eu quero você e todos seus amigos postos à mesa
quero comer todos vocês, que tenho vinte anos de fome
qual é mesmo seu nome? tá aqui na ponta da língua
mas eu não quero que saia
não quero que saia
você é absurdamente linda
a sensação não finda
ainda não ainda
mais um gole de você
dessa vez sou eu quem brindo:
você é absurdamente lindo.
tantas línguas e tantos poemas
que eu ainda quero escrever em mim
tantos meninos e tantas meninas
que ainda quero ver nascer em mim
tantas cores e tantos tecidos
que eu quero costurar em mim
tantos cheiros e tantos sabores
que eu também quero ferver em mim
tantos deuses e tantas forças
que eu quero abençoar em mim
tantas portas e tantas bocas
que ainda quero abrir em mim
só tenho mais uma coisa pra dizer:
tudo
amém.
segunda-feira, julho 26, 2010
domingo, julho 18, 2010
pra começar: não é nada demais.
melhor que seja assim, pouca coisa.
se sangrar, eu lambo. hahahaha
tudo uma grande piada!
nenhum desenho na minha pele
só em superfícies que eu possa rasgar
repito: desmistificar
até eu acreditar, até eu acreditar
tem coisas que eu sempre pensei
mas foi você quem me concretizou
e você foi um marco na minha vida
você soprou o balão
mas antes de dar o nó
escorreguei da sua mão
olha pra mim agora, olha pra mim
hahahaha
piada personificada batendo nas paredes
cuspindo sua saliva, morrendo de rir
de mim
me esvaziando
me esvaziando
me esvaziando
bem, não faço por mal.
como poderia?
eu nem sei o que eu ando fazendo
quase uma epilepsia
uma mão na água quente
outra mão na água fria
a textura da sua boca
onde está a sua boca?
hahahaha tá bom, tá bom
mas eu não quero
mentira. quero!
porra. foi bom? esqueci
de novo. foi. foi? nem foi.
i can't get no.... i can't get no...
que porra é essa que eu sou?
é só que eu não quero nada
e no meio tempo tudo
não quero ser ninguém
quero desordem
é perigoso?
nada mais me assusta
já não é mais etanol
os monstros são reais
e todos me adoram.
só não sei ainda se termino meu filme no beijo ou no coquetel molotov
melhor que seja assim, pouca coisa.
se sangrar, eu lambo. hahahaha
tudo uma grande piada!
nenhum desenho na minha pele
só em superfícies que eu possa rasgar
repito: desmistificar
até eu acreditar, até eu acreditar
tem coisas que eu sempre pensei
mas foi você quem me concretizou
e você foi um marco na minha vida
você soprou o balão
mas antes de dar o nó
escorreguei da sua mão
olha pra mim agora, olha pra mim
hahahaha
piada personificada batendo nas paredes
cuspindo sua saliva, morrendo de rir
de mim
me esvaziando
me esvaziando
me esvaziando
bem, não faço por mal.
como poderia?
eu nem sei o que eu ando fazendo
quase uma epilepsia
uma mão na água quente
outra mão na água fria
a textura da sua boca
onde está a sua boca?
hahahaha tá bom, tá bom
mas eu não quero
mentira. quero!
porra. foi bom? esqueci
de novo. foi. foi? nem foi.
i can't get no.... i can't get no...
que porra é essa que eu sou?
é só que eu não quero nada
e no meio tempo tudo
não quero ser ninguém
quero desordem
é perigoso?
nada mais me assusta
já não é mais etanol
os monstros são reais
e todos me adoram.
só não sei ainda se termino meu filme no beijo ou no coquetel molotov
domingo, julho 11, 2010
das coisas mais bonitas que já vi. era ela de preto pisando forte no chão. era ela de salto e maquiagem. desmoronando. avalanche. porque ela chora com trovões. e nenhum mistério. como eu quis! como eu já te quis e quero. como é forte ver você assim nua na minha frente. sendo eu ou não apenas cenário. sendo você ou não apenas um personagem que criei.
