sexta-feira, agosto 28, 2009

Drama II

eles estavam comentando ali na sala
que acham que eu estou ficando louco
imaginam que não, mas eu escutei
pois eu acho que louco é pouco
porque eu estou oco, ..., oco!
foi assim que você me deixou
ta satisfeita?
é, to assim mesmo feito um idiota
não escondo, eu nao quero esconder
falo, falo mesmo, que queria...
quero mesmo agora, mais que tudo
estar com você ...
eu passo horas na tevê
e não escuto nada, nao vejo nada
horas na tevê!
só me cabe você, só me vem você
queria seu colo pra eu deitar e dizer
que te adoro e ouvir você dizer
"também, Lucas, eu também!"
mas você já tá desfilando por ai com alguém
exibindo fotos e sorrisos e abraços com esse alguém
talvez mais bonito e resolvido, alguém normal
boa sorte pra você, porque eu continuo muito mal
mas tá, beleza! , me disseram que eu acabo me conformando,
me acostumando
que eu sou forte, que eu consigo
que tudo bem
eu forjo um riso
eu cicatrizo

quinta-feira, agosto 13, 2009

Surpresa

_entra! eu sabia que você estava chegando...quer dizer, não exatamente... sabia que chegaria, mas não sabia que era você, nao sabia o que era de qualquer jeito...mas nossa! pega uma cadeira, senta, pode ficar
seja bem vindo de volta
olha, nem sei assim o que dizer...nunca recebi ninguém desse jeito
mas nossa! eu to tão feliz que você está de volta...já nem lembrava o quanto era diferente
quando você tava sempre presente...é que faz tanto tempo né...você não mudou nada, você tá vendo né, ou mudou? mudei? é que você parece ainda tanto comigo, você parece...que tem alguma coisa pra dizer...
_(risada meio engasgada) é, pois é...mudou um pouco
mas eu ainda estou aqui né, como você vê
sendo de novo eu
tive que vir, problema sério que você criou, muleque! (olhar sério e sorriso iluminado)
tenho algo sim pra dizer
você já sabe o que é
mas, ó, não se preocupa não
digo que tudo está bem agora
digo que você me deu vida nova e estou feliz de poder fazer parte da minha vida de novo...
tudo tá no caminho certo e tudo vai ser ouro agora porque você perdoou
eu perdoei


hoje eu levantei da cama num pulo
fui eu mesmo quem me lancei do meu sono
e meu corpo se levantou num grito de vida
a voz que saiu foi a que eu tinha quando tinha dez anos ou menos
foi um grito de vida, é
não socorro, não dor, nem suplica, nem raiva
só anunciação de vida,
hiperativa e incandescente e viva
que ansiedade! que vontade de viver!
uma parte minha ainda cheia de muito sangue e vontade
hedonista ingênua inconsequente inconsciente mágica iludida e feliz
milagrosamente levantou de um coma
estava silenciosamente esquecida havia um tempo
confundida com toda a lama que haviam jogado por cima dela
dessa parte minha, uma parte minha
que parece ter sido no meio do ultimo sonho
que assim num piscar, uou! voltou
cheia de coisas novas pra contar do passado
chegou cheia de sorrisos e pulos e sabores e palavras secretas!
que importante isso de aparecer assim de surpresa
e abraçar minha vida e falar sobre eternidade sem gaguejar...
que importante esse atrevimento
que sorte ter essa parte minha
que me lembra desse bom amigo
que eu tenho de infância
que eu perdoei
essa parte minha! nossa! obrigado!







terça-feira, agosto 11, 2009

Drama

(tá tudo tão gostoso, tão bom
que deu até vontade de amargar um pouquinho:)
arranhar a pele até reabrir a ferida
do amor mais vermelho que já tive
e saborear meu sangue com a ponta da língua
seria bom estar sozinho agora
pra gritar que nem louco
beber sangue, me imortalizar
sem parecer louco
sem aparecer pra ninguém
praticar atos que não sei o que significam
anominais , eu e amigos irreais
o amor que guardo
tatuado no avesso de mim
converso então só, pros outros
mas quando falo, já nem é com você
é com a projeção sua aqui dentro
é na verdade sua silhueta
que na verdade se movimenta
e que faz um estrago e bagunça tudo
como que se vez em quando
arrumasse os móveis
da casa vazia que mora
e me dá uma fome, uma sede, uma saudade
preciso de um doce, de um trago,de um amargo
preciso amar alguém, preciso ficar sozinho
preciso viver pra ver, preciso me envenenar de pouquinho
em pouquinho
_oi, por favor... vende picado?
então me da um, por favor
uma carolina
um sonho
e um cafézinho









