tempo de pelo menos uns 50 anos... e é essa saudade de meio século que ele carrega em seu interior e isso é coisa demais, mesmo para um homem fortaleza. Essa idade é incompatível com seu corpo jovem que abriu a boca e disse eu te amo, sinta tanto sua falta, não aguento mais e machucou tão fundo sua mãe que chorou 50 anos junto com ele.
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