sábado, março 31, 2007

maleável vertigem e calor temperado [ou eu não canso de te gritar pras paredes do meu quarto]

sentado no meio da escada
contando e classificando as formas
dos reflexos que o sol faz no chão
do corredor

sentado no meio da sala
contando e julgando as cabeças
e os pensamentos que se fazem
ao redor

sentado no meio do ônibus
contando e filosofando sobre as horas
que eu gasto procurando paisagens
com cor

é pra você que eu quero dizer
"eu te amo"
sem eu me sentir o maior imbecil
do ano

mais um dia sem nenhum diálogo
intelectualmente mais avançado
mais um dia sem um bom motivo
pra eu me manter feliz e engraçado
outro dia eu nem perceberia a falta
que faz se ter alguém do lado...

mais um dia de memórias descartáveis
ondas gigantes em marés desfavoráveis
mais um dia de sorriso simpático amarelado
de impenetráveis agasalhos para chutar o frio
em outra situação eu pensaria numa frase
que te deixasse mais a vontade do meu lado...

mais um dia caminhado de corrida incansável
olhos vibrantes com visões dispensáveis
mais um dia de desejos repetidos sob um clima de
maleável vertigem e calor temperado
outra vez eu abro os braços
e sinto a brisa ao meu lado...

era pra você que eu queria dizer
"eu te amo"
sem me sentir um desesperado
insano

os meus vizinhos já sabem seu nome decorado
porque eu não canso de te gritar pras paredes
do meu quarto

os meus dedos já sentem seu ritmo, calejados
porque eu não canso de te tocar na cordas
da minha imaginação

os meus amigos já sabem, apesar de não ter falado
porque minhas frases ultimamente parecem
sair do meu pulmão

era pra você que eu queria dizer
"eu te amo"
sem nenhuma intençao por baixo
do pano

era pra você que eu queria dizer
"eu te amo"
sem eu me sentir o maior imbecil
do ano


eu transpiro uma música
eu grito uma mensagem oculta

eu canto um ritmo
eu pulo uma dança
eu rodo as chances
eu jogo as frases
eu respiro uma dúvida
eu jogo em alguém qualquer culpa
eu vivo os dias
eu ando as horas
eu sonhos as noites
eu perco o sono
é pra você que eu preciso dizer
eu te amo

quarta-feira, março 21, 2007

eu nem sei qual o seu jeito de olhar [ ou " poxa, a gente devia ter se conhecido à uns 10 anos atrás..." ]

eu nao te conheço, eu nem sei qual o seu jeito de olhar quando eu falo alguma coisa profunda demais
eu nem sei se você gosta de ouvir coisas profundas demais, e eu nem sei se você alcança coisas profundas demais...
e hoje eu tava imaginando se a gente se encontrasse alguma vez em qualquer futuro
e se a gente se cruzasse positivamente e eu hipotéticamente falasse: " poxa, a gente devia ter se conhecido à uns 10 anos atrás..."
e você concordaria com um sorriso meio triste, assim como todo mundo...
e eu queria te encontrar amanhã e te dar um abraço confortável
e te falar tudo que eu venho pensando há um bom tempo... mas você me acharia um perdedor qualquer, um carente de fim de rua sem saída... porquê a gente tem que primeiro ter uma coincidencia incrível, ou um amigo em comum ou algum assunto pendente a respeito de alguma coisa que mais tarde nao vai ter nada a ver com nossos assuntos..
principalmente porque eu tenho certeza que a gente se encaixaria que nem cabeça em travesseiro de espuma, eu tenho toda essa certeza te olhando, sentada com o mesmo olhar perdido no meio de todo mundo enquanto eu desejo que meus olhos estivessem nesse seu foco....
e eu viajo tanto, e me perco muitas vezes, eu fico sem gasolina... eu volto a pé pra realidade
eu fico com raiva, eu nem sei que necessidade é essa...
eu nem preciso disso tudo, eu não preciso disso nada
eu nem preciso fingir que não estou te olhando, eu nem to te olhando mais..
mas aí você me olhou e meu olho fez: "oi eu tenho tanta coisa pra te falar"
e eu nao sei se os seus entenderam, mas mesmo que entendessem, e mesmo que também tivessem tanta coisa... eu nunca, você nunca, saberia..
mas e se o mundo fosse acabar amanhã?
eu perco, perco e nunca aprendo...
porque é a minha vez de fazer o melhor possível com tudo isso
eu não aguento mais nada disso
eu tô de saco cheio...de reagir errado com o instinto certo
de pensar errado sobre o caminho certo
e de pensar no que pensariam...se (condicionais+ resultados)
e de pensar:
"e quem sou eu pra segurar o seu mundo ?
quem sou eu pra ser seu satélite?"
eu to cansado de perguntar "...eu...?"
e eu pensei: por favor deixa eu me infiltrar em você
eu pensei: me deixa lavar minha alma
que as outras coisas acontecem naturalmente e todas aquelas coisas...
porque eu estava sempre correndo escondido
fingindo que eu nao estava totalmente desprotegido...
vai... me dá algum sinal pra nossa história começar
me dá algum alarme no céu, pra eu me tocar
insinua que alguma coisa está errada, que eu quero tanto consertar
me deixa pelo menos tentar
me deixa pelo menos te olhar....