minha vida
espiral insana
que vem do meu pai
e daí pra trás
tudo não para
tudo na vida que eu levo
do jeito que planejo
tudo eu sinto
que é muito chato
que é injusto
que é incompreensível
que é ótimo
tudo na vida
que eu vivo
do jeito que eu vejo
tudo que eu sinto
que me espeta
que me estanca
que me ama
e que me espanca
e não para
tudo é abstrato
tudo é falta
tudo é fatal
tudo é sonho
tudo é vital
nessa vida que eu trago
e faço mil vezes
a mesma coisa
e esqueço tudo
e choro sem chorar
e peço pra nunca acabar
mas acaba e não para
rala o joelho, se rala inteiro
mas nem pensa, pedala
que nessa vida que eu me meto
tudo é tarde demais
tudo é cedo demais
tudo é impreciso
tudo é impressão
tudo é meta
puta merda
eu sou poeta!

sábado, agosto 01, 2009

do que vivo do não concreto

nosso sábio amor
só ele sabe que ainda será
só ele sabe quando reaparecerá

nosso amor maduro
seguro de si
independe de nós
ciente dos prós e dos contras
sabe que muitas vezes a gente
dá as costas
e nem se dá conta
mas ele nos entende
nosso amor de compreensão celeste
sorri com o canto da boca
ele não faz alarde
não dá falso alarme
se guarda, mas não amarga
nosso amor sabe a hora de ser
sabe quando aparecer
e ele nos perdoa
pelas armadilhas que criamos pra ele
pelos dias que o odiamos por existir
nosso amor
sabe coexistir com a raiva,
com a tristeza, com a ausência,
com a indiferença...
nosso amor acostumado com o desprendimento
e com a inconsciência mórbida que temos dele
resiste continuamente, sim, porque eu acredito.











terça-feira, julho 21, 2009

Faxina II

o meu cabelo
cada centímetro de desespero
que tinha raízes na minha cabeça
que crescia a cada mês
cortei, varri, joguei fora
agora, suma, desapareça!
segue junto com essas células mortas
essas tristezas e agonias tortas
que não me machuque mais
o que for desse passado
que suma junto com esse cabelo
(esse é meu apelo!)
que se insignifique e se enfraqueça
só coisas novas e inofensivas
agora na minha cabeça
que eu não me afete mais
quando vir algum rosto
que antes me fez triste e sem gosto
desinfete! se incomplete!
que renasça do avesso
de outra cor, outra textura
que seja um novo começo
de lúcida loucura
que seja assim
que saia de mim
a cura.






segunda-feira, julho 20, 2009

Faxina I

não preciso mais desses papéis
que levei comigo por tanto tempo
estou jogando todos eles fora
amontoando sacos e sacos
chutando eles, jogando fora
e rindo, dando gargalhadas
estou me libertando desses papéis
que me cercavam, me condenavam
esses papéis guardados, ou melhor, largados aqui
como provas de que o tempo passou
que carregam vestígios de mim
fios de cabelo com raízes, sangue
poesia às vezes e suor

poderiam até me clonar utilizando esses papéis
mas nao garanto que conseguiriam me ter
talvez conseguissem um esboço
alguém focado e preciso, mas oco.
Esse que sinto que sou
ou que estou começando a ser
e que nasce do núcleo de minhas células
à minha superfície
tem mudado muita coisa em mim
coisa que a medicina nem sonha
porque não faz mesmo sentido
talvez nem deva fazer...
O que se despedaçava por cima desses papéis
e saía largando migalhas de si por aí
vai junto, dentro dos sacos
porque é lixo e lixo, segundo o moderno dicionário da língua portuguesa,
é aquilo que se varre para tornar limpa uma casa, rua, jardim, etc.
Ou um conjunto de dados ou informações desatualizadas ou erradas,
e que não são mais necessárias.