domingo, julho 04, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
tinha alguma coisa aqui
quase uma luz quase branca
já não sei se foi quando fechei o olho
já não sei se foi na verdade
quase azul quase escuro
mas se eu sinto falta,
não é possível
ou é possível?
que a luz seja palpável
onde está? onde foi parar?
e parou?
o passado ainda é quando memória
e eu também sou o que quero ser
é? sou?
quero o gatilho para a luminescência
quero um atalho, ou um retorno
sentir de novo que posso explodir
e querer acima de tudo explodir
mas esperar,
pra guardar a dormência o formigamento
fui eu quem neguei? eu não sei
se foi esquecimento se foi nada
se foi na rua ou na minha casa
se foi uma troca com algum diabo sem asa
por enquanto canto vazio cá em mim
me desculpe, me desculpe perguntar
tanto
me perdoa, me perdoa por perder
assim
quase uma luz quase branca
já não sei se foi quando fechei o olho
já não sei se foi na verdade
quase azul quase escuro
mas se eu sinto falta,
não é possível
ou é possível?
que a luz seja palpável
onde está? onde foi parar?
e parou?
o passado ainda é quando memória
e eu também sou o que quero ser
é? sou?
quero o gatilho para a luminescência
quero um atalho, ou um retorno
sentir de novo que posso explodir
e querer acima de tudo explodir
mas esperar,
pra guardar a dormência o formigamento
fui eu quem neguei? eu não sei
se foi esquecimento se foi nada
se foi na rua ou na minha casa
se foi uma troca com algum diabo sem asa
por enquanto canto vazio cá em mim
me desculpe, me desculpe perguntar
tanto
me perdoa, me perdoa por perder
assim
sábado, maio 29, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
não quero me colocar em nenhuma caixa
nem quero abrir nenhuma
se eu abrir, vou assumir que existe
ela deve apenas sumir
não tenho medo do infinito.
prefiro me sentir pequeno
se desmistificar é meu novo horizonte
vou andar andar
sabendo que nunca chegarei lá
vai ser como beijar você
enquanto penso numa desculpa pra ir embora
só que dessa vez sou eu
tentando me livrar de mim
pra finalmente me encontrar.
nem quero abrir nenhuma
se eu abrir, vou assumir que existe
ela deve apenas sumir
não tenho medo do infinito.
prefiro me sentir pequeno
se desmistificar é meu novo horizonte
vou andar andar
sabendo que nunca chegarei lá
vai ser como beijar você
enquanto penso numa desculpa pra ir embora
só que dessa vez sou eu
tentando me livrar de mim
pra finalmente me encontrar.
terça-feira, março 02, 2010
domingo, fevereiro 21, 2010
insustentável
mas eu não sei o que fazer
não posso, não posso
tenho medo
e são tantos pregos finos que me prendem
gosto de falar o que sou
gosto de falar pro espelho
mas eu ainda não sou realmente, entende?
tem uma boca fechada pintada aqui
mas dentro ela é aberta
o céu da boca é cheio de estrelas
tantas que já morreram e ainda brilham forte
odeio me fazer de vítima
quando me olho no espelho
e imagino mil pregos finos em volta de mim
e a dor aguda que vai bombar se eu me mexer
é insuportável, insuportável
essa situação está
insustentável.
mas eu não sei o que fazer
não posso, não posso
tenho medo
e são tantos pregos finos que me prendem
gosto de falar o que sou
gosto de falar pro espelho
mas eu ainda não sou realmente, entende?
tem uma boca fechada pintada aqui
mas dentro ela é aberta
o céu da boca é cheio de estrelas
tantas que já morreram e ainda brilham forte
odeio me fazer de vítima
quando me olho no espelho
e imagino mil pregos finos em volta de mim
e a dor aguda que vai bombar se eu me mexer
é insuportável, insuportável
essa situação está
insustentável.