"eu me acho no chão bem perto de seus pés, e é quando eu percebo que você sempre esteve certa...por favor não solta a bicicleta, por favor não solta a bicicleta...
eu me encontro dependente de alguma saudação, e é quando eu percebo a importância da hora certa...por favor me mande alguma seta, por favor me mande alguma seta...
eu me faço de desentendido perto de seus pensamentos e eu percebo que nada esta dando certo...por favor se mantenha por perto por favor se mantenha por perto...
eu me perco em uma sintonia perfeita, e eu concluo que não deve ter nenhuma receita...
por favor diz que me aceita, diz que me aceita..."


domingo, março 18, 2007

hoje eu durmi [ ou hoje eu acordei]

hoje eu durmi a tarde
e sonhei muitas coisas
e eu acordei a tarde
sem saber da realidade
porque a realidade envolve também muitas coisas
e eu guardei a lembrança de um lugar bonito
e eu me transporto pra ele de cinco em cinco minutos
desde então...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

certos momentos [ ou minha ilusão matinal,minha canção ilegal,meu refúgio astral...]

eu tenho falado sobre aproveitar o tempo
com aquela objetividade na voz,
de quem tem realmente muita confiança...
eu venho arriscando o caminho
com aquela certeza no passo,
de quem sabe realmente pra onde está indo...
eu tenho me armado com paginas
como se palavras pudessem me resguardar
de qualquer mal que estivesse acima de mim..
e o que eu sei sobre a vida?
e que tem feito os meus dias?
com que tipo de material eu tenho construido minha fortaleza?
escondido atrás de um desenho
significados e mensagens
alterações e ilusões
viagens que eu sigo mas nao decifro
contagens que eu não consigo
mas eu me abraço e me cifro
pra cantar depois,
sozinho no meu recife...
catar conchas no mar
cantar sonhos pro ar
cataventos
cataratas
caminhar...
é a minha ilusão matinal
é a minha canção ilegal
é o meu refúgio astral
porque há certos momentos que eu estou completamente consciente
e eu realmente traduzo meu cérebro
eu racionalmente entendo o tempo
e eu certamente estou confiante
e eu momentaneamente sei pra onde eu tô indo..
e as imagens, os sons, os sentimentos
fluem naturalmente
e as cores, as dores, os intentos
voam facilmente
e os desenhos, as músicas, as letras
entorpecem minha mente...
eu elaboro diálogos sobre assuntos importantes
com aquele ar de idealista,
completamente acima do nivel humano...
eu risco meu roteiro e reinvento a peça
como se eu tivesse certeza
de que tudo está completamente errado
eu aponto e atiro constatações
como se eu soubesse,
do universo, da natureza humana, do complexo...
eu tenho que marcar uma opção
eu sou ensinado a te julgar
você tá certo ou tá errado
eu sou levado a te jogar
menos perto, mais afastado
e eu preciso ficar um tempo
mais esperto, menos rodeado
porque quando eu me desprendo desse estado
estou novamente chato, calado e ultrapassado...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Pra tentar prolongar a mágica [ ou o som que me refaz]

os gestos de quem é auto-suficiente
o rosto de alguém independente
o olhar de quem é decidido...
e se todo dia fosse como ontem
todo menino seria mais homem.