O Lucas vazio, insípido, despedaçado, estava completamente errado
e está tremendamente desatualizado
é desnecessário.


Era,
porque já foi.





segunda-feira, junho 29, 2009

caminho livre

estou prestes a entrar numa nova
numa de ser um completamente inédito
mas estou indo sem parar
tenho pouco, eu sei
não reclamo nenhum crédito
tem alguma coisa maior que me chuta
pra onde bem entende
que é só quem entende de alguma coisa aqui...
está prestes a nascer lua nova
minha cabeça cheia sem pensar
que seguir
é o que eu posso
é continuar
só continuar, só
tudo de um jeito que nunca foi pra sempre
nova era
há de vir, virar tudo ao reverso
já tá aí, esta prestes a chegar
no meu universo
vou deixar aberto
é só entrar
já tá tudo pronto, tá tudo certo.

domingo, junho 21, 2009

Domingo Maior [ ou a volta da minha atriz ]

Não... eu não te esqueci , não te superei, não te deixei completamente pra trás.
Pensei que tivesse, mas não...
acabei de te ver na televisão. Demorei pra acreditar que era você, mas a voz,
o jeito pausado e nítido de falar é inconfundível e foi, lembro perfeitamente, o que antes de tudo
me chamou atenção em você.

Você tava lá agora iluminando minha madrugada de domingo maior com filme depressivo depois do fantástico, jogando na minha cara e nas paredes da sala aquela sua risada falsa que aperta os olhos e fica tão verdadeira quanto realmente é... porque você é uma ótima atriz, inclusive quando diz não ser...

Pois é, eu sei. Acho o cúmulo da decadência estar gastando meu tempo escrevendo de novo sobre você, você que me empurrou de cima do seu muro quebrando minhas pernas de pular e meus braços de agarrar... e tudo que eu queria agora era mesmo ter evoluído de você, erguido a cabeça e dado as costas e ter saido sorrindo com minhas pernas de seguir e meus braços de cruzar...

Cheguei até pouco atrás a me convencer de que tinha mesmo feito isso, mas vendo você ali toda bonitinha e iluminada de sol e sendo lançada a mim pelo canhão da minha TV me fez lembrar o que você representou pra mim, o tamanho da esperança de alegria pura e amor cru que eu pus em cima de você, fez eu lembrar do quanto eu estava infantilmente carente e sozinho, tão sozinho quanto ainda estou...

Eu quis tanto agora que eu não tivesse sonhado em vão e que a nossa história não tivesse me convencido de que é melhor ser mais concreto e mais pé no chão, e eu não estaria agora com tantas dúvidas a respeito do que eu realmente sou e a respeito do que eu me tornei e do que estou me tornando...

Eu não estaria pensando tanto em como seria bom se você não tivesse no primeiro ato pegado aquele punhal e matado a mim... e envenenado você mesma de mim...

quarta-feira, maio 27, 2009

me dê você [ ou o que tem de melhor no agora ]

...porque você não deixa todos eles
e me dá o seu gesto?
porque você não deixa todo o resto
e me deixa entrar

e me deixa ficar?
te desarmar
e me perder por um instante
no infinito da sua boca gigante
enxergar pelos seus olhos
o que tem de melhor no agora
que o meu olhar implora
te explora por fora
e fica por fora
do que tem de melhor no agora
deixa eu entrar
deixa eu ficar...
deixa eu estar por dentro de você
deixa eu saber como é ser você
e que gosto tem
ter alguém que nem você
mesmo que ninguém possa ter ninguém
quero o gosto da ilusão de te ter
preciso saber agora
se eu beijar você
se me beija de volta
se me deixa ser o seu ponto de equilíbrio
seu eu, seu gêmeo, seu filho
seu meu, seu inverso, seu reflexo
seu salvador de todos os males
se deixa de lado todo o resto
e me dá seu sexo
se deixa de lado todos eles
e me deixa entrar
e me deixa ficar...
que quero ser livre com você
e te libertar
da paixão meia boca
dessa vida coisa pouca
quero gritar de dentro de você
e te deixar rouca
te deixar fraca de amor
te deixar de outra cor
e depois ficar
depois continuar
que a gente não precisa de mais nada
que o nosso amor feito vale tudo.