sábado, janeiro 30, 2010
estou há um tempo à deriva e bebendo água do mar pra matar minha sede
eu sei, eu sempre soube, que isso só piora tudo
e piorou, e eu perdi a consciência
e a maré se aproveitou pra me engolir cada vez mais fundo
mas as alucinações cessaram
e eu tenho pouco tempo agora
não vou me conformar com a vida e esperar Iemanjá me amar nas ondas verdes
não...eu não nasci pra isso
nem tampouco vou esperar resgate
vou braçada por braçada chegar em algum lugar, mesmo que lugar nenhum
se eu morrer
vai ser tentando viver
e aí tudo bem.
eu sei, eu sempre soube, que isso só piora tudo
e piorou, e eu perdi a consciência
e a maré se aproveitou pra me engolir cada vez mais fundo
mas as alucinações cessaram
e eu tenho pouco tempo agora
não vou me conformar com a vida e esperar Iemanjá me amar nas ondas verdes
não...eu não nasci pra isso
nem tampouco vou esperar resgate
vou braçada por braçada chegar em algum lugar, mesmo que lugar nenhum
se eu morrer
vai ser tentando viver
e aí tudo bem.
sábado, janeiro 23, 2010
acho que levo a vida de um otário
mas acho que não sou um otário
alguma coisa muito errada acontece aqui
é o que deixa isso vergonhoso e contraditório
qual das partes de mim que eu sou?
porque o que quero não se manifesta?
de tudo que via em mim...o que resta?
parece que houve uma morte silenciosa e lenta
parece que eu morri
como se tivessem arrancado pétala por pétala
da minha segunda década
parece que eu sorri agora, não sei
nao sinto
eu tenho sono
eu não sou meu dono
eu me engano
sou quase nada e tenho quase tudo
mas sou quase mudo
quero falar com o mundo inteiro
quero mostrar meu corpo
mas por dentro, quero que vejam os ossos
encontraram alguém depois de oito dias
por baixo dos destroços
acho que pode ser eu
porque não eu? eu também posso!
ser manchete no noticiário
eu sou um otário...
mas acho que não sou um otário
alguma coisa muito errada acontece aqui
é o que deixa isso vergonhoso e contraditório
qual das partes de mim que eu sou?
porque o que quero não se manifesta?
de tudo que via em mim...o que resta?
parece que houve uma morte silenciosa e lenta
parece que eu morri
como se tivessem arrancado pétala por pétala
da minha segunda década
parece que eu sorri agora, não sei
nao sinto
eu tenho sono
eu não sou meu dono
eu me engano
sou quase nada e tenho quase tudo
mas sou quase mudo
quero falar com o mundo inteiro
quero mostrar meu corpo
mas por dentro, quero que vejam os ossos
encontraram alguém depois de oito dias
por baixo dos destroços
acho que pode ser eu
porque não eu? eu também posso!
ser manchete no noticiário
eu sou um otário...
quinta-feira, dezembro 24, 2009
senti que eu estava mesmo dentro
do meu corpo
mas eu estava tão fundo
tão longe do topo
talvez se eu me encontrasse
talvez me guiasse
lá pra cima
me agarrando à minha pele pelo avesso
me puxando, lutando contra minha força
e saísse pelos poros, pelos olhos
pela boca, não sei
talvez lá fora encontrasse outra pessoa...
talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
é, talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
...
do meu corpo
mas eu estava tão fundo
tão longe do topo
talvez se eu me encontrasse
talvez me guiasse
lá pra cima
me agarrando à minha pele pelo avesso
me puxando, lutando contra minha força
e saísse pelos poros, pelos olhos
pela boca, não sei
talvez lá fora encontrasse outra pessoa...
talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
é, talvez me encontrando
eu encontrasse outra pessoa
...
quarta-feira, dezembro 16, 2009
(é o que meu pai diz:)
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...
sempre meio mistério quarto crescente
eu nao vivo na realidade
mas nada foi por que eu quis
eu não sirvo na realidade
não nessa mastigada
nessa absoluta intocada
minha conversa é outra
sôpro inconveniente
que adentra, adentra...