os restos de alguém descontente
os ossos de um soldado valente
um ar (de qualquer coisa) menos arrependido...
e se toda força valesse a lembrança
todo homem se tornaria criança.

eu me afundei numa sensação e exagerei minha empolgação pra tentar prolongar a mágica
fazia tempo que eu não me calculava tão bem
eu tive visões estranhas ,previ o futuro também...me qualifiquei(sem errar) em coisas sem lógica


eu queria aqui, falar sobre as reações que sua voz fez no meu cérebro e das substâncias que meu corpo produziu com a sua simples risada
eu queria ,por mais que pareça irrelevante, fazer você guardar meu sentimento e me manter por perto, perto da sua mente resguardada...
eu seria uma pessoa insignificante, se esquecesse do chão que eu já andei( que hoje sustenta o asfalto novo) e não parasse pra filosofar na calçada...

uma frase de alguém confiante
os grandes sonhos de um viajante
estradas pra quem está perdido...
e se toda essa chama virasse explosão
as coisas teriam mais cor e mais razão

uma tese experimental de iniciante
a cabeça no céu dando um rasante
falhas não são sinal de perigo..
se quem ama virasse um vulcão
as casas e as cabeças teriam mais vibração

eu estou completamente aberto, me desfazendo no céu lilás
eu estou positivamente perto, pensando em você... e aliás
eu sou facilmente levado pela sua forma de me centralizar
e eu escuto os móveis da casa dizendo seu nome com todos os á's
eu converso com as árvores e ensino seu nome
e em todo lugar que eu ando, eu canto, escuto o som que me refaz
a cidade já me reconhece e me sintoniza,
eu mando uma mensagem pelo ar,
pelo vento que (eu espero) te harmoniza...

eu me deixei numa translação e exagerei minha entonação pra tentar enfatizar a mágica
fazia tempo que eu não me relacionava tão bem
eu tive alucinações estranhas ,vi o escuro também...mas me amarrei na luz da felicidade prática


( balança o pedestal pra fazer sua cabeça girar, só nao derruba... por favor
alcança o irreal pra trazer alguma graça no ar, só não enlouquece por favor! )

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Eu te amo pra sempre [ou Eu não vou morrer nunca]

Eu sou criança demais
Eu não vou morrer nunca
Eu vou me esconder debaixo da mesa, embaixo dos cabelos na sua nuca
Eu não vou me machucar, nunca
E eu vou te amar pra sempre, quer seja quer não seja
Mas eu vou dar um grito no meio da rua
Pra que você veja
Eu sou criança demais
Eu não sei nada sobre futuro
E eu tenho muito medo de derrubar esse muro
E eu vou dizer que a culpa é sua
Mesmo que não seja
Eu sou criança demais
Eu que inventei a brincadeira
Eu sou rápido o bastante pra me esconder por baixo dessa lupa
Me fingir de adulto sob essa roupa
Mas eu não quero que ninguém veja
Eu sou criança demais
E as pessoas vão querer que eu mude
Vão querer que eu não esteja com você
Eu não vou deixar
Eu amarro a cara eu faço de conta que não escuto
Que o mundo saiba então que eu to muito puto!
É coisa de gente grande ser assim
E ninguém nunca vai desconfiar que eu chorava na janela quando você ia embora
Todo mundo vai me julgar por ver o mundo do lado de fora e dizer que ta na hora
De eu crescer, e a hora é agora
Mas ninguém nunca vai entender o que realmente me apavora
Eu sou um só, de frente pro infinito
Olhando os meus pés somente
Pra ter certeza do que sinto
E ninguém me estende a mão, ninguém me apóia
Ninguém tá certo e ninguém me consola
Ninguém por perto no pátio da escola
E eu sei que tudo acaba
Eu sei o tamanho da mágoa
Eu sei que tudo passa
Mas eu nunca vou admitir
Eu sou criança demais
E eu te amo pra sempre

terça-feira, janeiro 16, 2007

eu nessa improvisada conversa sentimental [ou eu vou ser o maior filósofo da terra dos perdidos?]

