segunda-feira, março 21, 2011

é perigoso ser livre? é frágil?
não senti um nó sendo desatado, a corda foi arrebentada no meio. por onde eu andava sentia que algo ia se desprendendo de mim e eu ia deixando cair, rindo enquanto escorria. que mais que eu quero? que mais eu queria.
isso que eu me fiz e me fizeram é histórinha pra dormir. eu sou brasileiro, minha família é parte de Minas, parte do Ceará, estudei em escola particular, tive um cachorro chamado shy, gosto de rock, música brasileira e incensos... dormiu?
uma coisa nova aconteceu. me livrei de um bocado dessas bagagens. eu fui. agora trânsito.
me livrar disso não me deixou leve. porque eu sempre fui, sempre fomos.
bastou me permitir, depois de enxergar o incerto, me banhar dele. beijar a dúvida. gozar no corpo do inexistente.
molhado ele existe, pulsante ele existe, dançando ele existe.
o antes inimaginável.
bem, bom é.

sexta-feira, março 18, 2011

às vezes antes de dormir tenho medo de assombrações

sexta-feira, janeiro 07, 2011

quanto mais dicas você me dá de como entrar na sua vida, mais chaves, mais detalhes tímidos e disfarçados, mais declarações explosivas e descaradas...
maior é o querer e a compaixão.
e acho que assim seria com qualquer um que se me mostrasse assim.
outro dia na parada de ônibus uma mulher me perguntou se eu era daqui de brasília, respondi que sim, ela perguntou se eu gostava daqui, respondi que sim, ela perguntou porque... só me veio na cabeça que era apaixonado por brasília porque aqui eu me sentia em casa. acho que ainda ficou faltando o porque.
mas pensando hoje, acho que com pessoas funciono do mesmo jeito.
e sem restrições ou limites ou quantidades. é só me sentir em casa. é só poder entrar de pés descalços e abrir todas as janelas. é só poder entrar sem pedir licença, sair sem dar tchau...poder sempre voltar.
todos os meus olhares, minhas frases muito antes pensadas, as que falo sem pensar, o carinho nas costas, as trocas... são tudo campainhas.


as vezes nínguém abre.
outro dia na parada de ônibus um cara sentou, pegou uma caixinha de fósforo, tirou um, riscou e jogou dentro pra acender todos de uma vez. depois jogou a caixa no chão.
fiquei tão curioso com aquilo.
depois pensei que aquilo podia ser alguma espécie de bomba, ele podia ser algum maluco. aí passou pela minha cabeça correr.
mas cheguei mais perto dele, porque se aquilo explodisse eu queria passar por aquilo, queria me queimar daquilo dele.

sábado, janeiro 01, 2011

"vem!"
em tom de súplica, em tom de desafio, de deboche, de reza, de ordem, qualquer tom:
vem.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

não vou te mandar um email desejando feliz natal. sinto muito.
também não vou falar nada sobre espírito natalino. termino aqui as menções à essa data.
gostaria de lhe dizer o quanto estou bem.
alguns diriam que me criou um monstro. mas sabe o que tenho feito? me divertido em ser monstro.
juro. não sabe quanto prazer tenho tido em assustar os outros por aí.
gostaria que você também se sentisse assim, pois me fiz (nem te culpo) monstro aos seus moldes.
espero que você não se assuste quando me vir
mas se assustar, eu vou me divertir

quinta-feira, dezembro 23, 2010

vai chegar um dia que você vai entender meu tipo de humor.
acredito que vamos rir até chorar,vai faltar ar, vai doer.
vai ser bom.
e todo sempre que nossos olhares se cruzarem vai começar tudo de novo
engasgos, soluços, choros, fraqueza, descontrole... vai ser bom

e vamos rir sobretudo dessa fase do porvir.
pode ser que eu pareça agora um manipulador, um jogador frio inescrupuloso
mas nem é. morro de medo das coisas que, independentemente disso, faço.
enfim, só que tem uma coisa: com sociólogos eu sei lidar. haha
então é isso. fica o aviso:
só me acabo sangrando.

quarta-feira, outubro 20, 2010

caí nesse erro bobo. o carro da frente se moveu e eu achei que fosse eu.
ééé, to parado. olhando em volta agora, to parado mesmo.
às vezes uma linha de fronteira se desloca e se choca... estamos no aguardo.
parado não, to paralizado. Merda!
Foi mal, Gil... num to chorando, to é de chororô
falei com Cazuza hoje, ele disse que as possibilidades de felicidade são egoístas...
viver a liberdade, amar de verdade, só se for a dois
acho que ele foi irônico e amargo, mas eu, na minha menoridade, acreditei em tudo
o carro já tá longe agora, lindo brilhando no horizonte
eu to puto, puto!

terça-feira, outubro 05, 2010

eu não quero morrer, pedrinha pequena
tem alguma coisa lá
que eu não sei nem querer
de tão nova, tão móvel
e assim tanto quero
já é outra, já de novo
já me reconheço
não vai me pegar desprevenido
o vento, a onda, nada me arrasta
estou atrás de você, abalo sísmico
paisagem vasta
quero sim ser moldado, erosão quero sim
até parece que sou essência, tá bom
quero não, viu, quero não
Eros caiu por terra há eras aqui
mas eu to num movimento caótico
se pá me bato de novo naquilo e pá
mas sei lá... existe o monte Everest
sabe, pedrinha pequena?

quis dizer que estou indo embora. 
e assim como o rio, nunca voltarei.