uma maresia que se faz de mim
e penetra eterna
com o meu sal e meu suor
no corpo de quem deixa, só de quem deixa
tem gente que morre de marasmo e se afasta
mas pra mim, basta quem fica
é quem mergulha, afunda no mar e se afoga de vida
é quem significa
meu bem, meu bem
falo desse jeito agora porque tenho aprendido
comigo
é... com o que vejo,
com o que não existe pra mais ninguém
e digo, tenho crescido, muito muito mesmo, meu bem
dá pra ver! eu vejo, você não?
um anjo, é, um anjo do mar
com o braço esticado pra eu alcançar
e vem e volta, segura e solta
e ele sorri como quem diz que é mesmo assim
tudo vai ser sempre desse jeito pra mim
a gente ri, porque se entende e sabe dessa vida
que quase ninguém compreende nem sente...
sempre meio mistério quarto crescente
sempre preso nessa vertigem
sempre peixes ascendente em virgem
segunda-feira, novembro 02, 2009
o mundo preso na minha garganta
estou andando por baixo dos blocos e das árvores na Asa Norte
vale dizer que tudo está o mais seco que Brasília pode deixar
e cada passo dado é acompanhado de uma percussão de estalos e rachados e quebrados
e eu me divirto com isso, sozinho, meu espírito ri como uma criança ri. (você sabe a diferença?)
eu não estou seco, eu não sou seco
eu sou do cerrado e tenho essa cortiça grossa e me protejo do fogo
mas porque meu dentro não pertence a lugar nenhum
tenho todos os líquidos e fluidos e seivas e sangues que existem, que coexistem em mim
uma infinidade de coisas que às vezes vêm todas de uma vez
e Brasília inteira me dói
talvez seja esse meu problema, ter tudo isso e querer ter idéia de tudo
e achar que algum dia eu vou encontrar resposta e vou saber o que sobra de mim depois do tudo, por baixo da sociedade, dos controles...
todo dia eu tenho esperado ansiosamente pela hora de dormir, sonhar é virar um espectro que ultrapassa todas as barreiras de si. e acordar é cair com a cara no chão.
engraçado, lembrei agora do dia quando eu era criança e pulei do barranco mais alto e ganhei a aposta. eu caí no chão e o mundo subiu por dentro dos meu pés, pernas, virilha, estômago, pulmões, garganta, parou. ficou. o mundo se entalou na minha garganta e eu não conseguia falar mais nada. abria a boca e fazia gritos ensurdecedores, mas nada saía. tinha ficado mudo , completamente , não dava pra ser mais desesperador. e olhava pra cara do meu irmão com os olhos arregalados querendo dizer tudo que eu não conseguia e ele me entendeu, porque éramos crianças e ele era meu irmão. corremos pra algum adulto que saberia exatamente como nos ajudar, tinha que saber. corremos pra sala de um. e ao pisar na sala eu falei: "socorro!" e a mulher me olhou assustada e aí tudo perdeu completamente o sentido, pareceu que nada existiu e não ia adiantar explicar porque ela e ninguém nunca ia acreditar, ia parecer invenção, invenção de criança, porque criança ri diferente e quase ninguém entende.
eu continuo andando. e vale dizer que não sei pra onde estou indo, eu estou só fugindo... de alguma coisa pequena, que de tão pequena eu esqueço o que é, esqueci.
eu sou triste, falo em voz alta baixinho: e u s o u t r i s t e
não sei se ninguém saberia a relevância disso. que a tristeza ilumina certas coisas e a gente acaba vendo certas muitas coisas que não sei se era melhor nao ver. mas sou o que eu sou, seja lá o que for, porque sou triste, e isso me deixa feliz, minha tristeza é consciente e me mantém forte e qualquer coisa pode vir porque nada será maior que ela, porque ela não tem razão, não tem nada que possa ser feito, nenhuma solução, por isso é infinita e forte e me sustenta. é minha amiga.