Novamente errado em algo novo extraordinariamente surpreendente
de velhos novos desejos corrompidos pela natureza humana
isso simplismente nao faz falta
você nao acha q você tá indo longe demais?
é, ja tá escurecendo
você nao quer me escutar
você quer me fazer de doente com alguma frase forte
vai se fuder,nao, nao você,
mas as suas idéias fracas,
a sua mente suja,
seus pensamentos sem "porquê"
eu quero saber qual vai ser a sua próxima apontação sobre o que está completamente errado em mim
o que não vai dar certo comigo e porque eu não vou conseguir,
quem vai estar por perto e me apoiar até eu poder me expandir,
me diz vai,todos vão te socar a cara e te derrubar, te enganar, te passar pra trás e te bloquear
você vai continuar com sua passividade envergonhada, só por não parecer natural se rebelar?
tá bom...não diz nada...
você nao merece
você nao merece
você nao merece...

porque eu ainda desperdiço meu tempo pensando em amor?
eu sou alguem que nao acredita mais
você nao acredita mais em mim
eu me olho em outras pessoas,
eu me vejo em outros cômodos
mas eu nao sou eu
porque eu nao sou eles...
até(aí quando...) eu me encontrar em mim,
no fundo do meu quarto...
eu vou ser o melhor membro de deus
eu vou ser o melhor ombro dos meus amigos
eu vou ser o maior filósofo da terra dos perdidos
e eu quero ser eu..
eu quero ser eu....
no meio de todas essas falsas indagações
dessas falsas interrogações
dessas falsas reclamações
eu quero ser eu
por cima de toda essa merda mal resolvida do mundo
eu quero ser eu
e eu te digo: eu sou isso aqui
eu não sou seu médico
eu não sou seu advogado
eu não sou seu confeiteiro
eu não sou seu animador
eu não sou seu psicólogo
eu sou isso aqui,
essa improvisada conversa sentimental
essa vontade, essa grande força de metal
pra tentar ser eu
mas eu não me desligo dos meus ídolos
mas eu não me liberto dos meu líderes
como eu vou ser alguém com velocidade e impulso?
eu continuo me afogando nos passados do percursso
como eu vou ser alguém originalmente ativo?
tudo é cópia de alguma coisa que eu nao vivo
e porque eu quero tanto ser eu?
porque eu tenho a impressao que tudo que eu seria já morreu?
em que momento eu tenho certeza que eu nao estou fazendo papel de carbono?
em que pensamento eu me certifico de que eu não estou fazendo papel de otário
escrevendo, remexendo por dentro, deletando arquivos, perdendo meu sono?

quando? quando eu vou ser eu?
onde eu subo pra gritar?
eu quero falar no meio de uma multidão
eu quero ver em cada rosto um olhar de revolução
agora eu já posso falar?
quando então?

quanto? quanto eu pago pra ser eu?
onde eu assino pra entrar?
algum dia eu vou poder falar que meu sonho não morreu?
eu quero dizer que eu pertenço ao mundo
e fazer improvisados discursos sentimentais...
pronto? já posso começar?
quando então?

segunda-feira, janeiro 08, 2007

rabugentando [ou ah quer saber? esquece!]

eu sento na frente da TV e a minha cara vai rabugentando
eu penso na vida como um sorvete-a-derreter e vou congelando
eu tento me conter com a limitação popular, (daí me dilacerando)
eu aguento viver de alimentação/sustentação..até quando?
me transformando numa pessoa chata, sem assunto
ninguém aguenta mais reclamação, ninguém quer saber
da aflição alheia, ninguém, ninguém pergunta "posso entrar?"
ou então
pergunta, e entra sem esperar resposta...
usa seu banheiro, sai, mas te deixa uma bosta...
deixa bem claro: pra mim vc é isso, uma bosta...
e se eu nao falo: "caralho! volta aqui, você tá pensando o que?"
minha auto-valência, meu egoismo se transformam em que?
mas ninguém se importa de verdade
e quem iria se importar? quem iria mover um músculo facial pelo seu stress?
quem iria ter paciência pra salvar o dia? quem iria...ah quer saber? esquece!