(larga seu arsenal, seu escudo
pode falar, eu te escuto
eu to aqui pra tudo)

quinta-feira, maio 14, 2009

nu no mundo [ ou partes infinitas ]

tenho que sair do meu quarto
quero sair como num parto
tenho que partir
me partir em partes infinitas
aumentar o contato
com minhas partes mais bonitas
quero pular do barco
nadar até o fim de tudo
até o fundo
eu quero me sentir pequeno no mundo.
eu quero me sentir nu no mundo.
longe onde eu possa ver
tanto quanto eu puder
e de onde estiver
enviar postais avisando que eu to muito bem
e sair nos jornais sorrindo como ninguém
só eu e a montanha mais alta do mundo
em cima do maior elefante africano
eu e o mar mais profundo
eu, como um qualquer ser humano
eu quero me sentir pequeno no mundo
eu quero me sentir nu no mundo.
deixar o universo me engolir
me dispersar, me despir
me despertar, me desiludir
me despistar,
me despedir.






( Carolina diz: meio frustrado né o texto... assim, condiz com o que você tá passando... tá bom. que que tu ainda quer falar nele?

Lucas diz: é que eu nao deixei bem claro o porquê q eu quero me sentir pequeno tipo.. o q é ruim de se sentir grande. mas acho q se fosse botar mais isso ia ficar triste demais de novo né

Carolina diz: não, eu entendi mais desse jeito... tipo, as mudanças e novas responsabilidades de você "ser grande" e tal?

Lucas diz: num era bem isso, mas tbm nunca ngm vai entender o q eu REALMENTE quero dizer né! vo deixar subentendido entao... mas o q eu tava falando de se sentir grande é de ficar no meu quarto, com minhas tristezas, meu amor, minhas alegrias..tudo q é só meu e só me cabe dentro... tipo parece q eu fico rodeado de coisinhas minhas e eu sou maior que tudo isso e se eu estivesse no meio do mundo, do lado da montanha mais alta do mundo, eu ia me sentir pequeno e tudo q eu sinto ia ser menor ainda e eu ia me sentir bem

Carolina diz: égua ISSO É MUITO BONITO fala ISSO no texto! )

domingo, maio 03, 2009

atriz atroz [ ou escura loba]

escura e pequena e fria
você é
pequena e fria e magra
fria e magra e crua
você é cruel
você não é uma sonhadora
uma sonhadora nao acaba assim
com os sonhos de outra pessoa...
atriz atroz
você atrasou minha vida
essa cena que você faz
tá longe demais
da realidade
você já passou da idade,
atriz atroz
de fazer esse tipo de atrocidade
e fingir que é por ingenuidade
você tá longe demais, longe demais
da realidade
eu não quero te ver nunca mais
eu nao quero te ver nunca mais

é triste demais te ver assim, atriz atroz
doida varrida, loba louca, perdida
no seu livro, no seu papel pequeno
uivando em alguma montanha, escondida
fumando sua maconha, fugida
fugindo da vida
da real

mas eu, eu nao te desejo nenhum mal
eu não insisto
eu existo naturalmente
eu nao finjo nada, não restrinjo nada
se é assim que você quer
quer se fazer de indestrutível
eu me abaixo ao teu nível
eu nao te odeio
mas também não quero te ver nunca mais
também não quero te ver nunca mais.

atriz atroz
de vez em quando
em mim
sua voz ainda ecoa
mas eu vou te deixar pra trás
pra trás! atriz atroz!
você não é uma sonhadora!
uma sonhadora nao acaba assim
com os sonhos de outra pessoa...