Foda é que ninguém quer levar o pacote completo, ninguém quer nos conhecer os dois, ninguém enxerga nós dois, nem todo mundo tem estômago pra isso e quando chega perto o bastante que possa ver essa minha...corre...
eu não tô bem, acho que não...e canto Caetano. canto, canto, canto...os estranhos passam olham e fingem que não olham...
You don't know me, bet you'll never get to know me...you don't know me at all! theres nothing you can show me from behind the wall, nothing you can show me!
Cansei... devia voltar, devia chegar lá de novo com um sorriso gigante... mas eu sei que ia ser um sorriso pesado de pedra e ninguém ia notar, ninguém ia gostar...
como é que eu consigo andar tanto sem ir pra lugar nenhum e nem sequer ter essa intenção? que porra de espécie de gente eu sou? porque diabos eu ainda acho que existem espécies de pessoas?
eu não sei, eu não sei... eu tô preso.
não tem como escapar, a gente simplismente não existe sem essas prisões. conforta pensar assim, conforta e congela, eu tô cansado, sério.
eu preciso de alguém, agora. preciso beijar alguém e depois pegar no rosto e olhar no olho e dizer alguma coisa, depois me enfiar na nuca e sussurrar alguma coisa qualquer e abaixar minha mão e enterrar minha mão, preciso me esconder em alguém...
mas alguma coisa me impede. algo desesperador. algo preso na minha garganta
alguém, por favor...alguém adulto...alguém que saiba o que fazer
alguém me dá alguma coisa que faça isso descer...
preciso engolir alguma coisa. preciso comer qualquer coisa. alguém?
Clarice Lispector é preciso comer Clarice Lispector é disso que eu preciso.
vale dizer que tudo está o mais seco que Brasília pode deixar
e cada passo dado é acompanhado de uma percussão de estalos e rachados e quebrados
e eu me divirto com isso, sozinho, meu espírito ri como uma criança ri. (você sabe a diferença?)
eu não estou seco, eu não sou seco
eu sou do cerrado e tenho essa cortiça grossa e me protejo do fogo
mas porque meu dentro não pertence a lugar nenhum
tenho todos os líquidos e fluidos e seivas e sangues que existem, que coexistem em mim
uma infinidade de coisas que às vezes vêm todas de uma vez
e Brasília inteira me dói
talvez seja esse meu problema, ter tudo isso e querer ter idéia de tudo
e achar que algum dia eu vou encontrar resposta e vou saber o que sobra de mim depois do tudo, por baixo da sociedade, dos controles...
todo dia eu tenho esperado ansiosamente pela hora de dormir, sonhar é virar um espectro que ultrapassa todas as barreiras de si. e acordar é cair com a cara no chão.
engraçado, lembrei agora do dia quando eu era criança e pulei do barranco mais alto e ganhei a aposta. eu caí no chão e o mundo subiu por dentro dos meu pés, pernas, virilha, estômago, pulmões, garganta, parou. ficou. o mundo se entalou na minha garganta e eu não conseguia falar mais nada. abria a boca e fazia gritos ensurdecedores, mas nada saía. tinha ficado mudo , completamente , não dava pra ser mais desesperador. e olhava pra cara do meu irmão com os olhos arregalados querendo dizer tudo que eu não conseguia e ele me entendeu, porque éramos crianças e ele era meu irmão. corremos pra algum adulto que saberia exatamente como nos ajudar, tinha que saber. corremos pra sala de um. e ao pisar na sala eu falei: "socorro!" e a mulher me olhou assustada e aí tudo perdeu completamente o sentido, pareceu que nada existiu e não ia adiantar explicar porque ela e ninguém nunca ia acreditar, ia parecer invenção, invenção de criança, porque criança ri diferente e quase ninguém entende.
eu continuo andando. e vale dizer que não sei pra onde estou indo, eu estou só fugindo... de alguma coisa pequena, que de tão pequena eu esqueço o que é, esqueci.
eu sou triste, falo em voz alta baixinho: e u s o u t r i s t e
não sei se ninguém saberia a relevância disso. que a tristeza ilumina certas coisas e a gente acaba vendo certas muitas coisas que não sei se era melhor nao ver. mas sou o que eu sou, seja lá o que for, porque sou triste, e isso me deixa feliz, minha tristeza é consciente e me mantém forte e qualquer coisa pode vir porque nada será maior que ela, porque ela não tem razão, não tem nada que possa ser feito, nenhuma solução, por isso é infinita e forte e me sustenta. é minha amiga.