vem... pisa no meu calo, e arranca a minha raiz
vem... mete o dedo (ameaçando) bem no meu nariz
engarrafa meu furacão
transforma minhas atitudes em pseudo confusão
amarra minha frustração
e deixa sete dias sem comida, fria numa prisão
você que ver minha raiva explodir em formas e frases
você quer sentir minha fome zunir em todas as fases
você quer testar todos os meus tons e meus transes

vem... risca o meu trabalho, me arruina por um triz
vem... repete aquele texto do (enganando) teu pobre país
comprimi essa confusão
dobra e guarda no seu bolso pra mais tarde fazer digestão
encara minha outra versão
e deita sem ter escutado um sílaba da discussão
você quer ver minha saliva ferver e evaporar pelos ares
você quer assistir meu peito e minha garganta estourarem
você quer me ver chacoalhar no ar, bater nas paredes, balançar os braços e rodar em intervalos irregulares...

domingo, dezembro 31, 2006

coisas que não tenho certeza [ou coisas sem sentido, mas com beleza]

eu engulo meu mau humor, forço um sorriso, invento um abrigo
canto coisas sobre amor( coisas que não tenho certeza)
eu pulo sobre meu rancor, torço por um angulo que me faça parecer amigo
planto coisas ao meu redor ( coisas sem sentido, mas com beleza)
eu rio da forma como você mostra o tanto que a gente reclama sem razão,
eu me arrepio por dentro com as consequencias que você nos dá como punição..
eu rio porque é a forma que acho de anular essa alma sem auto-preservação,
e me desvio pra dentro fugindo das ciencias que nos dão consciencia sem razão...
e aliás a ciencia não tá nem ai pras coisas que acontecem em ritmo de explosão
eu digo as coisas que envolvem o mundo inteiro mas que são equivalentes ao que se passa no seu coração


tudo acontece a minha volta e eu acho que não tenho nada a ver com- tudo me causa revolta e por baixo eu lembro que eu não tenho força pra tanto..
é a corda que te mata e me acorda
e a força que te leva e me força
o que me faz sentir molecularmente pequeno diante de um furacão que me joga
a teoria do caos, as leis de murphy, teoria da relatividade, as leis juridicas
eu abro meus olhos pra uma luz que me cega
eu nado contra uma correnteza que me carrega
o que me faz sentir completamente infiltrado em algo que teoricamente nao me diz respeito em nada

eu me pergunto, achando que estou falando com Deus
eu me prometo, achando que estou enganando apenas a mim..
e me sinto aleijado e fraco diante de tudo que você sofreu
eu não estou engajado em nada
eu não luto pro melhoras em nada...
eu estaria colocando a sua corda no meu pescoço se me atrevesse a te julgar...
quero apenas deixar escrito que não sou a favor de formas radicais de punição
formas irracionais de retaliação
e ignorancia por mera adequação

assim como meu pai não me daria ouvidos
assim como alguém pisa em uma formiga
assim como alguém joga lixo pelo carro
assim como alguém se deixa influenciar
assim como alguém influencia de maneira individualista e gananciosa
assim como se gasta água atoa
se matam pessoas como castigo por terem matado outras


mas eu sonho, acreditando que se o mundo tivesse ouvidos e me escutasse de vez em quando, as concepções teriam cores diferentes, e pessoas com suas mentes estariam ligadas sem correntes...

lembrando que eu sou ingênuo, desorganizado, pouco comprometido e pouco compenatrado, uma criança...

quinta-feira, dezembro 21, 2006

nunca tão envolvido [ou o mundo não tá certo]