(quem sou eu nesses finais drásticos?)

segunda-feira, agosto 30, 2010

Sonhei que era uma festa de família, como aqueles velhos natais, mas que tinham muitas pessoas mesmo, de diferentes círculos.
só lembro que em determinado momento estava perto da tia Areta. e, apesar do alzheimer, nessa hora ela estava muito lúcida e dizia que sentia muito tudo aquilo e que mesmo que às vezes ela nao entendesse nada, o desejo constante era de ser abraçada, sentir carinho, só isso. Depois disso tive alguma discussão com minha mãe e ela não entendia nada e isso me incomodava tanto. eu saía e ia me servir um prato do jantar. enquanto me servia, tia Areta abraçou uma das panelas de macarrão, enfiou a cabeça lá dentro e começou a comer compulsivamente, parecia um cachorro, não sei, aquilo causou um mal estar geral tátil. ninguém tinha entendido nada. eu andei até tia Areta. ela parou e me encarou com a cara toda suja de molho de tomate. eu a abracei. Nós te amamos muito tia Areta, você faz muita falta, nenhuma morte antes foi tão lamentada. aí tia Areta retribuiu meu abraço e começou a morder minha cabeça e tentava arrancar meu cabelo com os dentes. aquilo doía muito e eu sentia um nojo monstruoso. mas eu não podia sair dali ou maltratá-la ou negá-la. eu disse é carinho tia Areta, só quero te dar carinho. nessa hora olhei pela janela e várias amigas do ensino médio me olhavam e morriam de rir, tinha também alguns vizinhos que riam de leve, mais desaprovavam alguma coisa. eu devia ter uns 10 anos nessa hora. Tia Areta confundiu as coisas e queria porque queria transformar o carinho em sexo, ali no meio da sala, no meio de todo mundo. eu só tentei segurar ela com toda força que tinha e chorei muito no seu peito.

domingo, agosto 15, 2010

a minha vontade agora era estar preso numa caixa transparente...
você me procuraria, me tocaria, me perguntaria, me observaria
e eu só cantaria cantaria cantaria....
e tudo seria só sugestão
eu seria qualquer que fosse sua interpretação
eu seria sempre
eu seria seu
bem mais do que meu
bem mais do que eu
assim é ser artista

segunda-feira, julho 26, 2010

eu quero você e todos seus amigos postos à mesa
quero comer todos vocês, que tenho vinte anos de fome
qual é mesmo seu nome? tá aqui na ponta da língua
mas eu não quero que saia
não quero que saia
você é absurdamente linda
a sensação não finda
ainda não ainda
mais um gole de você
dessa vez sou eu quem brindo:
você é absurdamente lindo.

tantas línguas e tantos poemas
que eu ainda quero escrever em mim
tantos meninos e tantas meninas
que ainda quero ver nascer em mim
tantas cores e tantos tecidos
que eu quero costurar em mim
tantos cheiros e tantos sabores
que eu também quero ferver em mim
tantos deuses e tantas forças
que eu quero abençoar em mim
tantas portas e tantas bocas
que ainda quero abrir em mim


só tenho mais uma coisa pra dizer:
tudo

amém.

domingo, julho 18, 2010

pra começar: não é nada demais.
melhor que seja assim, pouca coisa.
se sangrar, eu lambo. hahahaha
tudo uma grande piada!
nenhum desenho na minha pele
só em superfícies que eu possa rasgar
repito: desmistificar
até eu acreditar, até eu acreditar
tem coisas que eu sempre pensei
mas foi você quem me concretizou
e você foi um marco na minha vida
você soprou o balão
mas antes de dar o nó
escorreguei da sua mão
olha pra mim agora, olha pra mim
hahahaha
piada personificada batendo nas paredes
cuspindo sua saliva, morrendo de rir
de mim
me esvaziando
me esvaziando
me esvaziando
bem, não faço por mal.
como poderia?
eu nem sei o que eu ando fazendo
quase uma epilepsia
uma mão na água quente
outra mão na água fria
a textura da sua boca
onde está a sua boca?
hahahaha tá bom, tá bom
mas eu não quero
mentira. quero!
porra. foi bom? esqueci
de novo. foi. foi? nem foi.
i can't get no.... i can't get no...
que porra é essa que eu sou?
é só que eu não quero nada
e no meio tempo tudo
não quero ser ninguém
quero desordem
é perigoso?
nada mais me assusta
já não é mais etanol
os monstros são reais
e todos me adoram.


só não sei ainda se termino meu filme no beijo ou no coquetel molotov

domingo, julho 11, 2010

das coisas mais bonitas que já vi. era ela de preto pisando forte no chão. era ela de salto e maquiagem. desmoronando. avalanche. porque ela chora com trovões. e nenhum mistério. como eu quis! como eu já te quis e quero. como é forte ver você assim nua na minha frente. sendo eu ou não apenas cenário. sendo você ou não apenas um personagem que criei.

domingo, julho 04, 2010

o quão forte eu sou
pra me desconstruir por inteiro
e me manter de pé?
é descobrir ou morrer.