Foda é que ninguém quer levar o pacote completo, ninguém quer nos conhecer os dois, ninguém enxerga nós dois, nem todo mundo tem estômago pra isso e quando chega perto o bastante que possa ver essa minha...corre...
eu não tô bem, acho que não...e canto Caetano. canto, canto, canto...os estranhos passam olham e fingem que não olham...
You don't know me, bet you'll never get to know me...you don't know me at all! theres nothing you can show me from behind the wall, nothing you can show me!
Cansei... devia voltar, devia chegar lá de novo com um sorriso gigante... mas eu sei que ia ser um sorriso pesado de pedra e ninguém ia notar, ninguém ia gostar...
como é que eu consigo andar tanto sem ir pra lugar nenhum e nem sequer ter essa intenção? que porra de espécie de gente eu sou? porque diabos eu ainda acho que existem espécies de pessoas?
eu não sei, eu não sei... eu tô preso.
não tem como escapar, a gente simplismente não existe sem essas prisões. conforta pensar assim, conforta e congela, eu tô cansado, sério.
eu preciso de alguém, agora. preciso beijar alguém e depois pegar no rosto e olhar no olho e dizer alguma coisa, depois me enfiar na nuca e sussurrar alguma coisa qualquer e abaixar minha mão e enterrar minha mão, preciso me esconder em alguém...
mas alguma coisa me impede. algo desesperador. algo preso na minha garganta
alguém, por favor...alguém adulto...alguém que saiba o que fazer
alguém me dá alguma coisa que faça isso descer...
preciso engolir alguma coisa. preciso comer qualquer coisa. alguém?
Clarice Lispector é preciso comer Clarice Lispector é disso que eu preciso.
segunda-feira, outubro 26, 2009
devia, mas...
eu devia parar, eu sei
de pensar em você
devia, talvez, também,
parar de pensar tanto em mim
porque pensando bem
parece que o mundo tem mesmo fim
e quando fecho bem os olhos
consigo até escutar o som
da cidade quebrando
e se não abro os olhos
periga cair em mim
o trânsito com o veneno todo
que corre por aí...
se não abro os olhos
as casas das portas fechadas e luzes apagadas
me matam e me comem e me guardam pra sempre
nessa cidade inabitável e em ruínas
que eu crio toda vez que penso
em você e depois em mim
tenho que levantar dessa cama movediça
tenho que sair de baixo desse lençol
tenho que me mover, qualquer músculo, pra qualquer lado...
tenho que abrir a cortina
tenho que parar, eu sei
com a nicotina
com a cafeína
com a ...eu sei, eu sei
chega!
eu já sei!
de pensar em você
devia, talvez, também,
parar de pensar tanto em mim
porque pensando bem
parece que o mundo tem mesmo fim
e quando fecho bem os olhos
consigo até escutar o som
da cidade quebrando
e se não abro os olhos
periga cair em mim
o trânsito com o veneno todo
que corre por aí...
se não abro os olhos
as casas das portas fechadas e luzes apagadas
me matam e me comem e me guardam pra sempre
nessa cidade inabitável e em ruínas
que eu crio toda vez que penso
em você e depois em mim
tenho que levantar dessa cama movediça
tenho que sair de baixo desse lençol
tenho que me mover, qualquer músculo, pra qualquer lado...
tenho que abrir a cortina
tenho que parar, eu sei
com a nicotina
com a cafeína
com a ...eu sei, eu sei
chega!
eu já sei!
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