Eu nunca conheci ninguém como você
nunca me esforcei por ninguém como por você
eu nunca caí tão profundo por ninguém
nunca tão profundo quanto você
eu nunca caí na estrada feito você
nunca me afetei por alguém como por você
eu nunca me senti tão envolvido em alguém
nunca tão envolvido quanto você
mas eu nunca seria tão rápido como você
nunca teria coragem de ser tão decidido quanto você
a gente nunca faria uma revolução
nunca construiria uma nação
nunca seriamos conscientes da nossa situação
muito menos donos do nosso coração
a gente nunca, nunca, nunca, nunca, nunca...

a gente não dá certo
o mundo não tá certo..

eu nunca mais vi você
eu nunca mais atendi você
eu tenho seriamente evitado você
eu mudei meu texto pra enganar você
e não é que eu nao me afete mais por você
mas é simplismente que

a gente não tá certo
o mundo não dá certo...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

A parte irracional da realeza[ou limpando o seu quintal]

Toda vez que eu lembro eu penso que não tem saída
Então me bota pra fora me emancipa me excomunga
Reclama, me força me convence me xinga
Mas não importa o quanto que eu tente falar
Ou planeje discursos em minha defesa
Você está acostumado com tudo beijado nas suas próprias mãos
Você é a parte irracional da realeza
E toda vez que penso eu lembro que não há saída
Você me força a te odiar por um momento que seja
Me chama de volta pros meus instintos reativos
E não importa o tanto que eu tente mudar
Ou pense em renovar a minha tese
Você não moveria um grão por uma montanha
E eu acho surreal a sua fraqueza
Esperando horas e vendo ir embora na hora da saída
Eu perdi minha paciência, minha dignidade, minha passividade
Eu te xingo, te bato, te calo, psicologicamente
Não importa o tamanho da minha acumulação
Ou a força da minha sub-divisão
Tudo isso vai acabar só me machucando numa magnífica implosão

vai acabar me fazendo sempre o mesmo mal
É essencial que você tenha a minha pobreza(pra limpar o seu quintal)


....

terça-feira, novembro 21, 2006

Mar em construção [ ou quebra-barreira]

De prédio pra subir
muro pra escalar
conselho pra ouvir
sussurro pra não incomodar...
Tanta gente por aí
sem saber por onde ir
sem lugar pra cair
tempo de senitr
de tanta gente e muro e prédio
eu faço o mar
de tanto grito e conflito e tédio
eu faço o mar
De regra pra cumprir
saída pra sonhar
raiva de sentir
felicidade pra não decepcionar...
tanto lugar por aí
pra gente continuar aqui
eu quero cair
eu quero é sentir
e de tanta regra e raiva e sonho
eu faço o mar
de tanta queda e saliva e barro
eu faço o mar
E é a falta do mar que me faz
é a falta de ter um cais
é a falta do mar que me faz
fazer mais...
...
eu mergulho numa sensação
que até então eu não tinha noção
e deixo o sal arder
no meu coração
pra lavar o meu espírito
de qualquer forma de
barreira ou poluição
(poluiçao!)

eu faço o mar...

quarta-feira, novembro 08, 2006

te conhecer [ou uma bruxinha pendurada no retrovisor de uma vã descontrolada]

Você tem uma noção diferente da vida dos outros
E interpreta cada situação como as expressões de seu rosto
E você desafia minha capacidade de resistir
Eu sei que eu nunca poderia estar com você
Porque você é muitas pra minha única forma de sentir
Mas às vezes me parece bem mais confortável te ver
E ouvir cada melodia das tramas que você cria na cabeça
Você é como uma detetive emocionalmente descontrolada
E eu acho inspiradoras as suas loucuras, por mais louco que pareça
E quando você quiser mais uma aventura policial, eu estou pronto
pra próxima rodada...
Você tem uma visão diferente para cada momento que eu escolho
E expressa a sua tendência para revoluções nas formas do seu olho
Você biografa as minhas atitudes e eu começo a rir
Eu confesso que já pensei várias vezes em estar(mesmo) com você
Mas “é como se o sol e a lua quisessem ocupar o mesmo céu,ao mesmo tempo” “desculpa,mais preciso dizer:mentir não é com você.”
“um dia quando você ficar do meu lado você vai ver”
Você é muito mais do que eu tenho capacidade de pedir
E muitas vezes é melhor me ignorar do que querer aparecer
E desperdiçar a oportunidade de te ouvir filosofar sobre a vida, como quem faz uma promessa...
Você é uma bruxinha pendurada no retrovisor de uma vã descontrolada
E eu acho emocionante pegar carona nas suas aventuras, emocionantemente depressa
E quando você quiser descarregar qualquer raiva monumental, eu te apronto
Uma desculpa pra se transformar numa polegada...
Eu sento e te olho tentando decifrar seus gestos
Eu fico em pé tentando cifrar as suas frases, ou os restos
É como se eu me perdesse e me desligasse, nos momentos mais incertos
E quando você me pergunta eu não minto...
E com você eu voltaria para casa a pé
E ai você pergunta “você nunca conheceu uma garota que nem eu, né?”