quarta-feira, abril 15, 2009

tudo, menos Clara...[ ou meu mundo das minhas idéias]

tinha o fato de você ter arrumado um namorado, assim fácil. E também ter dado um passo na vida
e estar tão futura, tão adulta, assistindo vidas nascerem e acontecerem.
Tinha o fato de eu continuar ancorado
num tempo que não era confortável como o passado, que definitivamente não era um presente
e não se movia.
Tinha o fato de eu ser um dramaturgo dramático cheio de pensamentos bombando e um corpo fraquíssimo, pele e osso praticamente, me segurando. Isso e outro bilhão de razões que eu certamente ainda vou inventar. Foi isso, e logicamente a carência mais infantil, que fez com que eu, artesanalmente, elaborasse uma trama
e trançasse quase uma vida inteira, uma bomba emocional caseira, pra jogar e explodir tudo em cima dela.
Ela, que andava tranquila e cheia de si e falava alto e pausadamente e que, comparada a mim, parecia já ter vivido o triplo, psicologicamente. Ela, que não parecia precisar de nada de novo, ela que se encontrava num solitário equilíbrio sólido e principalmente não fazia a mínima idéia de mim e não pediu nada, não pediu nada.
Eu, já tinha definido e justificado e encaixado a vida dela dentro da minha,
tinha no (meu) mundo das (minhas) idéias esse amor filosófico que eu achava que esclareceria tudo
e me libertaria de mim. Gerei, criei, eduquei, deixei crescer.
Até o ponto que não cabia mais em mim. Risquei o fósforo, com muita dificuldade,
minha mão tremia de medo de tanta realidade, acendi a bomba do meu peito e agora,
concentrado, seguro, segurei firme e joguei com uma força que não era minha,
lancei-me no meio da direção dela.
Por um momento tudo mudo, mudou , ficou mais quente e uma luz imensa quase me cegou,
uma possibilidade vermelha e violenta , mas mansa. Uma possibilidade de colisão inelástica, de amor, de dança.
Mas após o estrondo e o clarão, naquele momento, minha vida parecia, de novo, qualquer coisa, tudo... menos clara.
Já estava eu falando sem pensar, tropeçando nas palavras, em mim e ela assim:
como quem acaba de sobreviver a uma explosão (como não podia ser diferente),
me olhava e me engolia de uma forma completamente indiferente,
totalmente estranha a mim e a tudo que eu dizia e não dizia (como não podia ser diferente).
Aí eu fraco, explodido, em pedaços, completamente absurdo, vi que eu estava longe demais do chão,
e nossa! que cena ridícula! eu, me vendo sem base nenhuma, me balançando desesperado
procurando um lugar pra pousar os pés...
foi então que eu compreendi (quase) tudo...
abri os braços, fechei os olhos...
estou agora só , só,curtindo a queda,
tudo que sobe desce e eu to respeitando as leis da física clássica...
eu vou esperar o baque súbito que vai, finalmente, me acordar pro que é real... talvez tenha que engessar minhas idéias, mas vai sarar, vai voltar pro lugar... é só não pensar, por um tempo. Não pensar mais, não pensar...



(Você vai ter toda essa felicidade radical que você tanto merece na vida,
eu vou me encontrar e me controlar e ela talvez, algum dia, chegue a me entender, sem me julgar.)

segunda-feira, abril 13, 2009

pra poucos [ ou interior na mão ]

eu sei
é loucura, completa falta de senso social
é quase sadomasoquismo, autoflagelação,
falar a verdade, abrir a realidade integral, assim
sem ter o cuidado de o fazer aos poucos
a sinceridade não cabe no buraco da relação
assusta, afugenta, você não aguenta
aguentar a verdade é pra poucos...
desculpa, me jogar assim na sua direção
com um corte cirúrgico aberto
com todo meu interior na mão
eu sei que é muita falta de noção
eu tenho plena consciência disso
mas do meu sonho mais antigo
no centro de tudo que eu faço
da parte mais quente de tudo que eu digo
nasce, sem eu saber a origem,
com força e peso
minha obsceção pelo primordialmente natural
pelo que é e é somente, pra mim
de fato
e se eu não expulso ali mesmo
se eu não cuspo
se eu deixo preso em mim
perco o sono, a fome e a paz...
olha aqui, escuta
exorcisa esse amor meu
opera esse tumor sentimental
segura esse bebê que nasceu
meus pensamentos são todo meu mal.

sexta-feira, abril 03, 2009

imaterial [ ou existência ]

faço mil planos, traço mil destinos
já tenho cinco diálogos complexos completos
já tenho mãos, nucas e pernas
já tenho músicas e códigos secretos
já tenho filhos
já tem o nosso amor eterno e ele já é
já existe...
é só a falta de acontecer
é só esse inconfortável vazio
que persiste...