terça-feira, outubro 31, 2006

O que eu tenho feito? [ou por quem eu tenho feito?]

É, eu sou um cara branco
da capital, dinheiro no banco
E o que eu posso dizer sobre guerra?
E quem sou eu pra julgar um santo?

É, eu sou uma pessoa normal
só não saberia dizer o quanto
O que eu posso fazer pela terra?
Quem sou eu pra amenizar o pranto?

Então nós somos parte da mesma classe...
mas eu não vejo nenhum diálogo face a face.
Então nós temos que lutar pelo nosso direito
E eu me pergunto, o que eu tenho feito?

Pois é, eu sou um hipócrita
Da zona central, com a mão no bolso
O que eu (realmente) posso saber sobre miséria?
Quem sou eu pra recusar um político falso?

É eu sou um inconseqüente
Não acredito em juízo final, sinceramente
Pra quem eu ofereço a minha reza?
Quem sou eu pra me julgar inocente?

Então nós somos parte de um livro maior
Por quem tantas pessoas despejam suor?
Então nós temos livre arbítrio como direito
E eu me pergunto se não é esse o maior defeito...

quarta-feira, agosto 30, 2006

mesmo que eu nao esteja sentindo[tudo que eu quero é...]

muitas coisas nos fazem acreditar que o amor realmente existe
(mesmo que eu nao esteja sentindo, mesmo que eu nao queira agora, mesmo que eu nem esteja a caminho...)
e por favor não me force a nada
por favor não me deixe de cabeça baixa
por favor não corte minha corda
eu não tô afim de nada
eu tô gostando de observar a vida feito sessão da tarde, pensando (inocentemente) que eu tenho muito tempo pra desperdiçar...
eu tô gastando minha capacidade de considerar, deixando pra mais tarde,(conscientemente) tratando como gripe até sarar, (tudo que eu quero é:)
um sentimento que não me force a nada
que não me deixe com as mãos atadas
que faça a gente se sentir bem quando acorda
eu tô re-lembrando coisas passadas...
eu acho que eu até preciso de você de vez em quando...
mas ultimamente eu olho pro sol nascendo entre as folhas de manhã
eu olho pro meu lado à qualquer hora
eu assisto um filme pela terceira vez
eu olho pro meu retrovisor portátil
e o que eu sinto
desculpa, é amor...(mas)
eu sempre acordo e boto a mochila nas costas, eu ando, corro, subo, aprendo
as pessoas olham pra frente e seguem como se tivessem com uma cenorinha presa no pescoço na frente dos olhos...
eu sempre discordo e faço um discurso ideológico sensacionalista e (de vez em quando) eu me arrependo
as pessoas só olham pra dentro, e percorrem o mundo atrás de coisas que já se encontram abaixo do pescoço não sentindo o que não vêem os olhos...
eu não to tentando dizer nada, eu não to tentando induzir nada, eu faço o que eu estou disposto(e por mais que muitas vezes eu sinta falta de um abraço no meu braço)
eu me mantenho e me faço (muito bem)
eu sempre me alimento de feijão com arroz
eu danço e enceno mesmo sem
você ou eu ou seja lá quem for
devemos ser uma soma e formar sempre 2
eu não sei onde você está, eu nem me esforço em procurar, eu remo sozinho porque eu não posso parar de navegar...(mas)
muitas coisas me fazem acreditar que o amor realmente existe...